SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



domingo, 30 de abril de 2017

A BALEIA AZUL DOS GOVERNANTES


*Rangel Alves da Costa


A greve dessa última sexta-feira, mesmo não tendo sido uma explícita manifestação do descontentamento do povo ante as últimas medidas governamentais, e sim uma tentativa político-partidária, de viés esquerdista, para desqualificar o governante-mor e ao mesmo tempo fazer ressurgir o grito de uma oposição combalida pelos fatos, ao menos serviu para mostrar que parte da população continua acordada acima do berço esplêndido de alguns.
Os que saíram às ruas com seus gritos e bandeiras - e muitos destes como vorazes e fanatizados incendiários -, tomaram as vias públicas como se fugindo estivessem de um terrível monstro marinho. Como que escapando das procelas, dos dragões, das temeridades do mar, buscavam a todo custo alcançar a praia para a salvação. Ou seria com medo da tão propalada baleia azul? Aquela mesma deixando as redes sociais e avançando por terra para devorar todo mundo.
Não. A população que saiu às ruas e toda a população brasileira jamais deveriam temer os perigos trazidos pela baleia azul, pois com ela pactua através do voto. Aliás, a baleia azul do jogo virtual, ainda que provoque vítimas por onde avança, é muito menos perigosa que outro tipo de cetáceo de monstruosidade assustadora: a baleia azul dos governantes. Esta vem, desde muito tempo, avançando do mar planaltino e outros mares para impiedosamente dilacerar a população brasileira.
Sem atentar para o fato de que essa outra espécie de baleia é a que realmente vem destroçando a população brasileira, eis que de repente a sociedade se assusta, entra em polvorosa com o jogo mortal da baleia azul. Com efeito, essa praga tecnológica vem se disseminando pelo mundo inteiro e espalhando pânico entre as famílias, professores, psicólogos e tudo o mais. Tudo por causa dos efeitos nocivos que tal jogo vem provocando entre os jovens, com mutilações e até suicídios.
No entanto, o sinistro jogo já é um velho conhecido das famílias brasileiras. Não como o jogado pelas redes sociais, onde a cada participante são dadas tarefas a serem cumpridas e cada uma mais espantosa que a outra. Numa tarefa, o jogador tem que se autoflagelar para seguir adiante, na outra tem que se automutilar, para, enfim, receber a tarefa final: praticar suicídio. Muito parecido com o jogo que vem sendo desde muito imposto ao brasileiro.
Ora, não seria de se imaginar que a reforma da previdência é uma baleia azul imposta de goela abaixo pelo governo federal, aonde o trabalhador vai se mutilando, se flagelando aos poucos, para depois saber que talvez nunca se aposente? O trabalho de tantos anos e a desesperança de não poder aproveitar algum tempo de vida para descansar, não se tornam em verdadeiro suicídio? Eis o jogo: a pessoa trabalha e contribui, já cansada de tanto trabalhar para contribuir, ainda assim é exigido que envelheça perto da morte para se aposentar. Quanto o jogo termina a pessoa já se foi.
A reforma trabalhista não seria uma feroz e assassina baleia azul? Cogitando-se até mesmo com o fim da Justiça do Trabalho, refúgio último do trabalhador ante as explorações do empregador, é como se jogasse o hipossuficiente ao mar e diretamente na boca do monstro. Fragilizando e retirando direitos do trabalhador, terceirizando os sonhos e as esperanças de tantos, colocando os acordos entre as partes fortes e frágeis acima da lei trabalhista (CLT), enfraquecendo a sindicalização e organização coletiva, nada se faz além de engordar o monstro empresarial e enfraquecer ainda mais a já combalida e sempre desrespeitada classe trabalhadora.
A baleia azul brasileira jamais perdoou a população, principalmente a mais carente. Ao abrir sua boca, ao arreganhar seus dentes afiados, logo surgem aumentos de impostos, de tarifas de água e energia elétrica, de remédios, da cesta básica, de tudo. E de boca aberta está nas portas dos hospitais, nas filas desrespeitosas e no atendimento do serviço público, na crescente falta de segurança pública e no assustador aumento dos índices de criminalidade e violência. Que baleia mais voraz é essa que sequer dá um aumento digno de salário-mínimo, e o que dá logo retira através da diminuição do poder aquisitivo da população.
É esta, pois, a baleia azul dos governantes, a mesma - marcada na pele, mas nem sempre reconhecida por todos - que sempre esteve devastando a sociedade brasileira. Como no jogo mortal das redes sociais, age como num percurso de fragilização até chegar ao depauperamento total. Parece mesmo que a intenção governamental com suas políticas de fragilização social, de retirada de direitos e contumazes aumentos da carga tributária, é mesmo ir retirando o poder de sustentação vital de um povo. E muitas vezes provocando o extremo de pais de famílias e empresários tentarem contra a própria vida pela insustentabilidade da sobrevivência.
A baleia azul virtual pode ser combatida com a negativa do jogo. Mas o que fazer ante a baleia azul governamental? Também não mais jogar o jogo deles. Ou seja, dizer não aos monstros que surgem dos mares como salvadores da pátria.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

Lá no meu sertão...


O sertão é sentimento, é alegria na alma, é do espírito o contentamento...



Você tão besta (Poesia)


Você tão besta


Tudo parece tudo
porém nada é
veja a pedra
que virá pó
o fogo ardente
que vira cinzas
tudo na ilusão
de ser o tudo
em nada
nada

e você dourado
e você tão besta
e você esnobe
o que você
é mesmo?
lembrai então
da pedra
do fogo
das cinzas
do pó.


Rangel Alves da Costa

Palavra Solta - a canção da pedra


*Rangel Alves da Costa


Tempo, tempo, que não venha o vento, que não venha a chuva, que não venha o musgo, a me devorar. Tempo, tempo, tão longa no tempo, tão distante na estrada, tão filha do tempo, longa caminhada. E no silêncio a noite, e no silêncio o dia, e no silêncio todo o tempo que o tempo tem. Tempo, tempo, quanto desprezo pela minha existência, como se tudo eu fosse e fosse nada. Tudo eu sou quando em cima de mim querem repousar, quando sobre em mim querem jogar o mundo, quando no meu leito querem chorar suas dores. Tempo, tempo, sei que tenho a palavra, sei que tenho o verbo, mas ninguém quer ouvir. Ouço vozes acima de mim, ao meu lado, mas sou silenciado quando quero falar. Ora, dizem que a pedra é nada, que a pedra é estorvo onde ela esteja. De repente lançam armas pontas nas minhas costas, então lanham, então quebram, então me dividem. E em silêncio continuo com a minha dor. Apenas uma pedra, apenas uma pedra. E um dia o profeta meditou sobre o mundo bem sobre os meus braços. Um dia um viajante parou para descansar e meditou sobre a vida e a morte. Eu quis falar, mas ele não quis ouvir. Ninguém fala com a pedra. Esquecem, contudo, que todos eles são mais pedras que eu, que são muito mais petrificados que eu. Esquecem eles que apenas viram pó, que somem de tudo. E eu, ainda que como pó seja levada ao vento, nas paredes do tempo abrirei meus braços para a eternidade, pois o homem vira pó, mas a pedra renasce pedra do próprio pó. E pó sobre pó, a petrificação, uma nova pedra.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

sábado, 29 de abril de 2017

A JUSTA GREVE E O DESPREZÍVEL VANDALISMO


*Rangel Alves da Costa


O direito de greve, dentro de seus limites legais, é previsão estabelecida constitucionalmente, sendo, portanto, imperativo. Como afirmado, em consonância com os ditames legais, a todos é garantido o direito à manifestação, à paralisação, à demonstração de suas indignações.
E nada mais justo que pessoas ou categorias, descontentes com determinadas situações, invoquem para si o direito de rebelar-se, de indignar-se, de gritar sua insatisfação. Soa até como grandeza social o despertar contra as injustiças, as arrogâncias governamentais, as medidas que acabam afetando a vida população em geral e da classe trabalhadora em particular.
Como bem afirmado por alguns, somente na pressão se muda a situação. Ou ainda para outros, mesmo que não surta o efeito desejado, ainda assim toda greve será válida à medida que chega ao destinatário os sinais da insatisfação. Mesmo que os governantes costumem menosprezar os resultados das greves, basta tal manifestação para que se saiba que os cintos apertaram de algum modo.
Noutros idos, principalmente quando as botinas dos generais eram ouvidas ao longe, fazer uma greve era o desejo de multidões. Contudo, havia sentido pátrio, invocação nacionalista, ufanismo de verdade. Por isso mesmo que os novos tempos trouxeram multidões acaloradas e ávidas por soltar a voz. E soltaram tanto que muito foi conseguido através dos gritos, das caras-pintadas e das bandeiras tomando as ruas.
Logicamente que muito contrastante com a maioria das greves de agora. Tanto assim que se utiliza o termo greve geral não para paralisar o país, mas para levar às ruas partidários, fanatizados, pessoas com único intento de fazer política através da bandeira do outro. Os sindicatos, antes tão fortes e unidos nas lutas em defesa das classes trabalhadoras, agora são apenas sucursais políticas de partidos já esgotados pela desonra.
Assim, quando há o chamado para uma greve geral, certamente que as intencionalidades não são apenas de luta contra determinadas situações, mas tão somente para que o partidarismo ganhe as ruas e façam reacender chamas já ofuscadas pelos acontecimentos. Tudo como uma tentativa de ressuscitar cadáveres insepultos ou trazer à boca do povo outros gritos que não aqueles ecoando os verdadeiros motivos da greve.
Mas greve é coisa séria, é oportunidade única para que o povo expresse sua insatisfação. Como acentua a doutrina, greve é a paralisação voluntária e continuada, ou não, do trabalho, sempre realizada em defesa de interesse da classe trabalhadora e geralmente organizada pelos sindicatos das categorias. Por sua vez, greve geral - como a ocorrida nesta sexta-feira 28/04 - é aquela promovida por uma ou todas as classes de trabalhadores do país, ou mesmo parte destas, de modo a somarem forças nos seus intentos de luta.
Como bem assinala a doutrina, a greve é uma forma de protesto do trabalhador e objetiva o atendimento de reivindicações. Perante tais considerações, então se indaga: a greve desta sexta-feira, cujas aglomerações eram mais de partidários políticos e até de pessoas pagas para estarem presentes, foi uma manifestação contra as reformas trabalhista, previdenciária e demais medidas impopulares do governo, ou apenas para desqualificar o governo vigente e fazer reacender a chama morta do petismo?
Sem medo de errar, afirma-se que a greve ocorrida teve a intenção unicamente partidária, não do partido do empregado, mas do partido político mesmo. E isto se comprova por alguns fatos. Impensável que a classe trabalhadora, responsável e coerente, saia às ruas para praticar vandalismos, saques, depredações de prédios públicos, destruição do patrimônio e violências de todos os tipos. Somente os fanatizados cometem tamanhas atrocidades, somente os esquerdopatas praticam tamanha barbárie contra o que encontrar pela frente.
Ou será que os incêndios, os fechamentos de vias públicas e rodovias, os estilhaçamentos vergonhosos, os vilipêndios praticados, foram realizados pela classe trabalhadora? Quem destrói o que encontrar pela frente, quem comete invasões a prédios e órgãos públicos, quem sai às ruas com armas escondidas, com máscaras encobrindo os rostos, com instrumentos de destruição de todos os tipos, certamente não é a classe trabalhadora.
Daí que, uma greve que bem poderia ter alcançado seus objetivos de luta das classes afetadas pelas recentes medidas governamentais, acabou sucumbindo ao vergonhoso e bárbaro partidarismo. Perdeu-se uma ótima oportunidade de mostrar força. Ganhou-se a mácula da serventia aos interesses abominavelmente escusos.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

Lá no meu sertão...


Ao entardecer, na terra sertaneja...




Canção cheia de saudade (Poesia)


Canção cheia de saudade


Ouço nas distâncias da tarde
uma canção cheia de saudade

ao pôr do sol me invade
uma canção cheia de saudade

a luz da lua em luminoso alarde
uma canção cheia de saudade

ai que canto em ferocidade
esta canção cheia de saudade

que me toma assim sem piedade
sentindo toda e tanta saudade

e na distante canção a verdade
saudade, saudade, saudade...


Rangel Alves da Costa