SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



segunda-feira, 4 de junho de 2018

Saudade de amar (Poesia)



Saudade de amar


Que estranho amor
que me vem assim
é o mesmo amor
de tristeza sem fim

na saudade tanta
na chuva caindo
orvalho de planta
pela lua saindo
o vento que canta
se o sol vai sumindo

em momentos assim
de tristeza sem fim
quero o meu amor
quero o seu amor.

Rangel Alves da Costa

Palavra Solta - bonitinho, novinho e com pele de seda



*Rangel Alves da Costa


Vou fazer assim: vou pegar uma foto minha, daquelas que eu mais goste, então vou jogar ela em algum programa de computador que dê um trato melhor que qualquer pintura. O photoshop faz essas maluquices, não é? Pois bem. Rugas? Nem pensar. Pelo contrário, pele de anjo, de seda, de pétala, de papel vegetal ou asas de borboleta. Marcas do tempo ou estrias na pele? Nem pensar. Pelo contrário, tudo tão lisinho e perfeito que nem pele de bebê se aproxima. Sinais, cicatrizes ou qualquer outro declive na pele? Nem pensar. Pelo contrário, pois tudo tão perfeitamente belo que mais vai parecer uma cuidadosa pintura. Sorriso feio ou triste? Nem pensar. Pelo contrário, um sorriso tão belo, suave e angelical, que cada olhar vai logo se enamorar. Lábios muito finos ou muito grossos? Nem pensar. Pelo contrário, pois beiços tão perfeitamente espalhados, eróticos e sensuais, que muita gente vai querer beijar a foto. Olheiras? Nem pensar. Vixe Maria, de jeito nenhum. Pelo contrário, um olhar tão sublime e encantador que tudo mundo vai achar que está diante de um deus da beleza. Depois disso tudo, certamente eu vou me apaixonar por mim mesmo. E igual a Narciso que não pode ver espelho, me lançar nos reflexos da hipocrisia, da idiotice, do não ter o que fazer. Ora, se eu sei que não sou eu aquilo que quero forjar que sou, então por que não reconheço o que sou e como sou e deixo de mentir a mim mesmo e aos outros?


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

domingo, 3 de junho de 2018

ENSINA-ME A CUMPRIR TUA VONTADE!



*Rangel Alves da Costa


Senhor, então me ensina a cumprir Tua vontade. Assim está escrito no Salmo 143,10: Ensina-me a fazer a tua vontade, pois és o meu Deus. O teu Espírito bom me guie por terra plana.
E assim Senhor, por que nada tenho e nada possuo que não seja de tua dádiva e de tua caridade, e por ter recebido de tuas mãos, que eu possa sempre preservar e frutificar e fazer do seu uso o melhor à vida e ao viver.
Se me fizeste para o bem, para a bondade, para a fraternidade, então por que eu haveria de percorrer outros caminhos e ser diferente? Se me deste a dádiva da existência, do viver e semear sobre a terra, então por que eu haveria de transgredir ao que me foi confiado?
Senhor, meu Pai, confiaste a mim a graça de ser filho teu. Deste-me a paternidade e um livro aberto com todas as lições para a vida. Jamais será honroso a um filho renegar sua paternidade nem rasgar o sagrado livro da existência.
Ensina-me Senhor, ensina-me a cumprir sempre a tua vontade. Num mundo desnorteado, num mundo amedrontado e violento, num mundo pecador e de perdição, não permita que eu fraqueje perante o mal. Se é da tua vontade viver para o bem, então me proteja com teu manto e dê-me o cajado para afastar de mim as más ovelhas.
Sou teu filho ó Pai, mas um frágil filho, um temeroso filho, um filho apenas. Dai-me, então, a força que não seja a do enfrentamento rancoroso, a coragem para lutar sem pegar em armas que firam, o destemor para conquistar caminhos sem ter que passar por cima das flores do caminho nem das pessoas que seguem pela mesma estrada.
Ensina-me ó Pai, ensina-me sempre a cumprir tua vontade. Se é da tua vontade que eu cumpra a tua vontade, se é do teu desejo que eu seja um filho fiel, então afasta de mim o cálice sujo de sangue, a má companhia, toda ingratidão que me ronda, toda falsidade que me persegue.
Torna-me, Senhor, não a perfeição humana, não o mais correto dos homens, não o menos pecador entre todos, mas apenas aquele que viva sem levar entristecimento aos olhos teus. Bem sei, ó meu Pai, o quanto sofres pelo filho desregrado, pela cria que se desgarra do rebanho e vai por tortuosos caminhos.
Senhor, meu Pai, ouça bem o que digo: mesmo nascido como dádiva sagrada, o ser humano dificilmente conseguirá fazer brotar a boa semente acaso a terra onde pise esteja devastada pela incúria, pela falsidade, pelo egoísmo, pela arrogância, pela cobiça, pela vaidade. Sozinho o filho teu é frágil demais para vencer todo o mal, então que lance sobre a terra a proteção aos justos e os arrependimentos aos injustos.
Se quiseres, meu Senhor, que teu filho cumpra fielmente tua vontade, que faça chover dádivas sobre a boa terra e do seu leito os melhores frutos: amor, compaixão, perdão, irmandade, fraternidade, comunhão, afeto, compreensão, pureza no coração. Floresça, ó Pai um jardim no meu e em todo coração.
Torna-me, meu Senhor, mais humanizado e tão humano que não esconda a lágrima quando sinta a dor, que não grite a aflição perante a tormenta, que não silencie perante a necessidade de bradar. Meu Senhor, somente a humanização dos sentimentos fará brotar o verdadeiro olhar diante da fome, da sede, da pobreza, de toda necessidade.
Prometo Senhor, não descurar do que foi escrito nem reescrever a minha sorte ao sabor de minhas conveniências. Reconheço, ó Pai, que nada sou sem vossa paternidade. Por isso que ao acender a vela e levantar minhas mãos em oração, que tudo seja como uma porta do Pai que se abre para reconhecer no filho, no teu filho que sou, aquele que serve ao mundo em nome do Pai.
Ensina-me, pois, a cumprir tua vontade. E mais que teu filho serei, pois serei orgulho e alegria perante o teu olhar!


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

Lá no meu sertão...


As Cruzes dos Soldados na Estrada de Curralinho, em Poço Redondo, sertão sergipano. 
Devoção e fé!







No sertão (Poesia)



No sertão


Uma vereda no sertão
um caminho pelo mato
um passo de Lampião
um roló como sapato
assim segue meu irmão
vida afora em missão

ele é da terra
ele é caçador
ele é do chão
ele é lavrador
ele é sertão
é fé e louvor

na vereda do sertão
de xiquexique e espinho
o destemor na missão
pois nunca está sozinho
leva Deus  no coração
abrindo todo caminho

ele é do mato
ele é vaqueiro
é aboiador
o melhor toadeiro
é cheiro de couro
sertão verdadeiro.

Rangel Alves da Costa


Palavra Solta - tenho asas...



*Rangel Alves da Costa


Elas estão invisíveis, mas eu tenho asas... Acima da terra, além do mar, adiante de tudo, pois abro minhas asas assim que desejo estar além do simples estar. Elas são invisíveis, mas eu tenho asas... Eu sempre quero além da normalidade do querer, eu simples planejo fazer e ter muito além do apenas querer e ter, eu sonho e faço do sonho uma busca infinita. Elas sempre se ocultam, mas eu tenho asas... Não sou um qualquer, pois sempre quero mudar, não sou apenas um, pois sempre penso em transformar, não sou a quietude nem a passividade, pois sempre estou no caminho da minha conquista. Elas ocultam-se perante os outros, perante os olhos que não conseguem avistar a persistência e perseverança, mas eu tenho asas. Pulo, corro, grito, reclamo, insisto, persisto, reitero, reivindico, quero ser ouvido e quero muito mais. Elas não são de cera nem de ilusão, elas não são frágeis nem são de seda, mas eu tenho asas. Não sou máquina voadora nem sou pássaro, não sou um Ícaro de impossível voo, não sou aquele que apenas sonha em poder voar. Minhas asas estão na luta, no suor, na caminhada e no horizonte que sempre alcanço com minhas asas. Eu tenho asas e voo. E posso voar.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

sábado, 2 de junho de 2018

FERIR POR FERIR



*Rangel Alves da Costa


O mundo está cheio de covardias. Todas as pombas brancas simbolizando a paz já foram feridas de morte e desde muito lançadas em poças ensanguentadas. Será sempre hipocrisia pregar a concórdia e depois lançar ódios e violências.
Ferir por ferir. Eis a prática humana mais corriqueira. O sadismo da violência não estava somente na chibata sangrando o corpo negro, mas continua voraz em todos os tipos de violência, seja proveniente da autoridade, do policial ou da pessoa comum.
Ferir por ferir, apenas isso. Quando um se imagina superior ao outro, então logo o escraviza. Acreditem, mas ainda há gente que pensa que pode usar a sola dos sapatos para esmagar pessoas ou sua caneta para dar rumo aos destinos humanos.
Será que há sentimento de uma época distante espelhando ainda a escravização, a submissão, o mando doentio? Será que o homem de hoje ainda não desapartou da crença do poder como meio de apenas oprimir, ferir e escravizar?
A ferida é aberta e sangra, e quando aberta logo o lamento, logo a palavra de repúdio e de revolta. Contudo, nem a marca é cicatrizada e novamente o lanho, o corte, a agressão, por cima da mesma ferida anteriormente chorada. E assim numa eternidade de cicatrizes que jamais se fecham.
Veja que ideia genial a do homem, vejam que uso o homem dá ao seu poder de realização: premedita um atentado para matar dezenas, centenas ou até milhares de pessoas. Não só premedita como coloca em prática sua obsessão doentia pela violência. É o instinto do mal nos seus mais perversos açoites.
Será que há insanidade em todo aquele que pratica violência gratuita, que provoca perdas irreparáveis, que fulmina de morte uma dezena de pessoas? Logicamente que não. Apenas a maldade se expressando na sua forma mais cruel do atingir: a sede cega de destruir, de matar, de dizimar.
É um ferir por ferir, e simplesmente ferir, como se a vida humana, a do outro, a da vítima, fosse um verdadeiro nada. O algoz levanta a espada e desce sobre o pescoço, o feitor levanta a chibata e a desce com força no lombo negro, o inocente é levado ao paredão e fuzilado. E tudo isso na maior normalidade do mundo. Mas isso é normal da vida, é normal do ser humano?
Não deveria ser, mas sempre foi e cada dia se torna mais requintado o uso da violência. Fere por que ferir e está acabado, deve ser assim que se imagina. Mata por matar e tudo está resolvido, deve ser assim que se pretende. É a mera banalização da vida, o brinquedo que se pretende ter na vida humana.
Perante muitos, o ser humano é apenas uma barata que deve ser pisoteada. Para muitos, a vida humana nada mais que algo reciclável que num instante é jogada fora. Para grande parte das pessoas, tanto faz que a ação cause dor, sofrimento, que mate, pois sempre importa mesmo acionar o brinquedo da destruição.
Mas não é ferir apenas com a arma, o punhal ou outro artefato, mas também pela palavra, pela arrogância, pelo autoritarismo. Tão afiado quanto o punhal é a arma do mando, do poder, da política, da chefia, da gerência, do cargo, do poder delegado.
Tudo é ferir por ferir. E nesta relação, aquele que fere apenas vê o outro, a vítima, como sua antítese. Ele pode tudo e o outro nada. Inclusive viver. Este, que sequer pode viver perante a sanha do outro, é aquele mesmo que já quase não vive temendo as consequências da violência. E desta acaba sendo vítima.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com