SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

PALAVRAS SILENCIOSAS – 149


Rangel Alves da Costa*


“Escuridão...”.
“Nunca ausência de luz...”.
“Nuca ausência de cor...”.
“Nunca ausência de visão da realidade...”.
“Há uma lua, estrelas...”.
“Há um lume de vaga-lume...”.
“Há o que os olhos avistam...”.
“Jamais a completa escuridão...”.
“O sentidos mostram as presenças...”.
“A imaginação faz tudo ser avistado...”.
“Os caminhos já são conhecidos...”.
“Escuridão tão amiga...”.
“E também tão medonha, assustadora...”.
“Escuridão de tantos mistérios...”.
“Há um lobisomem e um bicho da noite...”.
“Há um fantasma que vagueia naquele momento...”.
“Há um bicho homem escondido...”.
“Há uma moita com olhos acesos...”.
“Há tudo que a imaginação desejar...”.
“Mas também a escuridão essencial...”.
“Romântica, poética...”.
“Os namorados gostam da escuridão...”.
“Os amantes adulterinos conhecem todos os seus caminhos...”.
“A janela aberta sem medo de nada...”.
“A menina que chora com tanta solidão...”.
“O noctívago procurando motivos...”.
“A bebida e a fumaça inebriando o ar...”.
“Um poste de luz apagada...”.
“Um cachorro procurando a lua...”.
“O poeta também...”.
“Só falta a lua para que chegue a inspiração...”.
“Mas a lua não vem nessa noite...”.
“Então ele escreve um poema sobre a escuridão...”.
“E no último verso diz...”.
“Diz que a luz do amor apagou para sempre...”.
“E depois vai caminhar solitário pelas ruas vazias...”.
“Instante de brisa, de vento...”.
“Na escuridão tudo chega mais forte...”.
“A brisa sopra um perfume de flor da montanha...”.
“O vento cicia um segredo de amor...”.
“Passou pelas casas, quartos, janelas e ouviu amores...”.
“Os amores da escuridão...”.
“Os corpos se encontrando em tudo...”.
“Apenas o toque e o desejo...”.
“Não precisa palavra...”.
“O amor compreende perfeitamente outros sons...”.
“Murmúrios, gemidos, saciamentos...”.
“Mas um grito é ouvido ao longe...”.
“A louca está mais louca ainda...”.
“Diz que no escuro avista a morte...”.
“Já outro insano se põe à janela...”.
“Precisa da lua, precisa tanto da lua...”.
“A lua é a asa do doido...”.
“Não há lua cheia que não lhe chame ao voo...”.
“Estava aflito, a cabeça gira...”.
“Quer voar, quer voar...”.
“Um uivo ecoa pela floresta...”.
“Há um lobo uivando em cima do monte...”.
“O cego sabe a cor desse lobo...”.
“Mesmo vivendo em completa escuridão sabe a cor de tudo...”.
“A manhã é escura, a tarde é negra, a noite é preta...”.
“E o lobo...”.
“A cor do lobo é lilás...”.
“Um dia ele disse assim!...”.


Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

domingo, 27 de janeiro de 2013

OS MENINOS DE SANTA MARIA: OU A DOR, A DOR...


Rangel Alves da Costa*


Como o próprio termo indica, tragédia é um acontecimento catastrófico, sinistro, uma situação verdadeiramente apavorante. De vez em quando acontecem fatos assim, que nos chocam de tal maneira que pasmamos sem acreditar.
Contudo, na proporção do que aconteceu em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, tudo toma proporções indescritíveis. Ali não há que se falar em tragédia, mas sim um acontecimento de dimensões tão exorbitantes que, ao menos por enquanto, não haverá como descrever.
Foram cerca de 250 mortos num incêndio em uma boate, todos jovens, na maioria universitários da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, entre os 18 e 30 anos, e que brincavam numa festa organizada com o nome de Agromerados, pois envolvendo alunos dos cursos de agronomia e medicina veterinária, dentre outros.
Imaginar tantas vidas perdidas nos faz – pasmos, abobalhados, sem acreditar em nada - pensar apenas no que, infelizmente, tão cedo deixou de viver. Entretanto, somem-se ao número de mortos o número de pais e mães, irmãos, familiares e amigos, que estão lancinantemente sofrendo. Some-se a isto todo o Brasil.
Que dor. Num ginásio de esportes os corpos estão espalhados aos montes. Por cima do peito de cada um a identificação pelo documento de identidade, pelo celular. Desesperadas, as famílias e amigos incessantemente telefonam. E os telefones vão tocando seguidamente sem que os seus donos possam atendê-los. E o barulho dos toques vão se misturando aos gritos de dor, aos desesperos diante de tantas vidas perdidas. E tão jovens.
Estudantes universitários, muitas de suas cadeiras estarão vazias na próxima aula, o campus estará mais sombrio e triste, a vida mais difícil de ser prosseguida. Os colegas sentirão a perda em cada vão dos corredores que percorrerão em busca de reencontrá-los salvos do sinistro. Muitos não estarão mais ali para a aula, para o diálogo, para o convívio.
Como alguém afirmou num canal de televisão, hoje Santa Maria certamente é o lugar mais triste do mundo. Mas a dor se espalha, se faz sentida em cada canto onde houver sentimento. Impossível não perguntar se aqueles meninos mereciam tal destino, as famílias tanto sofrimento, a vida tanta perda.
Mas que Deus acolha tão jovens vidas e que permita o conforto nos corações dilacerados dos que ficaram. Mas tudo é tão difícil de compreender, aceitar, sentir. Tudo é difícil demais.
  

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

ESTÓRIA SEM PÉ NEM CABEÇA (Crônica)


Rangel Alves da Costa*


Esta é uma estória sem pé nem cabeça. Estava sem sono e resolvi escrevê-la, mas não acredite em nada do que ela contém, até mesmo porque foi tudo verdade. E toda verdade é mentira. Ao menos esta. E esta é a estória da menina que...
Nasceu com pouco menos de oito meses de gestação porque a mãe resolveu tomar remédio do mato pra botar pra fora aquilo que pressagiava ser o fim dos seus dias. Desde os cinco meses, reinando pela barriga, não deixava a pobre coitada sossegar um só instante.
Quando a mãe teve a certeza de ter ouvido uma voz vinda lá de dentro, desmaiou pela primeira vez. Voz de menina, mas parecendo saindo de boca de mulher já feita, dizia que se preparassem que já estava chegando.
Estas foram as palavras da primeira vez que falou, pois na segunda foi muito mais contundente. De forma arrogante, impetuosa, fazendo estremecer a barriga, simplesmente disse que ou a mãe fazia um jeito de ela sair logo dali ou ia ver o que era bom pra tosse. E arrematou dizendo que não estava de brincadeira não.
O coitado do marido, sem saber o que fazer diante do choro e reclamos da esposa, tratou logo de correr em várias direções. Primeiro correu até a casa da velha parteira, depois se embrenhou igreja adentro, e em seguida foi parar na delegacia. E em todos esses lugares tentando resolver a situação tão difícil.
Na casa da parteira tratou da possibilidade de, mesmo antes do tempo, arrancar lá de dentro aquela faladora que não deixava a mãe em paz. Na igreja pediu ajuda ao vigário para o caso de aquela menina já estar possuída pelo pior. Desesperado, na delegacia prestou queixa dizendo que aquela voz havia ameaçado a família inteira.
Ainda na delegacia não se esqueceu de esclarecer sobre a necessidade de dar voz de prisão à sua filha assim que a parteira a trouxesse ao mundo e logo após o padre despejar um balde de água benta por cima do corpo. O delegado afirmou apenas que iria ele próprio averiguar a veracidade dos fatos. Se fosse mentira o pai desnaturado ia ser trancafiado na hora.
Quando a parteira chegou, logo quis ouvir a mãe se contorcendo em dores das tantas pontadas recebidas. Mas assim que passou a mão pela barriga para sentir a criança recebeu uma mordida de uma boca surgida da parte da dentro. Deu um salto tão grande e depois caiu de tal modo estatelada no chão que logo acharam que havia morrido.
O vigário encontrou a velha parteira em correria pelo meio da rua, se benzendo, completamente desesperada, dizendo que naquela barriga só podia estar coisa ruim. Ouvindo isso, o pastor de almas achou melhor dar meia volta e só retornar no dia seguinte com todos os instrumentos apropriados para uma exorcização.
Ainda na noite desse dia, não suportando mais o saco de pancadas que estava sua barriga e aquela voz dizendo que já estava chegando a hora, a pobre mãe pediu para que preparassem um chá bem forte de ervas expulsadeiras. Deixou repousando no umbral da janela para beber na manhã seguinte.
Antes do amanhecer cutucou o marido pedindo por tudo na vida que fosse buscar o chá. Bebeu tudo como se estivesse com a maior sede do mundo de se ver logo livre daquele sofrimento. O chá era tão forte que em um minuto ouviu um barulho de vômito dentro da barriga e a voz perguntando que porra era aquela. E em seguida disse que ia sair dali no mesmo instante.
A mulher gritou pro marido que a menina já ia nascer, mas este não fez outra coisa senão correr em direção à igreja, e depois à delegacia. Quando o padre entrou na casa já de cruz em punho, sua mão fraquejou diante daquilo que avistou: a mãe adormecida tendo ao lado um lindo bebê. Mas era de plástico, pois a verdadeira criança estava por trás com um pedaço de pau para acertá-lo na cabeça.
Assim que ia dar a cacetada recebeu voz de prisão. Teje presa em nome da lei, disse o senhor delegado. Você vai prender uma criança seu delega, disse a recém-nascida enquanto corria para os seus braços. Espantado, a autoridade policial outra coisa não fez senão tentar acariciá-la. Mas não conseguiu, pois já havia sido devidamente algemado com seu próprio instrumento de trabalho.
Em seguida, retirando a arma, empunhou esta em direção ao vigário e disse que naquele mesmo instante lhe ensinasse a ser criança. Então o velho vigário rolou pelo chão, fez careta, gritou, chorou, brincou de tudo que foi jeito, e depois adormeceu ali mesmo no chão, feito criança cansada.
Mas ela não achava graça nenhuma daquilo. O mundo era feio, as pessoas tão feias, aquelas brincadeiras sem graça, tudo ruim demais de continuar assim. Então deu adeus aos pais, jogou ao chão a arma e a chave da algema, e foi engatinhando até a porta. Depois levantou, abriu e saiu.
No mesmo instante, da janela, os pais e o  senhor delegado avistaram a menina já crescida e caminhando pela estrada. Quando virou a curva já estava moça feita, adulta. Enquanto isso o vigário sonhava que a vida, o mundo, tudo, não passa de uma imensa fantasia, uma estória sem pé nem cabeça.
  

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com 

Ontem, hoje, sempre... (Poesia)



Ontem, hoje, sempre...


Haverá eternidade no amor
haverá imortalidade no amar
amamos agora e para ultravida
ou apenas concebemos o inexistente
o que sabemos impossível acontecer?

Toda resposta está no presente
neste momento que estamos juntos
numa junção de ontem, hoje e sempre
se confirmamos a cada novo dia
que a dádiva do encontro de ontem
estará fortalecida também no amanhã

porque o amor nasce para ser conservado
semente em terra nua de fértil coração
grão que precisa de carinho para crescer
fruto amoroso que sacia nossa caminhada
uma mesa farta que sempre queremos ter
na sobrevivência da nossa longa estrada.

  
Rangel Alves da Costa

PALAVRAS SILENCIOSAS – 148


Rangel Alves da Costa*


“Alguém ainda há de dizer um dia...”.
“Pegue tua fatia de sol e siga pela estrada enluarada...”.
“Beije-me apenas um pouquinho, pois depois quero mais...”.
“Não encontrei a rosa, mas aceite a flor da palavra...”.
“Minha poesia de amor queria tua presença para a perfeição...”.
“Sinta-me, sou brisa, vivo ao redor da tua janela...”.
“Coloquei você no meu sonho acordado...”.
“Não sei se és alvorecer ou lua se derramando no meu olhar...”.
“Digo-te na tua presença: nunca mais senti saudade!...”.
“No lábio a devoção, na boca o céu, no corpo o paraíso...”.
“Dê-me a mão e vamos cruzar as linhas do destino...”.
“Diante de ti, meu passo só sabe retornar...”.
“Vamos ouvir o silêncio da montanha...”.
“Quando é lua nova eu me ilumino na tua noite...”.
“Ah, que belo sorriso no teu olhar...”.
“Ensina-me o que é amar...”.
“Esconda o teu lenço de adeus...”.
“Orvalho é lágrima de solidão na noite...”.
“As folhas da relva, a brisa da tarde, uma poesia no olhar...”.
“Tenho medo do final da história. Parece demais com a nossa...”.
“Alguém foi. Vi os passos na estrada...”.
“Pobre coração sem o amor que lhe alimente...”.
“Nunca parti. Sempre estive aqui te esperando...”.
“Araçá tem sabor de beijo. Quer saber por que sei?”.
“Não quero apenas te amar, preciso te cultivar...”.
“Quando mais voo mais procuro teu ninho...”.
“Chove lá fora. Tua face está molhada na vidraça...”.
“O meu diário não é meu. O seu nome está em cada página...”.
“Se precisar de um adeus eu não tenho...”.
“Não há música, mas ouço a música. O passo, a dança, o abraço...”.
“Amo-te. Preciso tanto encontrar outra palavra...”.
“Se você não olhou pra trás me viu olhando pra trás...”.
“A concha me contou um segredo que eu já sabia...”.
“Ninguém solta o passarinho e entra numa gaiola maior...”.
“A pedra me diz que a pessoa deve ser obediente ao silêncio...”.
“Não acredito na paz. Há uma guerra para encontrá-la...”.
“A nudez é também a roupa tirada pelo olhar...”.
“Caça e caçador. Mostre o caminho, jamais o encontro...”.
“Um barco sozinho não cabe um solitário...”.
“A noite tem essa cor para que cada um a ilumine...”.
“A ideia pressupõe a existência de algo que não existe?”.
“Possui o mesmo sentido, mas prefere carta ou bilhete?”.
“A atmosfera de feliz coração com os poemas escritos nas folhas secas...”.
“Se o amor chegar de repente não se assuste. Sou eu...”.
“De repente a onda veio e escreveu o teu nome”.
“Na guerra, a luta não é para vencer, e sim para retornar...”.
“Não tenho palavras e ouço a voz dos bichos...”.
“Sede de beijo. Não adianta o rio inteiro...”.
“Na vida breve, duas vidas, uma soma...”.
“É como num deserto. Visões, miragens, você em todo lugar...”.
“Estender a mão significa chamar o corpo...”.
“Os olhos se fecham no beijo. E quanto enxerga o desejo...”.
“Se vai voltar, pode rasgar o calendário...”.
“Mesmo com o sal da saudade, há um doce sabor no amor...”.


Poeta e cronista
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sábado, 26 de janeiro de 2013

HISTÓRIA PARECIDA COM A SUA (Crônica)


Rangel Alves da Costa*


Moravam próximos um ao outro. Ela na rua que dá pra lá, e ele na rua que dá pra cá.
Meninotes, crianças, se encontravam sempre nos momentos das brincadeiras. Ela brincando de roda, ele interessado em chutar bola de meia.
Um dia se olharam de um jeito diferente. Ela, pela primeira vez, achou o amigo bonito demais. Ele comparou a amiguinha a uma flor.
Evitavam-se olhar, se encontrar e conversar porque os corações apertavam assim que se avistavam. Ela se envergonhava toda ao pensar em namoro, enquanto ele não pensava noutra coisa.
Um dia ela avermelhou quando recebeu um pirulito de presente. Ele queria dar uma maçã de amor, mas não tinha dinheiro naquele dia. E junto com o doce foi um papelzinho dizendo: Você é linda.
No outro dia ela avermelhou novamente. Ele perguntou se havia gostado do pirulito e em seguida ofereceu uma flor. De cabeça baixa, nervosamente ela aceitou e quase saiu correndo. Apenas disse obrigado e partiu. Mas olhou para trás.
Ao perceber aquele olhar encantador, ele se encheu de esperança de tal forma que começou a pular sozinho, a sorrir com todas as bocas, a se sentir tão perto de namorar. E seria a primeira namoradinha, o primeiro amor.
Quando ele soprou um beijo em sua direção, a menina não dormiu a noite inteira. Teve febre, uma doencinha de amor. E pensou como deveria ser bom tocar o seu lábio no dele, bem levemente, como se fosse uma brisa.
Ela queria assim, mas ele foi guloso demais e deu um beijo de gente grande. Ficou mais de cinco segundos com o lábio colado no dela. Ela achou bom, mas depois simplesmente baixou a cabeça.
Só levantou quando ele perguntou se ela era sua namorada. E também não respondeu, apenas se danou a correr até parar adiante. E olhou pra trás. De lá jogou um  beijinho com a mão e depois gritou: Sim!
Namoravam escondidos porque ela tinha medo que os seus pais soubessem e lhe dessem uma surra. Mas um dia, mais de ano depois, ela colocou a mão junto à dele, segurando firme, e assim saíram caminhando até a pracinha.
O primeiro amor dos dois, assim continuaram após a adolescência e chegar a idade adulta. Na juventude fizeram as promessas que cumpririam mais tarde, acaso o destino permitisse que continuassem apaixonados.
Um dia, acompanhado do pai, ele seguiu até a casa da família dela e pediu a mão da mocinha em compromisso. Concedida, prometeu que não demoraria muito para anunciar o noivado, se assim fosse do gosto de todos.
Casaram numa manhã de sábado, na igrejinha toda enfeitada de flores do campo. Ao sair da igreja o tempo estava nublado, nuvens negras encobrindo o céu, prenúncio de tempestade. E logo começou a chover.
Ao lado dele, durante todos aqueles anos de namoro, jamais ela havia se entristecido. Mas após o casamento veio a tempestade. E ela chorou. Pela primeira vez ela chorou.
O sal da vida é tempero que não falta em nada. Ninguém vive tão docemente que não necessite de uma pitada desse sal. Aquilo que ele aceitava nela, agora não aceitava mais. E o mesmo se diga com relação a ela.
Mas as pedras de sal se dissiparam no convívio. Pois a prova do amargor trouxe a compreensão de que até os espinhos têm flores e as pedras no meio do caminho servem para ensinar a andar.
E os sorrisos tomaram as feições das tristezas; e a solidão a dois foi cortada pelos filhos que foram chegando. E a vida passando, o calendário envelhecendo a idade. Até que um dia...
Um dia ela pediu um beijo igualzinho aquele primeiro que era pra ser tão apressado. Ele perguntou por que. Então ela respondeu que no tempo que lhes restava tudo teria de ser tão apressado.


Poeta e cronista
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Quando a noite cai... (Poesia)



Quando a noite cai...


Os versos pensados no dia
se transformam em poesia
quando a noite cai...

lua imensa a se derramar
belo negrume do teu olhar
uma estrela que passeia
e o coração que incendeia
no corpo tomado de açoite
dos desejos dessa noite

são teus os versos e poesia
porque sem ti a vida se esvai
quando a noite cai...

  
Rangel Alves da Costa