SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

PALAVRAS SÃO FAVOS DE MEL OU GOTAS DE VENENO


*Rangel Alves da Costa


Palavras, palavras. Nada mais que palavras, alguém erroneamente já asseverou. Não há palavra vã. Não há palavra que não cause imediata consequência em que a ouve.
Palavras, palavras. Sempre com sua força e pujança. Tanto assim que as palavras põem fim aos relacionamentos, dão ordem de ataque, acariciam e destroem. E certamente as palavras movem montanhas do coração e abrem caminhos na alma.
Nada mais se deseja ouvir que uma boa palavra, um carinho na voz, uma sábia lição. Do contrário, o veneno respingado pode causar mortal sofrimento.
Está em Provérbios 16,24: Palavras gentis são um favo de mel, doçura para a alma e saúde para o corpo.
No mesmo Provérbios, 12,6, consta que as palavras dos ímpios são emboscadas mortais. E ainda: Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura. (12,18).
Já dizia Victor Hugo que as palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade. A verdade é que as palavras possuem muito mais consequências do que imagina aquele que pronuncia.
Ao ouvido e ao coração de quem são dirigidas, as palavras podem chegar como punhais lancinantes, como lâminas ávidas por ferir, como espinhos pontudos, como jatos envenenados de ódios e de calúnias.
Como afirma Ana Lopes (“Certas palavras machucam...”, em http://analopes9.blogspot.com.br/2012/08/certas-palavras-machucam.html): “Certas palavras machucam como espinhos que fincam no peito e deixam marcas. Tais palavras incertas rasgam por dentro e ferem por fora, e te ferem tão profundo quanto um corte e faz uma cicatriz invisível e permanente, e que constantemente será lembrada, mas serve para evitar novos erros e espalhar mais dessas cicatrizes pela sua alma. Certas palavras machucam e não se vê o quanto você chora por dentro. Palavras de tão incertas, escapam às vezes. Machucam depois de serem ditas. Mal-ditas. Nem sempre são ditas com verdade, são pronunciadas por causa da dor, da raiva, do medo, do momento… E se soubessem a dor que causam, antes nunca seriam ditas. Certas palavras carregam consigo uma força enorme, às vezes não pelo peso de si mesmas, mas pelo valor que atribuímos a quem diz tais palavras... A força com que elas são proferidas deixam marcas, e dói. A palavra que fere e dói, ditas no calor de mágoas ou discussões penetram como flecha envenenada”.
Já disse o profeta que o amanhã é feito da palavra de agora. E com razão. Não há como frutificar na palavra má, no ódio, na calúnia, na difamação. Ademais, ou há encorajamento na palavra ou esta carente ficará de sua seiva maior.
Malditas as bocas que se abrem para proferir aleivosias, para as falsidades, para as covardias. Imagina-se que logo se dissiparão ao vento. Mas não. Diferentemente do que ocorre com a doce palavra, que intimamente acaricia, a palavra ferina logo se torna em turbilhão devastador.
Quem já não foi acometido pelas consequências de uma mentira, de uma falsidade ou de uma vileza de alguém? Quem já não sentiu o chão se abrir aos pés ao ouvir - ou ficar sabendo por outra pessoa - um mal injusto contra si proclamado? Quem já não teve vontade de reagir com palavras ainda mais desproporcionais às afirmações covardes e mentirosas?
Mas também a busca pela palavra mais doce ainda que aquela palavra doce ouvida. Qual o enamorado não gosta de ouvir do outro um leve e terno “te amo”? Qual coração não palpita ante a palavra desde muito esperada?
As palavras existem em profusão. Ferem, retalham, matam, causam terríveis sofrimentos. Mas as palavras doces também existem. E são estas que alentam espíritos, almas e corações, pelas verdades sublimes nelas contidas.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

Um comentário:

Ana Bailune disse...

Minha mãe me ensinou que a pessoa que nos procura para falar mal de outro, fará a mesma coisa sobre nós. Ela me ensinou que alguma pessoas simplesmente nasceram amargas, e não há nada a se fazer a esse respeito. E por serem amargas, amargam tudo que há em volta.