SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



sexta-feira, 22 de maio de 2020

A lua é linda (Poesia)



A lua é linda


A lua linda
noite nublada
o luar se fez nada
mas a lua é linda

meu amor é lua
espero e não vem
solidão pela rua
mas ela é linda

ela é minha lua
o desejo não finda
e vai aparecer
pois a lua é linda.

Rangel Alves da Costa


Palavra Solta – água de beber



*Rangel Alves da Costa


Água de beber e matar a sede se a sede aparecer. Moringa ou pote, purrão ou quartinha, em tudo a água de beber. Caneca ariada, lustrosa de o brilho aparecer, e surgir fresquinha a água de beber. Coada em pano, adormecida na noite, até a sede da lua quer água de beber. O barro de paredes suadas e frientas por fora, refresca lá dentro a água de beber. Se a janela é aberta e a noite é de brisa, então mais saborosa é a água de beber. A caneca por cima ou pendurada em gancho, vai brilhando na luz e querendo ser molhada na água de beber. Que cansaço e suor, que sede e fadiga, a boca clamando por água de beber. Mas espera um pouquinho e cata uma cocada, mariola ou mudinha, um doce de leite, e depois se deleita na água de beber. Estende a rede e adormece sonhando com o prazer de viver. E acorda em oração para agradecer pela água de beber.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

quarta-feira, 20 de maio de 2020

UMA PRECE MATUTA



*Rangel Alves da Costa


Misericordioso Senhor, Pai onisciente, onipotente, onipresente, Ser que a tudo vê, a tudo sente, em tudo está. E, por ser assim, que sempre esteja no altar do sertanejo mundo, onde os pobres e desvalidos se ajoelham junto ao pedestal a rogar graças pelas bem-aventuranças de sua terra.
Que o seu tempo de Eclesiastes seja também o tempo do homem do campo. E assim, que o sol saia, mas também que a chuva caia. Que o calor abrase, mas que a mansidão das brisas boas sopre pelas feições de seu povo. Que não seja somente a dor, pois todo ser humano merece também a alegria e a felicidade.
Que o sol por alguns dias se isole, fique nas distâncias dos horizontes sertanejos, para que a chuva chegue como milagre divino cheio de esperanças. Que o calor abrasado se vá para o leito das águas e em seu lugar venha a brisa boa, o frescor confortante e o suave sopro alentador.
Que o céu azulado e aberto se distancie em repouso temporário e nas alturas vão surgindo as cores esperançosas de um sertão nublado, com nuvens carregadas e trovões anunciando a chegada da chuvarada.
Que as portas e janelas se fechem, não apenas pelo isolamento, mas para que os pingos d’água fiquem somente na terra, se esparramem pelo chão, façam transbordar açude e tanque. Que a planta definhando se esconda e em seu lugar surja um viço novo, verdejante e florido.
Que o silêncio das ruas e a calmaria dos descampados, sejam de repente cortados pelo barulho das chuvas, pelos bichos em alarido e o sertanejo em prece de agradecimento. Que ao cair, as chuvas boas escorram pelos campos, inundem as fontes, verdeje a vida, faça renascer a paz.
Que o ficar em casa não seja nem para a tristeza nem para a desolação, não seja para pensar angústias nem tecer mais aflições, e sim uma renovação de tudo que alimente a alma e fortaleça o ser.
Que os dias não sejam cansativos pela espera nem angustiantes pela incerteza, mas tão somente dias que passarão para os novos dias, e estes cheios de luz, de saúde e de paz. Que o coro dos anjos volte a cantar, que os sinos voltem a dobrar, que os cantos de amor e de fé voltem a ecoar pelas ruas, pelos lares, pelos campos e além.
Que tudo se renove e se refaça, pois tudo desejo sagrado. Os seres que agora padecem e sofrem são filhos de Deus. E Deus não abandona os seus!


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

Lá no meu sertão...


Pelos caminhos do sertão, ele passou, ele seguiu...




No silêncio da noite (Poesia)



No silêncio da noite


Era tarde
e depois noite

não teve por do sol
nem sino tocando

não vi a lua saindo
nem vaga-lume vagando

eu estava entristecido
talvez não fosse assim

eu estava entristecido
talvez nem estivesse em mim

só lembro que eu chorei
uma lágrima chamada solidão

depois o meu lenço voou
em busca de qualquer manhã.

Rangel Alves da Costa


Palavra Solta – no varal



*Rangel Alves da Costa


O varal, aquele cordame estendido para o enxugamento de roupas, possui uma simbologia imensa. O varal recebe a roupa refeita depois de lavada, acolhe o lenço ainda encharcado de lágrimas, sente o pouso do passarinho, embalança com o balançar das roupas enxutas, ao sabor do vento, da ventania. Toda vez que passo num quintal e avisto o varal, é como se o cordame balançasse vidas, embalançasse dores, ressecasse lágrimas e aflições. É como se as roupas estendidas de braços abertos quisessem se abraçar, quisessem voar, ir além pra qualquer lugar. Os lenços que enxugaram olhos pranteando amores, os lenços que se encharcaram de saudades e recordações, agora ressequidos temem a desilusão. Tão belo o varal, mas tão triste o varal. De repente vejo uma camisa solta ganhando os espaços. De braços abertos como quer abraçar. Vai subindo aos espaços em busca de abraços, buscando o amor terreno que o céu desfez os laços.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

terça-feira, 19 de maio de 2020

COMO NASCE UM LIVRO



*Rangel Alves da Costa


A construção de ZÉ DE JULIÃO: A SAGA DE UM EX-CANGACEIRO DE LAMPIÃO, foi trabalho duro, árduo, demorado e até cansativo.
Mas também prazeroso, motivador, instigante e de imensa satisfação. Ora, a pesquisa e o desenvolvimento de tema tão instigante e importante na história sertaneja, certamente que mais anima que causa desolação.
Eu (Rangel) e Manoel Belarmino, já tínhamos em mente o esboço, o pedestal, a estrutura, através das pesquisas que já vinham desde os escritos e anotações da Alcino Alves Costa.
Mas como contar num livro, ou construir uma obra que percorresse toda a trajetória de vida, desde a infância à morte, deste que é tido por muitos como o personagem mais importante da história de Poço Redondo?
Como contar em detalhes, passo a passo, a grandiosa saga deste bravo sertanejo chamado José Francisco do Nascimento (Zé de Julião, ou ainda o cangaceiro Cajazeira, esposo da também cangaceira Enedina)?
Como dito, não foi tarefa fácil. Viajamos, pesquisamos pelas estradas e nos escritos, visitamos pessoas que fizeram parte de seu mundo, entrevistamos filhos, parentes e amigos. Fomos ao impossível em busca da construção de verdades.
Sentamos, cotejamos detalhes, discutimos situações, chegamos a consensos e dissensos, tracejamos a quatro mãos. E, enfim, a obra então concluída.
E, por fim, o nosso livro já prestes a chegar às mãos daqueles que desejam conhecer a saga desse grande sertanejo com tantas e múltiplas características. Sim, muitas feições porque Zé de Julião foi um sertanejo muito diferente do que normalmente se tem.
Ora, foi rebelde, crítico, sonhador, mulherengo, cangaceiro, construtor, político, por duas vezes candidato a prefeito de Poço Redondo, injustiçado e perseguido, envolvido no mundo coronelista, morto à traição.
A história, ou a grandiosa e triste história de Zé de Julião. Uma saga de alegria, esperança, sofrimento e dor. E você já pode adquirir o seu livro por antecipação. Basta encomendar que logo chegará às suas mãos.
Fale com Rangel ou Belarmino, ou entre em contato pelo telefone (79) 99830-5644 (Whatsapp).


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com