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quarta-feira, 9 de março de 2016

DILMA, O FIM, ENFIM


Rangel Alves da Costa*


Ontem, terça-feira, circulou na internet algumas palavras supostamente ditas pelo deputado federal Jarbas Vasconcelos, do PMDB e ex-governador pernambucano, acerca do momento vivido pela presidente Dilma.
Verdadeiras ou não, fato é que nas palavras está a síntese da mandatária: sem saída, acorrentada, encurralada, sem qualquer poder de salvação. Segundo o deputado, diante do quadro que se apresenta a presidente só tem três opções: ser jogada pra fora através de impeachment, renunciar ao mandato ou cometer suicídio.
As duas primeiras possibilidades estariam dentro da normalidade de crise gerada pelo seu governo, lançando o país num precipício de difícil ressurreição. Seriam, então, consequências não só lógicas como esperadas. Quanto à terceira opção, ainda que extremada para um ser humano (mesmo que Dilma tenha dado poucas provas de ser humana), também não deixa de ser uma possibilidade para uma governante que não mais existe senão para se firmar na cadeira do poder.
Acrescentou o deputado que assim aconteceu com Getúlio Vargas, que se matou sob o argumento das injustas perseguições que recebia. Com Dilma não seria diferente acaso optasse pela via mais extremada, vez que outra coisa não faz a não ser repetir que todos a perseguem, que não a deixam governar nem permitem que leve adiante as medidas de salvação do país.
Mas tanto faz que alguma dessas três opções seja tomada. Até impossível que aconteça. Não haverá impeachment pela fragilidade de uma classe política lamacenta, corrompida até a raiz primeira. Não haverá renúncia porque a sede de poder é o que a faz se apegar a tudo e a lançar mão de todos os meios para a sua manutenção. E não haverá suicídio porque ela não possui qualquer sensibilidade para se sentir ferida de morte.
Assim, ela continuará, mas já como um fantasma que governa. Basta olhar no seu rosto carcomido, nos seus olhos que se afundam cada vez mais e nas olheiras arroxeadas para sentir que ali existe uma morta-viva, um espectro padecente. Não há mais regime, penteado ou vestimenta que lhe dê uma boa aparência, pois apenas avistada como alguém que não dorme há muito e que caminha feito múmia procurando assombrar.
Quem no passado foi reconhecida pela firmeza, pela inabalável ação, hoje é apenas uma folha morta lançada ao esgoto, triste, devassada, destruída, afundada nos próprios erros. Ainda conta com alguns bajuladores porque continua no poder, ainda tem que lhe dê ouvidos pelo mesmo motivo. Mas mesmo dentre os seus sabujos existe a certeza de jogo perdido, de derrota certa, de morte inevitável.
Serve de pilhéria, de piada, de dizeres terríveis. Por onde chega ou passa é motivo de vaias, de chacotas, de palavrões. Não há um único ser coerente que afirme que acertou, que possui boa conduta, que merece ser respeitada. Não possui mais partido, não possui mais aliado, não conta com mais ninguém que lhe repasse uma palavra verdadeira. Também não acredita em ninguém, desconfia de tudo e de todos e até de si mesma.
Intimamente talvez se reconheça prostrada de forma humilhante, caída derrotada e sem nada ter como refúgio alentador. Pensa em se socorrer de seu criador, mas sabe que Lula está em situação não muito diferente, pois também engolido por uma terrível avalanche. Seria até perigoso estender a mão pedindo ajuda, vez que correrá o risco de ser picada pela jararaca que agora tomou forma peçonhenta no ex-presidente.
Assim o fim, enfim, de uma Dilma que teimosamente foi cavando sua própria sepultura. Contudo, antes de nela adentrar para nas profundezas escuras pagar pelos erros cometidos, ainda teve a petulância de jogar na fundura uma nação inteira. A nação sobrevive pelo seu grandioso destino, mas ela, a que um dia se mostrou de coração valente, se findará no padecimento eterno, pagando no suplício o sofrimento impingido a tantos. Que assim seja!


Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

2 comentários:

sandra mayworm disse...

Palavras que chocam ao serem usadas pra descrever uma pessoa, humana como eu, como você. Você que escreveu dá sinais de ser tão desumano quanto diz que ela é... Que insensatez...! Estamos nos perdendo, vencidos pelo ódio disseminado pelos que afirmaram ma vitória da presidente, que iriam "sangrá-la" Covardia, muita covardia.
A palavra "carcomida" foi pensada pra ferir mesmo né? Lembre-se que todos nós seremos carcomidos, todos.
Muito triste visitar um blog e ler um texto tão medíocre como esse!

Ana Bailune disse...

A inconsistênia, mesmo travestida de poder, não se sustenta por muito tempo.