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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Palavra Solta - infância e recordação (os doces anos da vida em flor)


*Rangel Alves da Costa


O ser humano esquece tudo, menos de sua infância. A pessoa deslembra tudo, menos dos doces anos de sua vida. A pessoa olvida de tudo, menos de dar azo à sua imaginação para se reencontrar com imagens passadas, muitas vezes muito distantes, de seus tempos de meninice. A pessoa acaba apagando tudo da memória, jamais os verdores açucarados daquela primeira idade. O homem deixa tudo para trás, afastando de dentro de si diversas etapas da vida, menos a infância, a sua infância querida. No álbum da memória, inafastável aquelas belas páginas da criancice. Na moldura da história, jamais carcomida e relegada ao esquecimento a imagem viva da vida em flor. Oh infância, que não te afastas e não te apagas! Oh verdes anos, que não ressecam suas pétalas nem perdem viço e perfume! A bola de gude, a pipa ou papagaio, o chute na vidraça, a roupa suja de reinação, a correria sem medo, a graça de viver tanta vida. A boneca de pano, a cozinha de barro, o espelho e o enfeite de fazer mais bela a já tão bela flor. E nunca se vai embora, oh infância! Nunca te vás, oh infância! E não se vai por que todo o futuro da vida depende de ti. Está na alegria deste passado toda a certeza do quanto valeu ter existido e, por isso mesmo, valorizar a existência. E sonhar com o céu estrelado e o cavalo de pau, com a roda cirandeira e a vida em brincadeira, e dizer, e repetir: sou feliz por que fui feliz!


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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