SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Palavra Solta - essa música, essa saudade...


*Rangel Alves da Costa


Agora é noite. Chove lá fora. Uma chuva fininha, mas persistente. As ruas estão nuas, vazias, silenciosas. Olho adiante e avisto o asfalto molhado e tingido pelo reflexo da luz do poste. Pouco há o que fazer numa noite assim. Então coloco na vitrola uma música antiga e retorno ao portão. A chuva parece aumentar, um friozinho surge para atormentar. Frio de solidão, de falta de outros braços e abraços. E não há jeito. A música começa a despertar uma saudade angustiante. Na noite, na noite chuvosa, na solidão, e com a música chega a face, o olhar, os lábios, a boca, os cabelos, a pele, a carícia, o beijo, tudo. Vontade, desejo, quase uma necessidade de tê-la comigo, poder abraçá-la, senti-la juntinho a mim. E repetir e repetir que amo, que amo, que amo. Mas vale a pena sofrer assim apenas por causa de música, da chuva que cai lá fora, de instantes de solidão, ou será que o amor se justifica pelo simples desejo de amar? Não sei, não sei. Apenas sei que estou com saudade e que a saudade não mente. E não há outra verdade senão que te amo.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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