SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Palavra Solta: brinquedo de antigamente


Rangel Alves da Costa*


Há quem diga que atualmente menino e menina não brincam mais. E há razão em pensar assim. Não só com relação ao brinquedo, mas em muita coisa a criançada de hoje nem se assemelha à criança de outros idos. Criança de hoje pouco corre descalça pelos descampados, pouco se reúne para o fuzuê da meninice. As crianças de hoje parecem ser moldadas para a idade adulta ainda nos berços. Da criancice à adolescência, e no meio um vácuo dos melhores anos da vida. Nem nas escolas se divertem com brinquedos de verdade. O que oferecem são jogos educacionais burocráticos, num lúdico computadorizado, matemático, frio. Quando em casa, o brinquedo está no computador, no smartphone, na tecnologia. Muita criança de hoje jamais ouviu falar em canção de ninar, em canção de roda, em cantiga de cirandar. A menina nunca viu uma boneca de pano ou uma casinha de boneca, o menino nunca viu uma bola de gude ou uma pipa. Foi-se o tempo do verdadeiro brincadear infantil. Foi-se o tempo do boi de barro, da ponta de vaca, do guarda-roupa pequenino para a menina cuidar, da menina chorona de plástico, do cavalo de pau para subir às estrelas em noites de lua cheia, da bola murcha, da brincadeira de se esconder, da roda cirandeira em noites estreladas. Até da maçã do amor e do passeio no parque. Tão triste que jamais tivessem ouvido que se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante, para o meu, para o meu amor passar...


Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

Nenhum comentário: