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sábado, 31 de dezembro de 2011

ESTÓRIAS DOS QUATRO VENTOS: CONFISSÕES CARNAIS

ESTÓRIAS DOS QUATRO VENTOS: CONFISSÕES CARNAIS

                                          Rangel Alves da Costa*



Conto o que me contaram...
Dizem que um velho padre, já cansado de ouvir tanto mentira e tanto descaramento de certas mulheres que chegavam para se confessar, resolveu dar um basta nessa situação, exigindo que falassem realmente a verdade ou ele mesmo se encarregaria de piorar a situação da pecadora, enviando um relatório detalhado lá para as terríveis profundezas.
Então chegou uma e ouviu logo o alerta do religioso. Trêmula, suando por todos os poros, foi dizendo baixinho:
“Seu padre, é que quando tô no bem-bom com meu marido, diz ele que ouve eu chamando o nome ou apelido de outros homens, coisa como Zezão, Tripé, Zé Docinho e Argemiro”.
E o padre sentindo honestidade, perguntou se ela conhecia pessoas com esses nomes. Mais nervosa ainda, ela começou a dizer que era mulher séria demais, que nunca havia traído o marido, mas que esses homens haviam se enxerido pra ela. E rapidamente o padre perguntou se não havia passado apenas de enxerimento. Então ela disse: “Só, acho que só, mas a carne é tão fraca...”. E foi imediatamente expulsa do confessionário.
Chegou outra cheia de honestidade e foi logo se ajoelhando e dizendo: “Todo mundo sabe que sempre fui honesta demais, casei virgem e vivo com o mesmo homem esse tempo todo. Mas de uns tempos pra cá venho sentindo uma coisa diferente, um fogo que me sobe entre as pernas toda vez que vejo o leiteiro, o padeiro, o pedreiro, o pintor, o açougueiro...”.
E o padre interrompeu pra dizer: “Já basta. Essa é a chamada adúltera profissional, dá pra todo mundo que tenha profissão, menos pro marido desempregado”.
Chegou ainda outra dizendo que vivia desesperada, tentando se regenerar a todo custo, pagar por todos os pecados e não pecar nunca mais. E contou parte de sua história:
“Vivo me queimando em vida por causa dos meus tantos erros carnais. Fui experimentar se era bom trair o marido, coisa que achava normal em todas as amigas que tenho e que fazem isso descaradamente, e depois que fogosamente me entreguei a outro homem pela primeira vez, perdi o freio do entrepernas...”. E o padre gritou mandando que parasse com aquela safadeza na sua igreja. E saiu pra fora do confessionário.
Do lado de fora, mandou que a mulher levantasse e apontasse dentre aquelas mulheres e beatas que estavam sentadas em orações pelos bancos e recantos, se havia alguma que traía o marido, como ela havia afirmado.
“Todas, meu bom padre. Todas traem seus maridos”. E essa se livrou do infernal relatório.  





Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
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