SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Palavra Solta – canção do noturno exílio



*Rangel Alves da Costa


Lua lá fora. Noite lá fora. Vida lá fora. Amores, beijos, abraços, encontros, prazeres. Tudo assim na noite lá fora. Calçadas, esquinas, cadeiras, pessoas que passam. Um mundo que vive seu mundo lá fora. Mesas, cervejas, aperitivos, drinques, cigarros, proseados, confissões. Noite com o seu jeito de ser. Pelas ruas os asfaltos amarelados pelas luzes brilhando. Uma canção ali e outra acolá. O povo se diverte, procura seus escondidos, vive os mistérios e os chamados da noite. E eu? Eu aqui no exílio da noite, da porta fechada, da reclusão e do não ter saída. Parece até que não existe noite, não existe mundo, não existe nada. Uma angústia danada, uma agonia aterrorizante, uma aflição latejante na alma. Saudade, solidão, tristeza, um sofrimento sem fim. Na memória apenas um nome e uma imagem. E quanto mais recordo mais sofro. E como dói sofrer tanto assim.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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