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segunda-feira, 12 de julho de 2010

VIRGENS VESTAIS AINDA EXISTEM (Crônica)

VIRGENS VESTAIS AINDA EXISTEM

Rangel Alves da Costa*


Na Roma Antiga, vestal era a jovem seguidora e assistente da deusa Vesta, tendo por principal incumbência manter aceso o fogo sagrado do Templo. Tinha que possuir muitas virtudes, dentre as quais ser honrada, pura, possuir grande beleza e principalmente ser casta, virgem. Daí o nome virgem vestal. Deveria cumprir seu papel no Templo por trinta anos, sendo dez para o estudo e treinamento, outros dez para realizar cerimônias e obedecer à deusa Vesta, e os anos seguintes servindo como orientadora para as iniciantes.
Como afirmado, uma das exigências para ser vestal era ser virgem. Sob hipótese alguma poderia se imaginar uma virgem vestal manter relações sexuais. Seria profanação e desonra à deusa, ao Templo e ao seu nome, devendo ser maculada para o restante dos seus dias, que seriam breves, pois seria enterrada viva. Contudo, terminadas suas obrigações, passados os trinta anos nos serviços do Templo, poderia optar por conhecer o amor mundano e se entregar aos braços do homem amado.
De repente, há que se imaginar como seria a vida de uma virgem vestal no mundo moderno. De antemão, afirme-se que, guardando-se as proporções entre aquele mundo mítico e de ritualizações e essa vida desregrada e despudorada que se vê atualmente, mesmo assim não é difícil encontrar jovens, mocinhas, adolescentes, cujo perfil caberia perfeitamente como seguidora da deusa Vesta, com os aspectos que vão desde a beleza até o respeito corporal e sexual, e porque não dizer virginal.
Essas belas mocinhas que existem por aí, lindas como a manhã de primavera e doces feito hidromel, por optarem seguir pela vida respeitando os bons princípios, pautando-se na moral e no respeito a si mesmas e ao próximo, certamente que fazem um percurso difícil na suas existências. Mesmo que vejam no comportamento delas singulares gestos de grandeza e castidade, mesmo assim tudo procuram fazer para desnorteá-las nos seus caminhos e norteá-las para onde as pedras perfuram mais o corpo, a seriedade e a dignidade por inteiros.
Aos olhos dos outros, seria um verdadeiro absurdo o comportamento de uma jovem com as mesmas características de uma virgem vestal. Presumem logo que as mocinhas não podem ser sérias, não podem se resguardar, não devem impor limites diante das tentações, não têm o direito de escolher o que é melhor para si, não podem dizer não aos apelos da sociedade corrompida. O pior é que não querem pouco, pois se voltam logo na tentativa de abrir as portas da adolescência para os caminhos difíceis da aquiescência sexual, da entrega ou venda do corpo a qualquer um, da prostituição.
Depois de trinta anos servindo no Templo é que a vestal romana decidiria o que era melhor para sua vida. No mundo atual, aos trinta anos de idade grande parte das mulheres - que praticamente nunca foram virgens -, já vai sendo descartada até mesmo para satisfazer os impulsos bestiais de muitos. Daí que é preocupação destes é que não haja infância, adolescência, não haja tempo para que as meninas sejam meninas, brinquem, sonhem e tenham tempo de planejar seu futuro.
Ainda existem e sempre continuarão existindo as virgens vestais ao nosso redor e todas elas são lindas, meigas, doces e fáceis de se reconhecer: se respeitam, vivem sua idade, pensam no futuro e preservam o nome próprio e o familiar. Não é difícil encontrá-las sonhando com um príncipe encantado, no meio da natureza de braços levantados rumo ao sol ou a chuva, escrevendo poesia, lendo um conto de fadas, sendo boa filha e boa menina. Gostam também de música, de passear, de viajar, de ir ao shopping. Mas é o comportamento e as companhias que as distingue.
E haveremos de ter a certeza que por mais que pretendam colocar essas virgens vestais no pedestal do sacrifício somente conseguirão reconhecer que ainda existem meninas que são verdadeiras deusas.




Advogado e poeta
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Um comentário:

Toninho disse...

Poxa, hoje mesmo estava vendo um programa,com entrevistas com jovens sobre a experiencia sexual,eram secundaristas e para meu espanto, poucos tinham tido,apenas seis assumiram.Entao pensei com meus botoes,ainda tem solução.Agora vejo esta magnifica cronica educativa cultural,falando justamente desta minha esperança.Sim há todo um esquema, uma maquina de marketing,qeu veste e corrompe os jovens e as vestais ficam raras,restritas.Mas existem.Sua cronica deveria circular pelas escolas,seria uma dadiva aos professores as vezes desanimados.