Poesia de amor e fé
Se ainda há esperança
não amo inutilmente
se com a noite vem o dia
não será vão esse meu amor
se o alento chega depois da dor
não morrerá o coração sofredor
se o fogo não acaba nas cinzas
não temerei a chama apagar
se a oração é o grito em silêncio
não temerei jamais ser ouvido
se a vontade faz persistir o desejo
não deixarei de saciar o prazer
se as horas retornam sempre
não chegarei atrasado ao encontro
se o tempo é o senhor da vida
não partirei sem tua saudade
se cabe a Deus confirmar
não terei mais dúvidas
do amor imenso a nos guiar.
Rangel Alves da Costa
SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...
A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.
domingo, 5 de dezembro de 2010
O ROUBO DO SORRISO DA MENINA – 21 (Conto)
O ROUBO DO SORRISO DA MENINA – 21
Rangel Alves da Costa*
A estrela-de-fogo, qual fez uma rainha humana certa vez, maldisse o lugar que estava, limpou a terra incrustada na raiz para não levar nem resquícios onde fosse, segurou a maletinha de planta detetive, mas quando ia dando o primeiro passo para correr dali, avistou a prímula feito um sol enorme e radiante diante de si. O coração fraquejou, a força para seguir acabou, a planta desistiu por amor.
Contudo, disse a si mesma que redobraria os esforços investigativos para terminar o mais rapidamente possível os seus trabalhos ali, mesmo tendo certeza que teria de agir dali em diante com duplo objetivo: elucidar o caso e fazer tudo voltar à normalidade e provar a inocência de sua prímula.
Em questão de minutos elaborou um plano que se desse certo adiantaria em muito o seu lado investigativo e confirmaria ainda mais a sua fama de estrategista. Entretanto, se as coisas não saíssem como imaginado seria o fim de tudo, pois sua prímula seria a primeira a ser condenada, mesmo que injustamente.
E traçou as linhas de ação com os seguintes objetivos: Primeiro chamaria o jardineiro e afirmaria que havia encontrado provas mais que suficientes para apontar o nome do responsável pela morte das rosas; depois pediria que convocasse para a manhã seguinte uma reunião com todas as espécies do jardim, de modo que pudesse ler o seu relatório diante de todos, finalizando por dizer o nome do infrator; em seguida, como estratégia final, ela mesma daria uma de advogada e defenderia com veemência, com unhas e dentes, o acusado da prática do crime.
A acusação logicamente deveria recair sobre a prímula. Seria demonstrado como e porque ela praticou o ato, quais as motivações e os meios que se utilizou para consumar a prática delitiva, além de dizer quais as penas que sobre ela deveria incorrer. E aí é que entraria em campo sua inteligência, sua força persuasiva e sua capacidade de reverter situações.
Provaria que qualquer um naquela situação cometeria o delito, numa espécie de legítima defesa, fazendo com que as outras espécies, ao invés de querer linchar a prímula ali mesmo, a erguessem nos braços, confortando e acarinhando, dando plena razão pelo ato praticado e colocando um ponto final naquela história toda.
Conseguindo tal intento, ao mesmo tempo acusando e absolvendo a prímula, certamente esperaria que o seu reconhecimento não viesse de outra forma a não ser correspondendo o seu amor. Esse seria o único jeito de adentrar naquele coraçãozinho perverso, dizia a si mesma.
Mas por outro lado ficava entristecida porque sabia que se essa armação toda não desse certo seria o seu próprio fim e o de sua amada, além do que não havia resolvido outro problema crucial, que seria trazer de volta o sorriso da menina.
Mas sabia também que desvendar o crime não seria suficiente para trazer o sorriso de Lucinha de volta. Como já percebia claramente, o roubo do sorriso da menina havia deixado de ser um problema da realidade material para se transformar numa questão do outro mundo, do mundo do desconhecido, do mundo dos mortos, do mundo espiritual.
Se as rosas não tinham ainda conseguido descansar ou pagar os castigos que merecessem no mundo dos mortos e continuavam a vagar pelo jardim e arredores, como ela mesma havia sido testemunha, era porque tinham ainda uma missão a cumprir no jardim. Estavam sob condição: ou reparariam os erros cometidos na terra ou não receberiam o perdão para o descanso eterno.
E tal missão só poderia ser trazer de volta o sorriso da menina, pois certamente as forças superiores que comandam a vida após a morte não aceitavam de jeito nenhum dar o destino final aos espíritos das rosas se eles continuassem contaminados pelo pecado do roubo do sorriso de uma inocente.
Seria impensável decidir sobre qual das duas portas os espíritos entrariam se antes as próprias rosas não dessem um jeito naquela situação. O problema é que estavam mortas e os mortos ficam vagando até finalizar uma missão imprescindível na terra. Por isso mesmo é que já haviam aparecido para Lucinha, para a própria estrela-de-fogo e para tantas outras espécies.
Quando apareceram no quarto de Lucinha e exigiram que ela matasse quem as matou, tal procedimento certamente se deu porque o fato ainda estava muito recente, as rosas ainda não haviam deixado completamente seu lado carnal e se transformado em espírito, por isso mesmo estavam revoltadas e exigindo o que aos mortos não é permitido fazer.
Agora, quando nas rosas já prevalecia a condição puramente espiritual, eis que elas surgiam como aparições e a qualquer instante diriam como fazer para que o sorriso da menina retornasse. Ademais, a cada dia que passasse e os seus atos não fossem reparados na terra, os seus espíritos sofreriam cada vez mais e estariam impedidas de ter o destino dos mortos que merecessem.
continua...
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com
Rangel Alves da Costa*
A estrela-de-fogo, qual fez uma rainha humana certa vez, maldisse o lugar que estava, limpou a terra incrustada na raiz para não levar nem resquícios onde fosse, segurou a maletinha de planta detetive, mas quando ia dando o primeiro passo para correr dali, avistou a prímula feito um sol enorme e radiante diante de si. O coração fraquejou, a força para seguir acabou, a planta desistiu por amor.
Contudo, disse a si mesma que redobraria os esforços investigativos para terminar o mais rapidamente possível os seus trabalhos ali, mesmo tendo certeza que teria de agir dali em diante com duplo objetivo: elucidar o caso e fazer tudo voltar à normalidade e provar a inocência de sua prímula.
Em questão de minutos elaborou um plano que se desse certo adiantaria em muito o seu lado investigativo e confirmaria ainda mais a sua fama de estrategista. Entretanto, se as coisas não saíssem como imaginado seria o fim de tudo, pois sua prímula seria a primeira a ser condenada, mesmo que injustamente.
E traçou as linhas de ação com os seguintes objetivos: Primeiro chamaria o jardineiro e afirmaria que havia encontrado provas mais que suficientes para apontar o nome do responsável pela morte das rosas; depois pediria que convocasse para a manhã seguinte uma reunião com todas as espécies do jardim, de modo que pudesse ler o seu relatório diante de todos, finalizando por dizer o nome do infrator; em seguida, como estratégia final, ela mesma daria uma de advogada e defenderia com veemência, com unhas e dentes, o acusado da prática do crime.
A acusação logicamente deveria recair sobre a prímula. Seria demonstrado como e porque ela praticou o ato, quais as motivações e os meios que se utilizou para consumar a prática delitiva, além de dizer quais as penas que sobre ela deveria incorrer. E aí é que entraria em campo sua inteligência, sua força persuasiva e sua capacidade de reverter situações.
Provaria que qualquer um naquela situação cometeria o delito, numa espécie de legítima defesa, fazendo com que as outras espécies, ao invés de querer linchar a prímula ali mesmo, a erguessem nos braços, confortando e acarinhando, dando plena razão pelo ato praticado e colocando um ponto final naquela história toda.
Conseguindo tal intento, ao mesmo tempo acusando e absolvendo a prímula, certamente esperaria que o seu reconhecimento não viesse de outra forma a não ser correspondendo o seu amor. Esse seria o único jeito de adentrar naquele coraçãozinho perverso, dizia a si mesma.
Mas por outro lado ficava entristecida porque sabia que se essa armação toda não desse certo seria o seu próprio fim e o de sua amada, além do que não havia resolvido outro problema crucial, que seria trazer de volta o sorriso da menina.
Mas sabia também que desvendar o crime não seria suficiente para trazer o sorriso de Lucinha de volta. Como já percebia claramente, o roubo do sorriso da menina havia deixado de ser um problema da realidade material para se transformar numa questão do outro mundo, do mundo do desconhecido, do mundo dos mortos, do mundo espiritual.
Se as rosas não tinham ainda conseguido descansar ou pagar os castigos que merecessem no mundo dos mortos e continuavam a vagar pelo jardim e arredores, como ela mesma havia sido testemunha, era porque tinham ainda uma missão a cumprir no jardim. Estavam sob condição: ou reparariam os erros cometidos na terra ou não receberiam o perdão para o descanso eterno.
E tal missão só poderia ser trazer de volta o sorriso da menina, pois certamente as forças superiores que comandam a vida após a morte não aceitavam de jeito nenhum dar o destino final aos espíritos das rosas se eles continuassem contaminados pelo pecado do roubo do sorriso de uma inocente.
Seria impensável decidir sobre qual das duas portas os espíritos entrariam se antes as próprias rosas não dessem um jeito naquela situação. O problema é que estavam mortas e os mortos ficam vagando até finalizar uma missão imprescindível na terra. Por isso mesmo é que já haviam aparecido para Lucinha, para a própria estrela-de-fogo e para tantas outras espécies.
Quando apareceram no quarto de Lucinha e exigiram que ela matasse quem as matou, tal procedimento certamente se deu porque o fato ainda estava muito recente, as rosas ainda não haviam deixado completamente seu lado carnal e se transformado em espírito, por isso mesmo estavam revoltadas e exigindo o que aos mortos não é permitido fazer.
Agora, quando nas rosas já prevalecia a condição puramente espiritual, eis que elas surgiam como aparições e a qualquer instante diriam como fazer para que o sorriso da menina retornasse. Ademais, a cada dia que passasse e os seus atos não fossem reparados na terra, os seus espíritos sofreriam cada vez mais e estariam impedidas de ter o destino dos mortos que merecessem.
continua...
Poeta e cronista
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sábado, 4 de dezembro de 2010
AMIGO DO REI (Crônica)
AMIGO DO REI
Rangel Alves da Costa*
Sou amigo do rei, e isso eu digo com orgulho e com muito prazer. Conheço o rei desde sua herdade, o sangue soberano que corre nas suas veias, seus ancestrais e linhagens. Por tudo isso digo com grande satisfação que sou amigo do rei.
O problema é que tenho certeza que o rei não é meu amigo. Deveria ser diferente, o reconhecimento ser proporcional ao que já fiz, faço e com certeza farei por ele, mas vejo imensa desigualdade nessa amizade porque o rei precisa de mim, não vive sem os meus ensinamentos e conselhos.
O rei não assina um decreto ou dá uma ordem sem me ouvir, não vai para as caçadas sem me perguntar se o dia será promissor, não faz sexo com a amiga da rainha sem antes me fofocar, não manda invadir outros reinos ou matar inimigos sem que eu demonstre concordância. Mas ainda assim sinto que o rei não é meu amigo.
Ora, se o soberano fosse meu amigo me daria um emprego, me garantiria o recebimento de um salário, me incluiria na imensa folha palaciana dos que recebem sem fazer nada, baixaria um decreto me nomeando bobo ou confidente da corte, indicaria um posto ou posição de comando onde eu tivesse vez e voz para mandar nos subordinados.
As opções são imensas: me escolheria como laranja nos seus negócios escusos, envolveria o meu nome nos escândalos palacianos, roubaria mais e jogaria toda a culpa pelas falcatruas em meu nome. Mas ele não faz nada disso comigo, então o rei não é meu amigo.
Certa vez, por ter jurado fidelidade ao rei e a fazer tudo aquilo que ele ordenasse, fiz correr pelo reino uma longa carta descrevendo todas as bondades, princípios éticos e cristãos, todas as virtudes do rei.
Por ser amigo, menti e omiti que ele é um beberrão, desumano e malcriado, corno convencido, é imundo e malcheiroso, ladrão da própria fortuna, só pensa em enriquecer cada vez mais tirando o tostão do pobre, que pensa em mandar cobrar impostos de todos aqueles que estejam vivos no primeiro dia de cada ano novo. O nome do imposto será taxa por continuar vivendo.
Tudo isso é a mais pura verdade, mas porque sou devoto ao rei e sou seu maior amigo, nada disso fiz constar. Pelo contrário, apenas consta da carta que ele dá um cestinho de feira às famílias pobres, fornece gratuitamente mudas de ervas medicinais para que as pessoas plantem e não necessitem dos curandeiros do reino.
E ainda que paga todos os funerais daqueles que morrem com mais de cem anos, permite que qualquer um possa se candidatar como herdeiro do reino desde que seja filho do rei, dentre muitas outras coisas que só um rei bondoso e humano faria. De tão mentiroso que é o rei pensa que isso é verdade.
Faço tudo isso por ele e ainda assim parece que o mesmo não enxerga nada do que é feito. Por saber que gosto de abrir as portas para ele passar, me ajoelho na sua presença e limpo os seus sapatos com o meu próprio lenço ou até com a língua se for preciso, não deixo que nenhuma poeira se aproxime de onde ele está ou que pessoas inoportunas se aproximem, talvez ele tenha a intenção de me reconhecer com o mais alto posto que houver. Mas por enquanto nada. Mas não tem nada não, pois continuou sendo amigo do rei.
Além dessa falta de reconhecimento imediato, algumas outras pequenas tristezas vinham injustamente se assomar, pois fruto de acusações infundadas e mentirosas. Eis que as más línguas começaram a me nomear de puxa-saco, bajulador, lambe-botas, baba-ovo. Quando queriam ferir mais educadamente chamavam de subserviente ou servil de cozinha palaciana.
A situação foi se tornando insuportável. Um dia perguntei ao rei se ele achava que era justo eu servir tanto sem jamais ser reconhecido com um cargo importante. E foi quando ele me disse que naquele reino somente o inimigo poderia ser agradado, de modo que não se transformasse em ameaça para a manutenção do poder.
O pior é que o meu amigo rei me disse que se estivesse achando ruim que fosse embora para o Brasil, pois lá quanto mais se beija as mãos e lambe os sapatos do rei mais surgem as chances de fazer parte do poder.
Cheguei ao Brasil e amanhã já vou me filiar a um certo partido político.
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com
Rangel Alves da Costa*
Sou amigo do rei, e isso eu digo com orgulho e com muito prazer. Conheço o rei desde sua herdade, o sangue soberano que corre nas suas veias, seus ancestrais e linhagens. Por tudo isso digo com grande satisfação que sou amigo do rei.
O problema é que tenho certeza que o rei não é meu amigo. Deveria ser diferente, o reconhecimento ser proporcional ao que já fiz, faço e com certeza farei por ele, mas vejo imensa desigualdade nessa amizade porque o rei precisa de mim, não vive sem os meus ensinamentos e conselhos.
O rei não assina um decreto ou dá uma ordem sem me ouvir, não vai para as caçadas sem me perguntar se o dia será promissor, não faz sexo com a amiga da rainha sem antes me fofocar, não manda invadir outros reinos ou matar inimigos sem que eu demonstre concordância. Mas ainda assim sinto que o rei não é meu amigo.
Ora, se o soberano fosse meu amigo me daria um emprego, me garantiria o recebimento de um salário, me incluiria na imensa folha palaciana dos que recebem sem fazer nada, baixaria um decreto me nomeando bobo ou confidente da corte, indicaria um posto ou posição de comando onde eu tivesse vez e voz para mandar nos subordinados.
As opções são imensas: me escolheria como laranja nos seus negócios escusos, envolveria o meu nome nos escândalos palacianos, roubaria mais e jogaria toda a culpa pelas falcatruas em meu nome. Mas ele não faz nada disso comigo, então o rei não é meu amigo.
Certa vez, por ter jurado fidelidade ao rei e a fazer tudo aquilo que ele ordenasse, fiz correr pelo reino uma longa carta descrevendo todas as bondades, princípios éticos e cristãos, todas as virtudes do rei.
Por ser amigo, menti e omiti que ele é um beberrão, desumano e malcriado, corno convencido, é imundo e malcheiroso, ladrão da própria fortuna, só pensa em enriquecer cada vez mais tirando o tostão do pobre, que pensa em mandar cobrar impostos de todos aqueles que estejam vivos no primeiro dia de cada ano novo. O nome do imposto será taxa por continuar vivendo.
Tudo isso é a mais pura verdade, mas porque sou devoto ao rei e sou seu maior amigo, nada disso fiz constar. Pelo contrário, apenas consta da carta que ele dá um cestinho de feira às famílias pobres, fornece gratuitamente mudas de ervas medicinais para que as pessoas plantem e não necessitem dos curandeiros do reino.
E ainda que paga todos os funerais daqueles que morrem com mais de cem anos, permite que qualquer um possa se candidatar como herdeiro do reino desde que seja filho do rei, dentre muitas outras coisas que só um rei bondoso e humano faria. De tão mentiroso que é o rei pensa que isso é verdade.
Faço tudo isso por ele e ainda assim parece que o mesmo não enxerga nada do que é feito. Por saber que gosto de abrir as portas para ele passar, me ajoelho na sua presença e limpo os seus sapatos com o meu próprio lenço ou até com a língua se for preciso, não deixo que nenhuma poeira se aproxime de onde ele está ou que pessoas inoportunas se aproximem, talvez ele tenha a intenção de me reconhecer com o mais alto posto que houver. Mas por enquanto nada. Mas não tem nada não, pois continuou sendo amigo do rei.
Além dessa falta de reconhecimento imediato, algumas outras pequenas tristezas vinham injustamente se assomar, pois fruto de acusações infundadas e mentirosas. Eis que as más línguas começaram a me nomear de puxa-saco, bajulador, lambe-botas, baba-ovo. Quando queriam ferir mais educadamente chamavam de subserviente ou servil de cozinha palaciana.
A situação foi se tornando insuportável. Um dia perguntei ao rei se ele achava que era justo eu servir tanto sem jamais ser reconhecido com um cargo importante. E foi quando ele me disse que naquele reino somente o inimigo poderia ser agradado, de modo que não se transformasse em ameaça para a manutenção do poder.
O pior é que o meu amigo rei me disse que se estivesse achando ruim que fosse embora para o Brasil, pois lá quanto mais se beija as mãos e lambe os sapatos do rei mais surgem as chances de fazer parte do poder.
Cheguei ao Brasil e amanhã já vou me filiar a um certo partido político.
Poeta e cronista
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Amar assim mais amado (Poesia)
Amar assim mais amado
Ao menos por esse momento
esqueça o amor burocrático
as palavras requentadas de sempre
e o mesmo te amo
e o mesmo te que quero
e o mesmo você é minha vida
por enquanto não
por enquanto não
nada disso agora
porque o que se aflora
é verdadeiramente diferente
um sentimento docemente lúdico
um querer como jamais
pude expressar ou fazer
pois vou te jogar pelo ar
espalhar teu corpo na relva
jogar o vento no teu rosto
fazer a o calor excitar teu sexo
mandar a brisa apagar o fogo
chamar de porrinha
chamar de pestinha
chamar de coisinha
dar um beijo escondido
dar um beijo no umbigo
brincar de correr
e de se encontrar
jogar água da chuva no rosto
fazer castelo na areia
e sonhar à beira mar
depois amar
e amar
e amar
sem nada sério
a satisfazer o pudor
só por prazer
só por amor.
Rangel Alves da Costa
Ao menos por esse momento
esqueça o amor burocrático
as palavras requentadas de sempre
e o mesmo te amo
e o mesmo te que quero
e o mesmo você é minha vida
por enquanto não
por enquanto não
nada disso agora
porque o que se aflora
é verdadeiramente diferente
um sentimento docemente lúdico
um querer como jamais
pude expressar ou fazer
pois vou te jogar pelo ar
espalhar teu corpo na relva
jogar o vento no teu rosto
fazer a o calor excitar teu sexo
mandar a brisa apagar o fogo
chamar de porrinha
chamar de pestinha
chamar de coisinha
dar um beijo escondido
dar um beijo no umbigo
brincar de correr
e de se encontrar
jogar água da chuva no rosto
fazer castelo na areia
e sonhar à beira mar
depois amar
e amar
e amar
sem nada sério
a satisfazer o pudor
só por prazer
só por amor.
Rangel Alves da Costa
O ROUBO DO SORRISO DA MENINA – 20 (Conto)
O ROUBO DO SORRISO DA MENINA – 20
Rangel Alves da Costa*
A estrela-de-fogo, de olhos bem abertos e ouvidos espalhados pelo ar, ouviu tudo o que a menina disse e, num misto de espanto e curiosidade, quase desiste da profissão de detetive naquele mesmo instante.
Suada, quase tremendo de frio mesmo no calorzinho da noite, não conseguiu fazer qualquer tipo de anotação, vez que a mão trêmula se negava a rabiscar os pormenores do diálogo entre Lucinha e o médico.
"Aonde eu fui me meter, meu Deus! Fui contratada para buscar e encontrar pistas sobre um caso de assassinato e agora me vejo diante de fantasmas de rosas que voltam ao mundo dos vivos para reclamar e exigir castigo para quem as matou. Aonde fui me meter, meu Deus! Se não fosse a prímula sairia desse lugar de malucos agora mesmo. Mas tem a prímula no meio dessa história toda. Oh! prímula, meu amor, me diga que não tem nada a ver com isso não, que o mais rápido possível sairemos por aí como dois amantes pelos jardins da vida. Te darei meu androceu e meu perfume, e de ti quero apenas receber a brancura do teu olhar que são como pétalas orvalhadas no amanhecer de um coração apaixonado. Um dia talvez, como coroação do amor que sentimos, certamente terei teu gineceu, tão doce como a própria flor, tão suave e perfumado como o pólen das delícias. Oh! prímula meu amor, sopre no vento a certeza da tua inocência e dormirei feliz e sonharei contigo, antecipando o paraíso que nos espera. Oh! prímula meu amor, se tu soubesses quanto dói viver entre a certeza e a dúvida, a verdade e a aparência, a culpa e a inocência, o medo e a esperança, não me deixarias assim solitário nessa noite enluarada, quando os fantasmas de tantos problemas parece nos rondar incansavelmente. Se tu viestes ao meu lado, se de mansinho formássemos um jardim só nosso, nenhum fantasma suportaria a visão de tanta alegria e felicidade. Venha, meu amor, ao menos em sonhos venha meu amor, e juro por tudo de mais sagrado que amanhã cedinho partiremos mesmo que como seres fugidios, se alguma culpa tiver, para bem longe, para onde as flores pecadoras pagam somente a pena de exalar menos aroma. Venha prímula, venha meu amor...".
Ainda falava consigo mesma, mas que qualquer um que estivesse ao seu lado ouviria, quando sentiu um toque frio, quase gelado, numa de suas pétalas. "Ouça". Só teve tempo de ouvir isso antes de desmaiar ao sentir que as rosas, aquelas mesmas rosas mortas, estavam ali logo atrás, querendo dizer alguma coisa.
O desmaio da estrela-de-fogo foi tão violento que o sol já alto do outro dia ainda iluminava a planta totalmente fora de si, parecendo morta. Ao redor, os comentários mais diversificados possíveis sobre aquela situação. O lírio falava que tinha algo a ver com bebedeira naquela situação; a bromélia jurava de pé junto que a planta havia tomado uma surra, só não sabia dizer de quem; enquanto o sabiá dizia que tava na cara que aquilo não era nada mais nada menos do que preguiça.
Verdade é que o jardineiro jogava incessantemente água sobre a planta, que somente começou a despertar quando ouviu alguém falar no nome da prímula. Voltou a si assustada, num espanto de dá dó. Quando percebeu as feições do jardineiro e das outras plantas, flores, bichos e todo o mais que por ali se aglomerava, baixou a cabeça envergonhada e assim ficou até todos se dispersarem da dali.
Que vergonha, meu Deus! Disse a si mesma estrela-de-fogo. Depois de lembrar do que realmente havia ocorrido, jurou que iria embora naquele mesmo dia dali, acompanhado ou não pela prímula. Seu nome poderei ser enlameado, perder as credenciais de investigação, nunca mais ser nada, cair no descrédito total, mas não ficaria mais ali de jeito nenhum. Lidar com fantasmas era demais para quem já temia a maioria dos vivos.
continua...
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com
Rangel Alves da Costa*
A estrela-de-fogo, de olhos bem abertos e ouvidos espalhados pelo ar, ouviu tudo o que a menina disse e, num misto de espanto e curiosidade, quase desiste da profissão de detetive naquele mesmo instante.
Suada, quase tremendo de frio mesmo no calorzinho da noite, não conseguiu fazer qualquer tipo de anotação, vez que a mão trêmula se negava a rabiscar os pormenores do diálogo entre Lucinha e o médico.
"Aonde eu fui me meter, meu Deus! Fui contratada para buscar e encontrar pistas sobre um caso de assassinato e agora me vejo diante de fantasmas de rosas que voltam ao mundo dos vivos para reclamar e exigir castigo para quem as matou. Aonde fui me meter, meu Deus! Se não fosse a prímula sairia desse lugar de malucos agora mesmo. Mas tem a prímula no meio dessa história toda. Oh! prímula, meu amor, me diga que não tem nada a ver com isso não, que o mais rápido possível sairemos por aí como dois amantes pelos jardins da vida. Te darei meu androceu e meu perfume, e de ti quero apenas receber a brancura do teu olhar que são como pétalas orvalhadas no amanhecer de um coração apaixonado. Um dia talvez, como coroação do amor que sentimos, certamente terei teu gineceu, tão doce como a própria flor, tão suave e perfumado como o pólen das delícias. Oh! prímula meu amor, sopre no vento a certeza da tua inocência e dormirei feliz e sonharei contigo, antecipando o paraíso que nos espera. Oh! prímula meu amor, se tu soubesses quanto dói viver entre a certeza e a dúvida, a verdade e a aparência, a culpa e a inocência, o medo e a esperança, não me deixarias assim solitário nessa noite enluarada, quando os fantasmas de tantos problemas parece nos rondar incansavelmente. Se tu viestes ao meu lado, se de mansinho formássemos um jardim só nosso, nenhum fantasma suportaria a visão de tanta alegria e felicidade. Venha, meu amor, ao menos em sonhos venha meu amor, e juro por tudo de mais sagrado que amanhã cedinho partiremos mesmo que como seres fugidios, se alguma culpa tiver, para bem longe, para onde as flores pecadoras pagam somente a pena de exalar menos aroma. Venha prímula, venha meu amor...".
Ainda falava consigo mesma, mas que qualquer um que estivesse ao seu lado ouviria, quando sentiu um toque frio, quase gelado, numa de suas pétalas. "Ouça". Só teve tempo de ouvir isso antes de desmaiar ao sentir que as rosas, aquelas mesmas rosas mortas, estavam ali logo atrás, querendo dizer alguma coisa.
O desmaio da estrela-de-fogo foi tão violento que o sol já alto do outro dia ainda iluminava a planta totalmente fora de si, parecendo morta. Ao redor, os comentários mais diversificados possíveis sobre aquela situação. O lírio falava que tinha algo a ver com bebedeira naquela situação; a bromélia jurava de pé junto que a planta havia tomado uma surra, só não sabia dizer de quem; enquanto o sabiá dizia que tava na cara que aquilo não era nada mais nada menos do que preguiça.
Verdade é que o jardineiro jogava incessantemente água sobre a planta, que somente começou a despertar quando ouviu alguém falar no nome da prímula. Voltou a si assustada, num espanto de dá dó. Quando percebeu as feições do jardineiro e das outras plantas, flores, bichos e todo o mais que por ali se aglomerava, baixou a cabeça envergonhada e assim ficou até todos se dispersarem da dali.
Que vergonha, meu Deus! Disse a si mesma estrela-de-fogo. Depois de lembrar do que realmente havia ocorrido, jurou que iria embora naquele mesmo dia dali, acompanhado ou não pela prímula. Seu nome poderei ser enlameado, perder as credenciais de investigação, nunca mais ser nada, cair no descrédito total, mas não ficaria mais ali de jeito nenhum. Lidar com fantasmas era demais para quem já temia a maioria dos vivos.
continua...
Poeta e cronista
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
A POBREZA E A ESPERANÇA RENASCIDA (Crônica)
A POBREZA E A ESPERANÇA RENASCIDA
Rangel Alves da Costa*
Sou daqueles que acreditam na esperança; sou daqueles que acreditam na esperança em Deus; sou daqueles que acreditam que somente a extrema fé em Deus e seus ensinamentos será possível construir a esperança perante a realidade e a vida futura.
Nesse instante ainda, se pudesse subiria na mais alta montanha e de lá humildemente proclamaria que enfim chegou o momento onde a esperança e a fé em Deus invadem as mentes, os lábios, os lares, as feições e os corações de inúmeras pessoas, antes entristecidas pelas durezas da vida e padecentes pelas incúrias dos governantes.
Mas este povo que se enche de esperança não é outro senão essa gente humilde e pobre, muitas vezes vivendo na miséria absoluta, mas enfim soltando os gritos e fazendo os gestos de esperança que não se ouve nem se vê na classe tida como rica, poderosa, senhora de bens materiais, mas não da vida.
As pessoas com maiores dificuldades de sobrevivência, pobres mesmo na rudeza da palavra, são as que mais têm esperanças e com elas praticamente convivem em busca de dias melhores, de um amanhã menos cruel e doloroso.
Não há manhã sem a esperança de que tenha alguma coisa para comer naquele dia; não há dia para que o olhar não mire o horizonte na esperança que venha a chuva; não haverá mais tempo para tempo ruim, se as noites e os dias calejaram de ensinar que as lágrimas derramadas lavam as estradas para os dias melhores que virão. E tais dias só chegarão com a esperança.
A esperança desse povo de força gigantesca e inquebrantável não é alimentada logicamente pelo prato cheio, pela fartura ou pelo luxo de não se ter somente o lixo, mas somente por cinco palavras que são os alicerces de tudo: fé, oração, respeito, obediência e esperança.
Ora, sabendo que somente Deus tem a vida e dispõe sobre ela, esse povo humilde, maravilhoso e encantador, quase sempre renega as facilidades mundanas enganosas e prefere caminhar pelos caminhos difíceis do sofrimento porque mais adiante encontrará as respostas para a fé, a oração, o respeito, a obediência e a esperança. Todos sabem que Deus responde aos que sabem chamá-lo.
É por isso que nos barracos, favelas, nos rincões dos sertões, nas encostas das cidades, dentro dos caixotes de papelões com portas, em qualquer lugar onde residam estas pessoas, Deus estará muito mais presente, e com Ele sempre a esperança persistente e renascida qual Fênix dos desvalidos.
E nesses dias de festas de natal e ano novo, reencontros, confraternizações e compras e mais compras, as pessoas que são excluídas desses favores do capitalismo e da riqueza, ainda assim são aquelas que mais sabem doar e receber. As luzes que brilham lá fora já vivem acesas nos seus corações, pois a esperança que possuem é bem maior do que um laço enfeitado que se desfaz.
Enquanto para muitos esse tempo de festas não passa de datas com claros objetivos e o que se planeja no ano seguinte envolve sempre ter mais riqueza e poder, outras pessoas se contentam em fazer renascer cada vez mais forte a esperança em Deus, apenas e somente isso. E é demais, pois sabem que os presentes divinos não chegam embrulhados em papel bonito nem laço de seda.
Os presentes de Deus chegam oculta e silenciosamente, mas logo são reconhecidos e recebidos por aqueles corações que mostraram fé e esperança.
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com
Rangel Alves da Costa*
Sou daqueles que acreditam na esperança; sou daqueles que acreditam na esperança em Deus; sou daqueles que acreditam que somente a extrema fé em Deus e seus ensinamentos será possível construir a esperança perante a realidade e a vida futura.
Nesse instante ainda, se pudesse subiria na mais alta montanha e de lá humildemente proclamaria que enfim chegou o momento onde a esperança e a fé em Deus invadem as mentes, os lábios, os lares, as feições e os corações de inúmeras pessoas, antes entristecidas pelas durezas da vida e padecentes pelas incúrias dos governantes.
Mas este povo que se enche de esperança não é outro senão essa gente humilde e pobre, muitas vezes vivendo na miséria absoluta, mas enfim soltando os gritos e fazendo os gestos de esperança que não se ouve nem se vê na classe tida como rica, poderosa, senhora de bens materiais, mas não da vida.
As pessoas com maiores dificuldades de sobrevivência, pobres mesmo na rudeza da palavra, são as que mais têm esperanças e com elas praticamente convivem em busca de dias melhores, de um amanhã menos cruel e doloroso.
Não há manhã sem a esperança de que tenha alguma coisa para comer naquele dia; não há dia para que o olhar não mire o horizonte na esperança que venha a chuva; não haverá mais tempo para tempo ruim, se as noites e os dias calejaram de ensinar que as lágrimas derramadas lavam as estradas para os dias melhores que virão. E tais dias só chegarão com a esperança.
A esperança desse povo de força gigantesca e inquebrantável não é alimentada logicamente pelo prato cheio, pela fartura ou pelo luxo de não se ter somente o lixo, mas somente por cinco palavras que são os alicerces de tudo: fé, oração, respeito, obediência e esperança.
Ora, sabendo que somente Deus tem a vida e dispõe sobre ela, esse povo humilde, maravilhoso e encantador, quase sempre renega as facilidades mundanas enganosas e prefere caminhar pelos caminhos difíceis do sofrimento porque mais adiante encontrará as respostas para a fé, a oração, o respeito, a obediência e a esperança. Todos sabem que Deus responde aos que sabem chamá-lo.
É por isso que nos barracos, favelas, nos rincões dos sertões, nas encostas das cidades, dentro dos caixotes de papelões com portas, em qualquer lugar onde residam estas pessoas, Deus estará muito mais presente, e com Ele sempre a esperança persistente e renascida qual Fênix dos desvalidos.
E nesses dias de festas de natal e ano novo, reencontros, confraternizações e compras e mais compras, as pessoas que são excluídas desses favores do capitalismo e da riqueza, ainda assim são aquelas que mais sabem doar e receber. As luzes que brilham lá fora já vivem acesas nos seus corações, pois a esperança que possuem é bem maior do que um laço enfeitado que se desfaz.
Enquanto para muitos esse tempo de festas não passa de datas com claros objetivos e o que se planeja no ano seguinte envolve sempre ter mais riqueza e poder, outras pessoas se contentam em fazer renascer cada vez mais forte a esperança em Deus, apenas e somente isso. E é demais, pois sabem que os presentes divinos não chegam embrulhados em papel bonito nem laço de seda.
Os presentes de Deus chegam oculta e silenciosamente, mas logo são reconhecidos e recebidos por aqueles corações que mostraram fé e esperança.
Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com
Semente (Poesia)
Semente
Sois
do sol
somente
o sal
a semente
solitária
brotando
sozinha
no chão
do corpo
no coração
para nascer
a flor
o amor
o querer
o ter
a mão
levada
ao chão
segurando
erguendo
e beijando
a vida
nascida
ao sol
em teu nome
não mais só
só mulher
girassol.
Rangel Alves da Costa
Sois
do sol
somente
o sal
a semente
solitária
brotando
sozinha
no chão
do corpo
no coração
para nascer
a flor
o amor
o querer
o ter
a mão
levada
ao chão
segurando
erguendo
e beijando
a vida
nascida
ao sol
em teu nome
não mais só
só mulher
girassol.
Rangel Alves da Costa
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