Jegue do sertão, em Poço Redondo, sertão sergipano do São Francisco.
SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...
A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Não por você (Poesia)
Não
por você
Chorar não vou
sofrer não vou
apenas viver
a solidão
o teu adeus
chamou a lágrima
chamou a dor
mas tudo passa
e se eu chorar
e se eu sofrer
é pela minha
solidão
não por você.
Rangel Alves da Costa
Palavra Solta - cadê as bandeirolas e os enfeites juninos?
*Rangel Alves da Costa
No Nordeste, o mês de junho é de festança e
encantamento. Os festejos juninos são esperados e desejados por todos quase
como missão de vida e de alegria. Não há quem não goste de um bom forró, de uma
comida caipira de coco, de uma fogueira acesa, dos sons e cores dos fogos
brilhando nas noites. Pelos quatro cantos a turma se prepara para os festejos,
para as festas com bandas duvidosas e para as beberanças. Desde ontem, dia
primeiro, que os festejos tomam conta dos quadrantes nordestinos. Contudo, se a
animação do povo é a mesma, o contrário se diga com relação ao clima junina nas
cidades e nas capitais. Ao menos em Aracaju, atualmente são poucas as ruas que
ainda são enfeitadas com bandeirolas pelos quarteirões inteiros. Noutros
tempos, havia mesmo uma disputa para saber qual a rua mais bonita, mais
enfeitada, como mais cores nas bandeirolas. Agora tudo mudou, pois o mês de
junho chegou e as ruas - um tanto chuvosas - se mostram entristecidas,
silenciosas, sem cores. Então se indaga: cadê as bandeirolas e os enfeites
juninos? Neste percurso de esmorecimento, tende mesmo a sumirem as fogueiras,
as pamonhas, as canjicas, o arroz-doce, o pé de moleque e o quentão. Então os
festejos juninos seriam tão somente ao som das bandas, sem a sanfona matuta,
sem o forró pé-de-serra, sem o chinelado no salão.
Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com
quinta-feira, 1 de junho de 2017
ESCREVER: PARA QUE E PARA QUEM?
*Rangel Alves da Costa
A arte da escrita é uma das mais belas que
possa existir. Contudo, até que o livro saia da editora ou da gráfica para ser
levado ao público, um imenso percurso é suportado pelo escritor, até mesmo
aqueles de nomes já conhecidos. A inventividade em si é uma das mais
sacrificantes, pois a criação da trama ou do texto coloca o escrevinhador numa
camisa-de-força. Não é fácil dar sentido aos fatos e aos entrelaçamentos. E não
é qualquer história que surja com o poder de agradar.
De qualquer sorte, os sacrifícios se tornam
em recompensas quando o livro é publicado, para ter boa aceitação ou não, vez
que o próprio escritor sempre valoriza mais sua obra do que qualquer outra
pessoa ou crítica. Mas e os livros, aqueles mesmos que poderiam ter alcançado
sucesso e permaneceram em gavetas, entregues à voracidade do tempo, por que
seus autores não puderam sequer publicar uns poucos exemplares? É uma situação
deveras desanimadora, senão impeditiva do prazer da escrita.
No mesmo sentido, e quando escritores
permanecem ocultos, nas incógnitas de seus quartos e escrivaninhas, pelo
simples fato de não poderem dar visibilidade aos seus escritos? Até nos dias
atuais, a publicação de qualquer livro exige vultosos recursos, e nem sempre é
possível encontrar apoio que financie ao menos parte do sonho. Buscar apoio
numa lei é o mesmo que novamente colocar seu livro em gaveta. Enviar projetos
de captação de recursos é o mesmo que esperar a resposta de sempre: não há
recursos.
E depois disso, acaso o livro chegue às
livrarias, ter sua obra colocada num canto dos esquecidos enquanto as vitrines
anunciam os livros escolhidos pelas grandes editoras e seus autores fabricados.
Sim, pois há uma verdadeira fábrica de autores, de pessoas cujos nomes passarão
a ser sinônimos de grandes sucessos literários. Embora forjadamente. Os fatos
constatam isso. De repente e um artista ou pessoa famosa é alçada ao topo da
arte literária por cria e obra das grandes editoras. E não é de espantar se
muitos sequer tenham escrito uma linha.
No Brasil, foi o jornal que praticamente
lançou o renome de grandes escritores. Numa época em que não haviam editoras
especializadas em literatura, apenas os periódicos publicavam em capítulos o
que atualmente se tem como marcos da literatura brasileira. Assim ocorreu com
escritores renomados como José de Alencar, Machado de Assis, Raul Pompéia, Lima
Barreto e tantos outros.
Todos estes, tendo como os exemplos vindos da
literatura francesa desde os Dumas, tanto o pai como o filho, publicavam seus
romances em folhetins, nas páginas dos jornais que circulavam nos principais
centos urbanos. Mas o interesse do público era tamanho pelo desfecho dos
episódios que mais tarde, ao final, inevitavelmente que tais enredos e tramas
eram transformados em livros, como o publicado ou com ligeiras modificações.
Como observado, eram escassos os meios e as
publicações eram bastante reduzidas. Por consequência, os autores saídos das
páginas dos jornais alcançavam fama rapidamente, vez que com escritos já
conhecidos e acessíveis aos leitores dos periódicos. E a situação não mudou
quando começaram a surgir editoras especializadas em literatura nacional.
Publicava-se mais pela fama do autor que pelo conteúdo da obra, abrindo pouco
espaço para novos autores. E tal situação teve continuidade e possui a mesma
feição nos dias atuais.
Certamente que muitos escritos de qualidade
sequer ganharam espaços nos jornais. As gavetas antigas como as de hoje amargam
a certeza que somente as traças serão assíduas leitoras e devoradoras. E assim
acontece porque mais de oitenta por cento dos escritos têm de amargar a triste
sina do esquecimento das gavetas. Somente uma pequena parcela das criações
literárias ganha sobrevida através das editoras. E é neste aspecto que exsurgem
algumas considerações importantes.
Como dito, nem sempre o que é publicado
possui melhor qualidade do que foi rejeitado pelas editoras, não obteve
recursos suficientes para publicação ou simplesmente ficou esquecido nas gavetas.
Autores existem que precisariam apenas de uma oportunidade e seus nomes logo
seriam reconhecidos. Outros, mesmo cientes que produzem escritos de qualidade,
acabam desistindo diante da falta de apoio cultural, de incentivos para
publicação e dos infindáveis meandros burocráticos. Já outros fazem pequenas
tiragens por conta própria na esperança que seu achado caia nas graças de algum
editor.
Por mais que seja difícil de aceitar, mas a
verdade é que as editoras praticamente criam autores. Para elas, tanto faz que
um autor nordestino ou nortista seja verdadeiramente bom, que seja de grande
criatividade literária, se não querem tê-lo no seu catálogo nem em qualquer
lista dos mais vendidos. Mas diferentemente ocorre quando desejam fabricar
celebridades literárias. Por mais que os escritos sejam medíocres, ainda assim
o trabalho de marketing será tão intenso que a crítica passará a reconhecer
alguma qualidade na obra.
Por consequência, se a qualidade da produção
literária do Brasil não é das melhores, a culpa deve recair exclusivamente nas
editoras, pois são estas que não dão oportunidade aos autores novos,
privilegiam alguns nomes socialmente famosos e procuram a todo custo
proporcionar reconhecimento ao que realmente não tem. Objetivando grande
vendagem pelo nome influente do autor, acabam maculando a imagem e a qualidade
da verdadeira literatura nacional.
Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com
Lá no meu sertão...
Chegado o mês junino e Myllinha, a mais linda caipirinha do mundo, mostrando seu sorriso de encanto e beleza...
E nos seus olhos... (Poesia)
E
nos seus olhos...
E nos seus olhos
um mar de azul de céu
um favo do mais doce mel
uma paisagem ocre e pastel
outras cores eu pinto com pincel
e nos seus olhos
sou um barco a navegar
uma colmeia e seu adoçar
um horizonte de belo avistar
sou tudo em você por tanto amar.
Rangel Alves da Costa
Palavra Solta - coisas de Brasil
*Rangel Alves da Costa
O Brasil é verdadeiramente o País dos
absurdos, dos espantos, das vertigens, das aberrações, das incoerências e dos
contrassensos, só para ficar nesses termos. E não se fala aqui da safadeza política,
das roubalheiras e das máfias espalhadas por todos os poderes. Mas da vida
mesma, do cotidiano mais comum. Ora, vejam se tem cabimento que um prefeito
lance uma enquete na página da prefeitura para saber se a população prefere
gasto com festa junina ou com a compra de ambulâncias? E vejam se tem cabimento
o desejo da maioria? A continuar como está, a maioria vai preferir a festança, deixando
a própria saúde para segundo plano. E depois, reclamar de quê? São fatos assim
que nos deixam estupefatos, verdadeiramente horrorizados. Um povo que reclama
de tudo, que critica tudo, que se mostra descontente com tudo, mas na hora de
escolher entre a farra e a saúde escolhe o festim. Um povo que age assim não
pode ser um povo sério, e o pior, uma gente que merece passar o que está
passando. E assim porque na hora de mostrar sua responsabilidade acaba
mostrando que não passa de um irresponsável. Assim no voto, assim nas escolhas,
assim em quase tudo o que faça.
Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com
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