SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



segunda-feira, 27 de agosto de 2012

POESIAS COTIDIANAS (Crônica)


                                  Rangel Alves da Costa*


Uma árvore no meio do mato, numa mataria distante, e numa lasca aberta no tronco dois nomes por cima de um coração desenhado.
O passarinho que se torna visitante do quintal, depois começa a entrar na cozinha, belisca o bolo que foi esquecido descoberto, e mais tarde nem se assusta mais nem alça desesperado voo quando sente a chegada do amigo.
Um sapato, nem tão velho assim, deixado debaixo de um banco de jardim. Quem será o dono, por que deixou ou esqueceu ele ali, será que vai retornar, até quando o sapato será avistado naquele mesmo lugar?
A chuva lá fora, o vento soprando, a natureza sussurrando. A mocinha tristonha no quarto, querendo abrir a janela para voar. E depois se contenta em colocar o rosto juntinho ao vidro embaçado. E o lábio dela fica lá na marca do batom, sentindo frio, pertinho da chuva, se derramando aflito...
Caminhar devagarzinho pela beira da praia ao entardecer, mirando a lonjura das águas, se esforçando ao máximo para não chorar. E avistar um barquinho que vem pequenino, vai crescendo ao se aproximar, mas é trazido pelas ondas sem ninguém dentro dele. Apenas uma flor, uma fotografia e um bilhete. O que estará escrito?
Um lugar distante, uma estrada, uma casa, o silêncio profundo ao redor, a brisa que sopra tristonho, uma janela aberta, um caqueiro de flor morta no umbral. Um caminhante sedento, um toque na porta, uma olhada pela janela, um olhar para a flor morta. Um sorriso. Por quê?
Anos e anos e todos os dias ela fica no cantinho da janela esperando o carteiro passar. Todo dia ele passa e sempre segue adiante. E todo dia ela entristece mais, se toma de angústia e aflição. Até que numa tarde que havia decidido não mais se iludir com esperanças, ouve a voz do carteiro no portão, segurando uma carta na mão. E que momento mágico no olhar ao ler o nome dele.
De vez em quando subir na montanha, na montanha mais alta que possa existir ao redor ou mais distante. E lá de cima, sem pressa alguma para retornar, ter tempo para orar, conversar consigo mesmo, admirar toda a beleza da criação, agradecer por existir e poder apreciar tanto esmero na divina arquitetura, e depois ouvir a voz do Criador.
Não ser poeta, pouco saber de poesia, ter dificuldade na escrita, mas ainda assim se esforçar o máximo, desenhar as letras curvas, rimar amor com dor, flor com sabor, beijo com desejo, e tudo para mais tarde jogar o bilhetinho amassado com o poema na janela de sua amada. E ao encontrá-lo, ela correr feliz até a janela para expor aqueles rabiscos à luz do sol. Também não sabe o que é poesia, nem sequer sabe ler. Mas joga um beijo na direção do apaixonado. E nem Shakespeare alcançaria tamanha perfeição naquele verso tão primoroso.
Uma casa velha, uma tarde velha, uma velha senhora, uma velha cadeira de balança, um olhar tão velho que pouco enxergava adiante. Mas tudo adiante era tão velho, tão conhecido, tão a mesma coisa de sempre, que quando passou um velho ela chamou-o pelo nome do esposo há muito falecido. Mas o velho era tão velho que nem ouviu.
Uma tarde sentada na pedra do cais. Uma revoada azul, uma nuvem com coração desenhado, a ventania que passava e voltava, o horizonte querendo incendiar porque era entardecer. E o mar avançando, a onda trazendo uma garrafa em seu leito. Uma mão segurando a garrafa e cacos de vidros espalhados por cima e adiante da pedra. Um olhar sobre o bilhete e uma lágrima caindo: “Tanto te amo, mas ao ler este bilhete há muito que não mais existo por estes caminhos ladeados de heras, angústias e sofrimentos”.
Nunca ter beijado, e ao primeiro beijo pensar ter voado. Nunca ter amado, e na primeira vez pensar ter voado ainda mais alto. Nunca ter ficado apaixonada, e ao sentir a paixão mais envolvente, pensar ter caído de um lugar bem alto, e por cima da mais dura e cruel realidade da solidão.



Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

domingo, 26 de agosto de 2012

A LENDA DO VENTO AMANTE (Crônica)


                                              Rangel Alves da Costa*


Dizem que numa cidade distante, lugar pacato, de povo humilde e trabalhador, de mulheres sérias e recatadas, de repente a mesmice do cotidiano foi transformada por alguns estranhíssimos acontecimentos.
Ali o namoro era para casamento, viúva fechava o balaio eternamente, moça velha tinha que se contentar com o fogo lhe subindo pelas coxas, não havia traição nem adultério, fornicagens às escondidas nem se falava ou aceitava essa coisa de amante.
Tudo ali era de reconhecida seriedade entre as pessoas. Os pais cuidavam dos filhos de modo a tornar inaceitável qualquer deslize. Namoro só na presença do pai ou da mãe. Com um mês já tinha de firmar compromisso, com mais outro mês o noivado era esperado. Em menos de meio ano de namoro já havia casamento, e numa união para eternidade.
Certa feita uma mocinha solteira apareceu buchuda, grávida sem dizer a ninguém quem era o pai, e teve de sair de casa às escondidas levando somente mala e cuia. A família não aceitou de jeito nenhum uma desonra daquela. Procurou-se de todo jeito saber quem teria sido o malfeitor na honra alheia, porém não houve jeito de encontrar o desvirginador.
Ao ser expulsa de casa, na caminhada sem destino que ia, a mocinha passou na casa de uma velha, já nos arredores da cidade, para contar sua aflição, falar sobre sua inocência e dizer que estava sendo acusada de fazer safadeza sem jamais ter levantado a saia pra homem algum. E disse que somente o sopro do vento era capaz de levantar a roupa pra ver suas coxas.
Ao ouvir a conversa sobre a estranha gravidez e aquelas palavras sobre somente o vento poder levantar a roupa pra ver as coxas e o restante, então a velha fechou o semblante, alargou sobre a face enrugada um aspecto de preocupação, e depois disse apenas que então o tão esperado já estava começando a acontecer.
Sem falar mais sobre esse assunto à mocinha, apenas pediu que sentasse para ouvir que sabia de sua inocência, que ela realmente não tinha nenhuma culpa sobre o acontecido, sobre a tão falada e recriminada gravidez, e além disso também sabia que, embora gestante, ela continuava virgem.
Pediu ainda pra que ela não fosse embora naquele momento porque dali mais uns dias tudo poderia mudar e todo mundo reconhecer o erro cometido ao tratá-la como mulher fácil e pecadora. Esperava que isto não acontecesse tão cedo, mas infelizmente o povo do lugar, principalmente as mulheres metidas a sérias demais, a tomar conta da vida dos outros, a se meterem numa eterna beatice, sentiriam na pele a dor e o vexame do desconhecido. Concluiu a velha senhora.
A mocinha ficou por ali escondida, enquanto de vez em quando a velha ia fazer caminhadas pela cidade e observar a feição do tempo, principalmente sentir como o vento chegava e passava. Conhecia a força misteriosa da brisa, do vento e da ventania, mas sabia que era através do vento que os estranhos acontecimentos se confirmariam.
Numa dessas tardes, logo percebeu o sopro diferente do vento, sua feição matreira e astuciosa, seu jeito sonso de namorador e de inigualável causador de problemas familiares. Estava escrito e assim aconteceria. Um vento safado chegaria por ali de mansinho e durante vários dias e noites sopraria de um jeito diferente debaixo dos vestidos e saias das mulheres, da casada à solteira, e estas engravidariam sem saber de que.
Depois de avistar a mulherada animada, proseando animadamente sentadas nas cadeiras defronte suas casas, retornou ao seu barraco e disse à mocinha que não demoraria para que retornasse com segurança ao seu lar. Diante do aconteceria com as outras, logo seria perdoada e até tratada como a virgem da ventania.
E o vento veio chegando faceiro, perfumado, silenciosamente galante, e onde avistava um par de coxas ia soprar por baixo todo macio, de mansinho, sem causar qualquer alvoroço. E após sua passagem, as mulheres se afogueavam, tomavam uma cor diferente, se danavam a balançar a ponta das saias e a mexer na roda dos vestidos. Era uma sensação prazerosa jamais vista, quase como se um amante estivesse acariciando suas partes baixas.
E a partir do primeiro dia e nos seguintes, o que mais se via eram as calçadas, as praças, as ruas repletas de mulheres sorridentes e contagiadas toda vez que suas roupas eram levemente açoitadas. Algumas chegavam a estremecer, outras a dar gritinhos, e teve até senhora dando chilique cheia de afogueamento.
Mas não demorou muito e algumas começaram a ter os sintomas próprios da gravidez. Mocinhas que jamais namoraram de repente apareceram buchudas para espanto e rebuliço do lugar. E eram tantas que as famílias logo perceberam que a culpa não era delas, mas de algum fenômeno estranho que as faziam engravidar sem jamais terem deitado com homem. Foi quando a mocinha expulsa de casa despontou numa ponta de rua e disse que sabia quem havia engravidado todas aquelas mulheres.
Correram pra cima dela implorando perdão e pedindo por tudo na vida que dissesse quem era o causador daquele pecado todo, daquela desonra maior, daquele terrível constrangimento familiar. E quando ela levantou o olhar, apontou em direção à montanha e disse que era o vento, só se viu mulher juntando as pernas, apertando as saias, segurando o vestido e correndo pra dentro de suas casas.
Depois disso o lugarejo ficou conhecido como a cidade sem mulheres. Com as portas e janelas sempre fechadas, nenhuma se arriscava a deixar nem um soprinho de vento passar. A não ser a velha, que enfim pôde ter aquilo que a mocidade lhe havia negado. E todo dia sentava de saia larga defronte ao seu casebre e ali permanecia até desmaiar de tanto sopro de vento.

  

Poeta e cronista
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Após a sombra (Poesia)



Após a sombra


Juro que pensei
jamais sair da noite
viver além da sombra
abrir a minha janela
e deixar o sol entrar
e confesso do medo
do copo ainda cheio
do verso sem amor
da esperança vã
de imaginar o amanhã
sem abrir a porta
e seguir em tua direção

e não precisei inventar
nem a lua nem o sol
os passos nem as chaves
a coragem nem a decisão
e não precisei porque
enfim aprendi a lição
que é possível caminhar
que é possível alcançar
que é possível até voar
quando o desejo de amar
sai do seu esconderijo
para se fazer palavra
e tornar-se poderoso verbo
a quem mereça ouvi-la.

  

Rangel Alves da Costa

“QUEM PRECISA DA FATIA QUE ERGA BANDEIRA, APLAUDA, BEIJE OS PÉS DO PREFEITO. EU NÃO!”

                   
                                      Rangel Alves da Costa*


Creio continuar com razão ao afirmar que política partidária, principalmente aquela feita em defesa de um candidato, muitas vezes possui o dom de cegar, de retirar do apaixonado eleitor a plenitude de suas faculdades mentais.
Os eleitores apaixonados, fanatizados, quase completamente insanos, passam a agir sem qualquer valorização da realidade ou da racionalidade. Nesse passo, o branco se torna negro, o feio em bonito, o visível adiante em algo completamente desconhecido.
E o pior: toda crítica que é feita ao seu candidato logo é absorvida como afronta, como mentira, como pura aleivosia. O passo seguinte não é nem mais defender seu candidato, erguer sua bandeira, defender suas ideias, mas simplesmente procurar, a todo custo, ferir a honra, a imagem e a integridade de quem se posiciona contra o seu escolhido.
Afirmo isso porque ultimamente venho sendo atacado diante do meu posicionamento político. Exatamente porque falo a verdade em relação ao poder instalado, porque não rezo nem nunca rezarei na cartilha do atual prefeito de Nossa Senhora da Conceição de Poço Redondo, e principalmente porque procuro mostrá-lo como anticandidato, o pior possível para o município, então os ataques chegam de todo lado.
Por mais estranho que possa parecer, mas tais ataques não são de meros eleitores não, mas de gente de minha própria família que anda confundido política com obediência, servidão ou submissão. Porque alguns familiares possuem vínculo empregatício com a prefeitura ou são aquinhoados de outra forma às suas benesses, então acham que devo calar para garantir a continuidade da situação.
Ledo engano. Podem parar por aí. Creio que se estão recebendo da prefeitura é porque têm competência para tal, porque prestam serviços e são reconhecidos pelo que fazem. Mas chegar o ponto de tentarem que eu levante a bandeira do candidato apenas porque tais familiares precisam continuar sendo beneficiados é coisa totalmente diferente. E digo de antemão: jamais me submeteria a isso!
Como costumeiramente se afirma, sou maior, tenho profissão definida, não preciso estar me submetendo vergonhosamente, não preciso de hora pra outra me tornar num insano apaixonado esperando mais tarde receber uma esmola. Isso cabe a quem merecer, a quem acha que viver aos pés do poder é a coisa mais importante na vida.
Minhas posições políticas são claras, objetivas, e as afirmo abertamente sem medo de quem quer que seja. Se digo que Roberto Araújo é o pior candidato não o faço apaixonadamente, por ser contrário ao grupo que faz parte, mas a partir de pontos que já apontei detalhadamente. E a maioria deles está contida num texto intitulado “13 motivos para não votar em Roberto Araújo”.
Não adianta pretender atacar meu posicionamento que não vão conseguir. Não vou ser contra mim mesmo e defender uma causa injusta, maléfica ao município e aos meus conterrâneos, apenas porque alguns familiares trabalham na prefeitura, pensam em arrumar emprego por lá ou simplesmente são uns desavergonhados bajuladores.
Em defesa de minha posição, daquilo que acredito ser o melhor, e também lutando contra o que concebo como pior, sou contra pai, contra irmão, contra quem quer que seja que pense diferente. Mas também respeito o direito que tem cada um de fazer suas escolhas. E por isso mesmo não admito que queiram ferir a minha honra, minha imagem e integridade porque sou contra e mostro porque assim o faço.
Por último, digo que se um anjo mensageiro me chegasse com um pedido para mudar minha posição retornaria desapontado. Sou homem de palavra, sou homem que não abre mão daquilo que acha justo. Quem quiser se vender que se venda. Meu preço é outro e tem o mesmo valor da minha consciência.



Poeta e cronista
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sábado, 25 de agosto de 2012

NUNCA DIGA NÃO (Crônica)


                                                Rangel Alves da Costa*


O jovem discípulo procurou o seu velho mestre, senhor dos anos e da solidão nas montanhas, com uma grande questão a resolver.
Queria saber como agradar a todos, mesmo discordando do que fazem e do que dizem. Então o velho sábio respondeu-lhe num segundo: “Nunca diga não!”.
“Mas eu evito dizer não, meu senhor”. Disse o jovem, ao que o velho prontamente respondeu:
“Já o disse. Na sua resposta havia a palavra não”. O discípulo ficou pensativo por alguns instantes e depois indagou:
“Sim mestre, riscarei tal palavra de minha boca. Mas que outra palavra posso usar para mostrar meu descontentamento e dizer que discordo do que falam, do que pensam ou como agem?”.
E o mestre respondeu: “Transformando toda discordância e todo descontentamento em proveitosa lição”.
“Mas como farei isso, se correrei o risco de concordar com o erro apenas para ser simpático. E não apenas isso, pois...”.
E foi prontamente repreendido: “Nunca diga não!”.
“Sim mestre, aceite as minhas humildes desculpas. Mas como eu ia perguntando, como posso transformar o erro do outro em algo proveitoso sem repreendê-lo, sem prontamente dizer onde está errado para que haja a reparação?”.
E ouviu do sábio: “A recriminação é sempre injusta diante de qualquer pessoa, principalmente quando é levada a efeito apenas para mostrar sabedoria ou superioridade. Ninguém é superior a ninguém, ninguém pode querer ensinar quando lhe falta ciência do que sabe. Assim, é preciso tratar a discordância como algo próprio de quem está capacitado apenas para pensar daquela forma...”.
“E o que farei depois de evitar discordar no momento?”. Questionou o jovem.
“Após demonstrar concordância ainda que discorde de tudo, será preciso mostrar como tudo poderia ser diferente. Evitando o confronto, mostrando que tudo poderia ser diferente de outro forma, certamente que será o caminho para o bom  senso e o entendimento”.
“Mas se a pessoa não tiver discernimento para...”. E teve que silenciar para ouvir do velho mestre:
“Jovem desatencioso, já disse e repetirei mais uma vez: nunca diga não!”. E em seguida pediu-lhe que prosseguisse.
E o jovem perguntou: “E diante do absurdo, como agirei?”.
“Apenas se espante. Não será omissão, conivência ou negligência apenas mostrar a indignação através do semblante. Muitas vezes a feição diz mais do que palavras afobadas e sem medir consequências”.
“E diante da mentira, como farei?”. Indagou o outro. E ouviu:
“Sorria, apenas sorria. O sorriso tem o dom de cortar diamantes, laminar penhascos, dourar a pedra bruta. Do mesmo modo é capaz de desmascarar, de fazer desabar as mentiras, as falsidades e aleivosias. Ora, quem mente odeia encontrar um sorriso à sua frente. Basta sentir e logo saberá que não vingou seu gesto desnaturado”.
“E diante da brutalidade, como agirei para me defender?”
“Verdade que toda ação merece reação, mas esta de modo exemplar. Retorquir violência, brutalidade ou ignorância com as mesmas ou ainda maiores armas apenas despertam a fúria e a sanha inconsequente e impensável escondida no ser humano. Será preciso domar o outro pela palavra, pelo gesto afável, pela não reação descabida...”.
“Mestre, mas o senhor pronunciou aquela palavra...”.
E o mestre reparou: “Sim, eu disse não. E quero que você a diga tantas vezes quando for preciso. Mas primeiro terá de aprender a evitá-la. Conhecendo o não será possível transformá-lo em sim. Mas antes disso nunca diga não!”.

  

Poeta e cronista
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Como nascem as flores (Poesia)



Como nascem as flores


Faltei à escola
no dia da aula de biologia
sobre o nascimento das flores
por isso nunca soube muito
sobre sementes e raízes
sobre caules e pedúnculos
sobre sépalas, pétalas e periantos
sobre anteras e polinização
nem sei como surgem as cores
nem os perfumes e aromas
mas sei como nasce outra flor
num jardim chamado amor

é a mais bela flor que existe
sei pelo sorriso meigo
conheço pela pele morena
sinto pelo perfume do corpo
e o resto fico imaginando
como faz um poeta jardineiro
cantar o nascimento da flor
assim transformada em amor.


  
Rangel Alves da Costa

Navegante (Poesia)



Navegante


Ribeirei a vida
agora ribeiro o mar
beiro areia e praia
beirando pra navegar
as águas chamam
não posso mais esperar
não quero ficar aqui
se meu amor não está
meu querer está distante
está do lado de lá
além das águas adiante
além desse rio-mar
vou procurar uma vela
pra solidão velejar
singrar a noite e o dia
até um porto encontrar
abraçar o meu amor
fazer ela retornar
entrar comigo na vela
nosso cais a esperar
marinheiros dessa vida
tanto amor a nos guiar
na vela na caravela
no barco do seu olhar
um pé firme na areia
uma saudade de mar
uma casa na beirada
um peixe alimentar
a solidão de quem ama
pra nunca mais navegar
acender o candeeiro
felicidade brilhar
veja que lua bonita
deixe ela lá no mar
tenho segredo guardado
nesta noite vou te dar
um segredo de amor
presente de mais amar.


  
Rangel Alves da Costa