SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Lá no meu sertão...


Emancipação Política de Poço Redondo - 25 de Novembro!



Sobre sonhos possíveis (Poesia)



Sobre sonhos possíveis


Se não tiver estrada eu vou de passarinho
se não houver céu eu vou de sonho mesmo
se não tiver chegada eu já estarei lá

se não tiver amor eu amo a mim mesmo
se não houver abraço eu me enlaço em mim
se não tiver doçura eu como de outra fruta

se não tiver manhã eu saio com a lua
se não houver o sol eu chamo vaga-lume
se você não vem eu espero ter saudade

se mesmo assim nada disso venha acontecer
eu reescrevo tudo e escrevo a esperança.

Rangel Alves da Costa


Palavra Solta - um calor terrível



*Rangel Alves da Costa


O calor está realmente terrível. No sertão nem se fala. As altas temperaturas sertanejas sempre existiram, mas vêm se acentuando ainda mais. O solo não possui mais a proteção da vegetação nativa. Os desmatamentos transformaram regiões inteiras em desertos. Numa situação tal, quando a radiação solar desce não há nada que minimize a situação. O sol bate e se espalha em raios chamejantes. O resultado disso é o calor de vulcão a todo instante do dia. Também as estações não existem mais. Ninguém sabe mais se é inverno ou verão, ninguém sabe se é tempo de trovoada ou apenas de sol. E tudo culpa do homem, através de sua sanha destruidora da natureza. Uma terra sem mato, sem árvores, sem folhagens, não há sombra nem proteção alguma. E se torna apenas lugar da fogueira sempre acesa do sol.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

domingo, 18 de novembro de 2018

“MULHER NOVA BONITA E CARINHOSA FAZ O HOMEM GEMER SEM SENTIR DOR”



*Rangel Alves da Costa


Quem não se recorda da letra dessa maravilhosa composição musical? Eis duas estrofes: “Numa luta de gregos e troianos por Helena, a mulher de Menelau, conta a história que um cavalo de pau terminava uma guerra de dez anos. Menelau, o maior dos espartanos, venceu Páris, o grande sedutor, humilhando a família de Heitor, em defesa da honra caprichosa. Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor... A mulher tem na face dois brilhantes, condutores fiéis do seu destino, quem não ama o sorriso feminino desconhece a poesia de Cervantes. A bravura dos grandes navegantes, enfrentando a procela em seu furor, se não fosse a mulher mimosa flor a história seria mentirosa. Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor...”.
O que dizer, então? A mulher que tem o poder sobre o homem. A mulher que tem magia sobre o homem. A mulher que envolve e enlaça o homem na sua teia. A mulher que faz o homem se submeter aos desejos.
E, amando, o homem cede. E, apaixonado, o homem se deixa levar. E, desnorteado pelo encantamento, se deixa levar feito asa ao sabor daquele desejo. Mulher e sereia, mulher e vestal, mulher que sempre possui o dom de domar e dominar o homem.
Por que assim? Ora, pela incompletude do homem em si mesmo e pela necessidade de buscar no outro sexo a sua valia, a sua completude. Mas mulher não é qualquer uma. A diferenciada mulher é exatamente aquela que faz o homem se encantar desde o primeiro instante e muitos mais depois de conhecê-la.
Então a mulher passa a exemplificar o prazer e a alegria, o desejo e a vontade, a volúpia e ânsia, o ter e o ser, o sexo e o querer mais. A mulher passa a ser tão importante que o homem de repente passa a ser subjugado por aquilo que chama e tem como flor.
Mas não apenas a mulher que meramente apaixona o homem e, ao apaixonar, simplesmente faz dele um reles objeto em suas mãos. Mulher que também partilha e compartilhar, que ajuda e progride, que sempre deseja o melhor para os dois. Uma guerreira cuja luta não chama a vitória somente a si.
A letra da música a qual o título se refere fala em mulher nova, bonita e carinhosa. Há uma delimitação na idade, na beleza e no jeito de ser. Contudo, não precisa, necessariamente, que carregue sobre si, e perante uma primeira visão, todas essas virtudes.
Nem toda mulher nova é convite ao desejo do homem. Nem toda mulher bonita consegue atrair o desejo do homem. Mas toda mulher virtuosa pelo carinho, cuidado, afeição, possui consigo a chave do aprisionamento do homem.
Uma mulher nova e arrogante de pouca serventia será senão a sexual. Mulher nova e bestializada em atitudes e ações, nenhum encantamento poderá provocar. Mulher bonita, mas cuja beleza não seja expansiva também em aspectos comportamentais, igualmente será desprezada. E como feia logo será vista.
Desse modo, tem-se que a beleza feminina não está somente na idade, no rosto e corpo bonitos, no seu jeito de se mostrar mulher. A real beleza feminina está numa junção de atributos que somente o tempo e o convívio poderão comprovar.
A beleza feminina não é aquela puramente percebida, mas aquela sentida na própria mulher. Sua beleza está na atitude, está na sensação de prazer e bem-estar transmitidos. Está na honradez e no caráter, na simplicidade e na cordialidade. Ora, quem deseja ter uma beleza apenas como enfeite ou objeto de uso?
A mulher que prende e encanta o homem é aquela carinhosa, afetuosa, meiga, que exala brandura. Uma mulher que dê o prazer do compartilhamento como se o homem estivesse perante um jardim.
Daí a existência de muitas mulheres, mesmo novas, bonitas e carinhosas. Mas a que prende o coração do guerreiro e transmuda sua lança em flor é aquela cuja beleza vá além da aparência. O que encanta, verdadeiramente, é o que a mulher possa aflorar do seu íntimo.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

Lá no meu sertão...


Velho Chico - O rio é deles!





Sem perigo (Poesia)



Sem perigo


Talvez eu seja agrotóxico
tóxico, venenoso
e por isso faço mal
à sua flor vaginal
à sua haste labial
à sua pétala sexual

talvez eu seja poluente
nocivo, malévolo
e por isso não posso
beijar sua boca
tocar os seus seios
desfrutar sua nudez

mas leia na minha bula:
sem contraindicações
e indicado em sintomas
de disfunções afetivas
e necessitando de cuidados
de um amor verdadeiro.

Rangel Alves da Costa


Palavra Solta - o adeus ao Bar de Nanô



*Rangel Alves da Costa


Ainda não tive forças suficientes para me certificar se realmente Nanô fechou o seu bar. É doloroso demais saber disso. Eu sequer bebo casca de pau ou outra fubuia, mas é preciso muita coragem para chegar à famosa avenida e encontrar o afamado bar de portas fechadas. E entristecer e sofrer todas as dores do mundo por não mais encontrar aquele amigo e tão conhecido balcão, e do lado do dentro o mais enjoado e mais querido de todos os vendeirins. Duvido que no mundo inteiro um dono de bar seja mais problemático, mais carrancudo, mais intransigente do que o Velho Nanô. Mas apenas um jeito de ser e uma forma de logo espantar bebedores ruins, pois pessoa de alma doce e de palavra honesta e cativante.  A verdade é que me chegaram com a notícia, mas não pude acreditar. E nem tive coragem de ir até lá. Não existe Avenida Alcino Alves Costa sem o Bar de Nanô, não existe Rua de Baixo nem Rua dos Vaqueiros sem o Bar do Nanô. E certamente não existe Poço Redondo sem o Bar de Nanô. Então, Nanô, se fechou reabra, e pela vida de muitos e do próprio lugar. Poço Redondo já não tem praças, e ficar sem o Bar de Nanô aí já é demais!


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com