SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



terça-feira, 3 de dezembro de 2013

PALAVRAS SILENCIOSAS – 453


Rangel Alves da Costa*


“Que a vida me permita amar...”.
“E amando possa viver melhor...”.
“Imaginar-me abraçado à felicidade...”.
“E feliz confie no amanhã...”.
“Que a vida me traga bons frutos...”.
“Os de pomares e o das necessidades...”.
“Os frutos do que for merecido...”.
“Aquilo que me alimente porque semeei...”.
“Que a vida tenha prazer em ser vivida...”.
“Anunciada como estágio de paz...”.
“Com esperança de dias melhores...”.
“E o renascimento do que pereceu...”.
“Que a vida seja uma família...”.
“E família que não abandona os seus...”.
“De braços abertos para os sedentos e famintos...”.
“Reconhecendo o que há de fazer...”.
“Para os irmãos serem consolados e acolhidos...”.
“Que a vida simplesmente não passe...”.
“Sem olhar para os que estão esquecidos...”.
“Sem esperar pelos que estão desolados...”.
“Sem abraçar os que necessitam de afago...”.
“Eis que há um tempo de felicidade...”.
“Merecido a cada vivente...”.
“Que a vida seja janela aberta...”.
“Com madrigais e versos da natureza...”.
“Esperanças em tudo que floresce adiante...”.
“A brisa boa da grande renovação...”.
“Pois o homem precisa respirar a cada nascer do dia...”.
“E de sua seiva se alimentar para seguir lutando...”.
“Que a vida não entristeça os seus filhos...”.
“Não transborde lágrimas em olhos ressequidos...”.
“Não coloque gritos em bocas aflitas...”.
“Não aceno lenços aos que não merecem partir...”.
“Não cultiva o silêncio no peito...”.
“Nem faça da palavra um gesto de aflição...”.
“Que a vida seja de sol e de lua...”.
“Nem tão pouco nem demais pelo merecimento...”.
“Nem a alegria carregada de dor...”.
“Nem o pão e de repente a sede...”.
“Que tudo seja na medida do homem...”.
“A cada um segundo seu coração...”.
“Compartilhando a bonança existente...”.
“Onde a riqueza seja o ouro da sobrevivência...”.
“Que a vida seja música e canção...”.
“Uma valsa antiga de recordação...”.
“Um bolero de encantar coração...”.
“Um acorde de boa recordação...”.
“Eis que o passado também faz o presente...”.
“Que a vida seja a escola e o professor...”.
“A cada um o seu caderno e a lição...”.
“E a prova maior do conhecimento...”.
“Quando o homem for capaz de dizer...”.
“Que é livre para construir...”.


Poeta e cronista
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

JORNALISTA LUIZ EDUARDO COSTA E A REPUGNANTE DEFESA DE FREI ENOQUE


Rangel Alves da Costa*


Sob a pena do jornalista, secretário de governo e imortal Luiz Eduardo Costa, o ex-prefeito de Poço Redondo, Frei Enoque, é um verdadeiro santo. Santifica-o de tal modo que nenhuma mácula tão própria do ser humano caberia naquele que, segundo lê-se nas entrelinhas, é o mais puro entre os seres humanos, a verdadeira inocência em pessoa.
É até estranho que o ilustre jornalista se esmere tanto na defesa intransigente do “pobre e humilde Frei Enoque”, vez que sempre amigo do poder e dos que estão exercendo funções eletivas. Contudo, o que mais assombra é a cegueira total, absoluta, para não dizer vergonhosa, diante de uma realidade que não pode ser negada sob qualquer aspecto.
Ora, toda a nação brasileira sabe, desde muito tempo, das condenações impostas ao Frei Enoque, tanto pelo judiciário como pelos tribunais de contas. No plano da reincidência, afastada logo está a inocência. E certamente não é tão inocente e imaculado assim aquele que já foi preso, teve contas rejeitadas, respondeu a processos por improbidade, e continua sendo condenado.
Creio que a valorização do ser humano está também no reconhecimento do erro. Mas o que o jornalista Luiz Eduardo Costa quer passar à sociedade é a imagem de um Frei Enoque com caráter inabalável, de absoluta honradez, alguém que não mereceria qualquer pecha de corrupto, ímprobo, mau gestor da verba pública. E porque os magistrados e outros julgadores sempre encontram rastros desviantes da honestidade, então logo o ex-prefeito se torna na pessoa mais injustiçada do mundo.
O povo de Poço Redondo, mesmo aqueles seus eleitores, fanatizados e bajuladores (e que são muitos), sabe muito bem o que se esconde por trás de Frei Enoque, como alguém que desde muito abdicou de seu juramento religioso para enveredar no mundo político e manter o poder a todo custo, e passando por cima de tudo e todos que ousem desafiá-lo. Religioso, pacato, humanista?
Contudo, o que mais se torna repugnante nas afirmações de Luiz Eduardo Costa é o desnorteamento que pretende impor a fatos demasiadamente conhecidos pela sociedade sergipana, e até afrontando a seriedade dos órgãos julgadores. Eis alguns trechos do que o jornalista, sob o título “Frei Enoque ou a dignidade castigada”, escreve na edição deste domingo (1º de dezembro de 2013) do Jornal do Dia:
“Justamente ele, exemplo de vida recatada, de desamor ao dinheiro, de dignidade e de solidariedade humana”;  “um cidadão que é moralmente inatacável”; “Frei Enoque não deixou rombos no orçamento municipal, que ele tirou do bolso o próprio salário para ajudar a manter funcionando bem o hospital, os postos de saúde, que alimentou os pobres, tudo dentro das boas formas como se pratica a caridade cristã”; “Curvem-se (...) à majestade honrada de um homem exemplar, curvem-se e lhe peçam desculpas, talvez perdão”.
Ler tais afirmações causa enojamento, repugnância, verdadeira aversão ao jornalismo compromissado com a inverdade. Só faltava Luiz Eduardo Costa dizer que tão pobre Frei Enoque é que se alimenta das esmolas que os seus fanáticos dão. A pobreza seria mentirosa, mas as esmolas são verdadeiras.
No dia 08/03/2013, o mesmo Jornal do Dia publicava: “A pedido do Ministério Público Federal em Sergipe (MPF), a Justiça Federal condenou o ex-prefeito de Poço Redondo, Enoque Salvador de Melo, conhecido como Frei Enoque, por improbidade administrativa. O processo diz respeito ao mau uso de verbas do Ministério da Educação (MEC) relativas aos programas Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), Dinheiro Direto na Escola (PDDE), Educação de Jovens e Adultos (Peja) e Nacional de Transporte Escolar (PNATE)”.
Já no último dia 13/11/2013 a Assessoria de Comunicação do TCE/SE publicava que “Devido a despesas não comprovadas e ao excesso nos subsídios do prefeito e do vice-prefeito, o Tribunal de Contas do Estado (TCE/SE) decidiu pela irregularidade do período inspecionado de outubro a dezembro de 2009, na Prefeitura Municipal de Poço Redondo, condenando o então gestor, Enoque Salvador de Melo, a ressarcir o valor de R$ 46.725,72, além do pagamento de multa de R$ 2mil pelas falhas formais constatadas. O julgamento ocorreu na sessão da Segunda Câmara ocorrida na manhã desta quarta-feira, 13”.
E basta uma simples pesquisa para conhecer diversas outras condenações impostas a esse deus louvado por Luiz Eduardo Costa. Contudo, talvez até que o ilustre jornalista esteja certo. Os magistrados, promotores e conselheiros dos tribunais de contas deveriam saber que não são humanos os atos praticados por alguém reverenciado como superior, ainda que envoltos no lamaçal da improbidade.


Poeta e cronista
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Eu, que amei... (Poesia)


Eu, que amei...


Não sou mais eu
senão o que ontem amou
e por amor morreu
quando tudo terminou

não sou mais eu
senão o amante esquecido
grão do que se perdeu
num peito adormecido

mas ainda serei eu
e com o amor renascido
dádiva que Deus me deu
se nos teus braços acolhido.



Rangel Alves da Costa

PALAVRAS SILENCIOSAS – 452


Rangel Alves da Costa*


“A estrada é aquela...”.
“Por ela deve seguir...”.
“Mas se arrisca em outra...”.
“Não pode comer isso...”.
“Não pode beber aquilo...”.
“Mas não adianta...”.
“Experimenta e quer mais...”.
“Vê-se em tormentos...”.
“Pede conselhos...”.
“Recebe conselhos...”.
“Mas parece esquecer tudo...”.
“Diante da primeira ação...”.
“Conhece o perigo...”.
“Sabe da existência do precipício...”.
“Ouviu falar dos labirintos...”.
“Imagina sempre o pior...”.
“Mas é por ali que segue...”.
“Para depois reclamar...”.
“Prefere a rebeldia...”.
“Prefere a ousadia...”.
“Prefere fazer errado...”.
“Prefere se arriscar...”.
“Prefere a cegueira...”.
“Fazer tudo ao contrário...”.
“Ensurdece às palavras...”.
“Nega o espelho adiante...”.
“Tudo só acontece com o outro...”.
“Pensa ser forte demais para voltar atrás...”.
“Diz que não se deixa enganar...”.
“Insiste em estar além da razão...”.
“Brinca com coisa séria...”.
“Não valoriza o importante...”.
“Bebe do vinho amargo...”.
“Usa o cigarro em brasa...”.
“Se deixa levar pelo vício...”.
“Se entrega de vez...”.
“E folha se torna na imensidão...”.
“Um sopro de gente...”.
“Um resto de gente...”.
“Qualquer coisa que ontem...”.
“Era a fortaleza...”.
“O poder e a razão...”.
“A dona da ação...”.
“A consciência em pessoa...”.
“A absoluta coerência...”.
“A inteligência e o conhecimento...”.
“A pedra indestrutível...”.
“O ser com sua força máxima...”.
“E agora apenas...”.
“O resto do resto...”.
“A folha ao vento...”.
“O outono sem lágrimas...”.
“O outono sem dor...”.
“E sem a próxima estação...”.


Poeta e cronista
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domingo, 1 de dezembro de 2013

O ACENDEDOR DE LAMPIÕES


Rangel Alves da Costa*


O negrume era total pelas ruas, becos e caminhos. Naquela noite não havia uma só luz se derramando de cima dos postes de madeira. Eis que naquele cair da noite o acendedor de lampiões não apareceu para tornar iluminada a escuridão do lugar.
Naqueles idos, num tempo de cidadelas pacatas, bucólicas e humanizadas, o acendedor de lampiões possuía ofício fundamental. Sem energia elétrica para iluminação, postes de madeiras eram espalhados nos quatro cantos. E em cima deles, descendo como num braço de abajur, a luminária com o bojo para o óleo e o grande pavio por cima.
Depois do entardecer o acendedor se preparava para o seu périplo. E todos os dias, com tempo estiado ou embaixo de chuva, ele tinha de proceder do mesmo jeito. Seguia de poste a poste, descia o lampião com uma vara firme de ponta em gancho, colocava a medida certa de óleo de peixe, acendia o pavio e novamente erguia a luminária acesa.
Depois do último poste fazia o caminho de volta, e atrás de si deixava o lugarejo romanticamente iluminado até o amanhecer. Quando o alvorecer chegava o óleo já havia acabado e o pavio retomava o seu estado de palidez. Mas era uma paisagem encantadora aquela onde a noite fechada tinha de ceder espaço para as chamas amareladas dos lampiões.
Quando as noites eram chuvosas e as ruas ficavam desertas, as águas molhando e escorrendo sobre as pedras negras formavam cenários de beleza sem igual, porém de uma poesia angustiante, como versos de tristeza e solidão que se derramavam no retinto das pedras lavadas. Das frestas das janelas ou através das vidraças embaçadas, as moçoilas de corações aflitos se entregavam aos suspiros saudosos e aos lacrimejos.
O errante da noite parecia um ser estranho em meio ao amarelado da luz. O vagante solitário tinha bons motivos para compartilhar com os lampiões as réstias de seus desamores. O poeta noctívago vivia procurando motivos em cada centelha que se derramava em cada poste. E depois escrevia que em meio à escuridão a chama no lampião é a única esperança viva num sofrido coração.
E do anoitecer ao amanhecer era assim, a mesma paisagem pelos quatro cantos, a calma reinando pelos arredores, o silvado da ventania se tornando a voz em meio ao silêncio quase total. Poucas pessoas pelas ruas, sentadas nos bancos das praças, conversando pelas calçadas, até as portas e janelas irem se fechando uma a uma. E ninguém mais era avistado cruzando aquelas paisagens. A não ser os errantes, os noctívagos, os poetas e solitários.
As pessoas surgidas pelas ruas e praças quase não modificavam o aspecto solitário e vazio daquelas noites. E talvez por isso mesmo aqueles instantes de calmaria e solidão se tornavam tão encantadores, principalmente na moldura propiciada pelos lampiões derramando suas cores amareladas. Olhando de uma janela qualquer, o que se via adiante e mais distante eram chamas douradas que no intuito de propiciar vivacidade acabavam entristecendo calçadas e ruas.
Mas naquela noite não havia uma só luz se derramando de cima dos postes de madeira. Eis que naquele cair da noite o acendedor de lampiões não apareceu para tornar iluminada a escuridão do lugar. O tempo foi passando, o negrume aumentando, até tudo ficar no mais retinto breu. Nem o lampião da lua apareceu nessa noite. Nenhuma estrela, nem um só vaga-lume.
As portas e janelas se fecharam mais cedo, tudo ficou deserto antes da hora. Mas o poeta, o errante, o noctívago e o solitário, açulados diante das inexistentes paisagens, logo seguiram em busca de explicações com o responsável pela iluminação noturna, o acendedor de lampiões.
Encontraram-no sentado ao redor de uma mesa, sob a chama de um candeeiro, escrevendo uma longa carta. Estava com o rosto crispado de tanta tristeza, com olhos lacrimejantes e parecendo tão distante da realidade, que os visitantes temeram fazer alguma indagação. Mas não precisava, pois o homem soprou e apagou o pavio do candeeiro, para em seguida dizer:
“Cansei de acender lampiões e saber que as pessoas saem pelas portas dos fundos em busca da escuridão. Quem saiam pelas portas da frente e, na luz que ilumina o caráter e a honestidade, avistem o que desejam encontrar perante o que a noite astuciosamente oferece”.


Poeta e cronista
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O poeta (Poesia)


O poeta


Não sou ainda
nem sei se serei
o poeta que tanto
gostaria de ser
o poeta do amor
da palavra bonita
da estrofe atraente
da rima perfeita
mas principalmente
o poeta entendido
lido e admirado
pela musa presente
em cada retrato
moldurado em verso

por isso tanto temor
em jamais ser o poeta
do verso ao coração
aquele que ama
e amor inspiração
eis que meu verso
aprendeu a solidão.



Rangel Alves da Costa

PALAVRAS SILENCIOSAS – 451


Rangel Alves da Costa*


“O sábio se alimenta do que ainda não sabe...”.
“Os pingos não molham que não sente a chuva...”.
“O servo é amigo do amigo rei...”.
“A promessa compromete a ação...”.
“No cálice de vinho há um despertar de mistérios...”.
“O feitiço do tempo se desfaz no passado...”.
“As brumas são jardins para valentes cavalheiros...”.
“Da janela o quarto é uma prisão...”.
“O velho conhece sua idade pela saudade...”.
“O velho artesão entalha sua eternidade...”.
“De orvalho em orvalho se faz uma tristeza...”.
“Ninguém sabe fechar a janela dos sonhos...”.
“O hoje incompleto não acorda o amanhã...”.
“A sede encontra na moringa uma fonte dourada...”.
“As letras ao vento formas poemas soltos...”.
“Dizem que a manhã adormece ao entardecer...”.
“A bela princesa tem um coração campesino...”.
“O Deus da montanha se estende na paisagem...”.
“Eis que a morte não fecha os olhos...”.
“O silêncio fala tão intimamente que seus gritos ecoam no coração...”.
“Ser poeta é não ser a realização...”.
“Os grãos semeados nunca envelhecem na terra...”.
“O velho diário chora na solidão...”.
“Há os que navegam em barcos no telhado...”.
“Uma flor no cais, tristeza demais...”.
“Uma boca amada é doce fruto no pomar...”.
“A nudez é mais apreciável vestida...”.
“Dizem que fechou a janela depois de pular para a morte...”.
“Há uma estranha relação entre o sol e o girassol...”.
“A brancura do cafezal anoitece em negrume...”.
“Os vícios mundanos são todos humanos...”.
“Todo trem deveria ter lenço à mão...”.
“A solidão é tão só que não cabe nenhum solitário...”.
“Uma vela acesa e tantas luzes adiante...”.
“O silêncio da oração é cantiga de anjo...”.
“Há razão de ser em tudo e em toda existência...”.
“Os lobos não uivam em companhia...”.
“As sombras carregam o mesmo sol...”.
“Atirou a lança e depois fez de alvo seu coração...”.
“O outono se basta com poucas cores...”.
“Há poesia em cada vidraça embaçada...”.
“Decifrai os mistérios do coração e amarás o universo...”.
“Todos são iguais até que todos se sintam diferentes...”.
“Ter a metade exige o esforço da composição...”.
“As pessoas dos livros precisam ser visitadas...”.
“De fragilidade em fragilidade, o homem se transforma em pó...”.
“Tudo deve estar pior em algum outro lugar...”.
“Somente os loucos dão importância à força da lua...”.
“Os versos que não escrevi podem ser lidos em alguém...”.
“Derrame o vinho sobre a noite. E beba-a.


Poeta e cronista
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