SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



terça-feira, 3 de junho de 2014

PALAVRAS SILENCIOSAS – 629


Rangel Alves da Costa*


“Gente é coisa importante...”.
“Já dizia meu avô...”.
“E todo jeito e toda cor...”.
“Uma gente que luta...”.
“Um povo trabalhador...”.
“E desde então...”.
“Como cumprindo sua missão...”.
“Do povo fiz devoção...”.
“E canto com toda louvação...”.
“Porque respeito o homem...”.
“Gente é para ser respeitada...”.
“Do que leva a caneta...”.
“Ao que só lê com a enxada...”.
“Daquele de casarão...”.
“Ao da tapera destelhada...”.
“Gente de raça e etnia...”.
“De crença e religião...”.
“Pois tudo ser humano...”.
“E tudo um irmão...”.
“Do mais novo ao idoso...”.
“Do moreno ao alourado...”.
“Pois não há cor na pessoa...”.
“Mas sua raiz na pele...”.
“Raiz de herança antiga...”.
“De nome e sobrenome...”.
“De geração e família...”.
“Tudo com sua importância...”.
“Na vida e no viver...”.
“Mesmo sendo pobre...”.
“Mesmo sendo analfabeto...”.
“Mesmo sendo excluído...”.
“Pois gente do mesmo jeito...”.
“E merecedor de respeito...”.
“Pois igual a qualquer um...”.
“Mesmo que o outro não queira...”.
“Eis que não passa de besteira...”.
“Sentir-se maior que o outro...”.
“Quando os caminhos da vida...”.
“Acabam ensinando a verdade...”.
“E mais cedo ou mais tarde...”.
“O forte implora ao fraco...”.
“Pede perdão e salvação...”.
“E certamente terá...”.
“Pois egoísmo e arrogância...”.
“Não nasceu pra ser do homem...”.
“Senão uma distorção encontrada...”.
“Naqueles que perderam a humildade...”.
“E todos os conceitos seus...”.
“Por esquecimento de Deus...”.


Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

segunda-feira, 2 de junho de 2014

UM POVO DE FÉ, UMA JUVENTUDE SEM DEUS


Rangel Alves da Costa*


Certamente que os caminhos percorridos pela vida, os encontros e desencontros no curso da estrada, aliados à sabedoria adquirida e ao aprofundamento da espiritualidade, são alguns dos muitos fatores que vão tornando as pessoas mais crentes e temerosas, despertadas para a religiosidade e devotadas aos ofícios da fé. Assim, talvez a idade vá despertando no ser a necessidade de aproximação maior da religiosidade como forma de remição dos erros, proteção das ameaças do mundo e clemência divina no além.
Não obstante isso, a intensificação da fé e do acompanhamento das sagradas escrituras, com seus preceitos e fundamentos, surgem quase como uma necessidade espiritual para muitos. Longe de beatismos e exageradas devoções, muitas pessoas, principalmente aquelas de idade mais avançada, além do culto íntimo do divino e das santidades, vão buscar nos ofícios religiosos e nas palavras dos sacerdotes a confirmação de suas experiências de fé.
Assim, as experiências de fé vão se acumulando na existência e se tornam mais reconhecíveis quando a pessoa passa a buscar a comunhão entre sua devoção pessoal e as respostas obtidas na igreja. Desse modo, a igreja não é vista apenas como um lugar de missas, ofícios e orações, mas principalmente como um espelho de toda a sacralidade que o indivíduo precisa absorver espiritualmente. Quem ultrapassa a porta de um templo não objetiva apenas presenciar uma missa ou fazer confissão, mas encontrar um significado espiritual muito mais profundo.
O reconhecimento da igreja como meio de fortalecimento espiritual, contudo, não se dá sem o pressuposto da fé, da religiosidade em si. E é por isso que a clientela religiosa é na sua grande maioria de pessoas com longos caminhos já percorridos na vida, conhecedoras das flores e espinhos da estrada, e que se amparam na religiosidade porque reconhecem a fragilidade humana para resolver os problemas surgidos. Mas também para devotar sua crença divina e enfim reconhecer a supremacia dos poderes de Deus.
Nesta perspectiva, logo a conclusão que a maior parte da juventude vai trilhando seu percurso sem ao menos pensar na religiosidade como força essencial e propulsora da caminhada, na tomada de atitudes e na concretização de objetivos. A Bíblia nem sempre desperta interesse, os sinos das igrejas e catedrais não possuem significado algum, as missas e os ofícios religiosos são coisas de velhos e menos interessantes que passeios, baladas e curtições. Logicamente que nem todos os jovens pensam e agem assim.
Mas a maioria, infelizmente, tem a religiosidade, a fé, a crença, a devoção e a obediência aos preceitos sagrados como fatores de menor importância. Preceitos como santíssima trindade, sacramento, eucaristia, comunhão e evangelização, são quase sempre desconhecidos ou tidos como coisas de devotos e beatas. E inusitadas serão as respostas se houver indagação acerca de Deus, Jesus Cristo, santidades e anjos. Conhece o pecado por outros fundamentos, mas não pelo sentido religioso.
Uma ou duas vezes por semana, sempre ao entardecer, me dirijo aos templos católicos situados no centro da cidade. Geralmente acompanho a missa do final da tarde na Catedral Metropolitana e, um pouco mais tarde, a missa da Capela de São Salvador. Chego sempre mais cedo e fico na frente da catedral observando a paisagem e tudo que acontece ao redor. E vejo jovens passando alegres, contentes, fazendo uma reverência de vez em quando, mas dificilmente algum subindo os degraus para adentrar no templo.
Por consequência, são raros os jovens que podem ser avistados durante a celebração da missa. Os que se fazem presentes já saíram de seus destinos com direção e objetivo certos, vez que deixam outros afazeres para aquele momento especial de alimentação da fé. Mas o mesmo não ocorre com outros que apenas passam diante da igreja como caminho comum e, mesmo com tempo suficiente para assistir uma missa, sempre preferem seguir adiante para outros compromissos. E talvez muito mais importantes, segundo suas propensões.
Sem a presença da juventude nos ofícios religiosos, sem que os jovens estejam também como ouvintes dos ensinamentos dos evangelhos, a igreja se torna como um jardim sem suas flores mais belas. Ora, a juventude é seiva e essência do mundo, é de onde brotam as esperanças de realização para um futuro melhor, é a verdadeira pétala que carrega aroma e perfume da grandeza da vida. E a igreja necessita dessa presença no seu jardim, eis que estão nos jovens as sementes das boas colheitas.
Por outro lado, quando se tem o jovem distanciado da fé, afastado da religiosidade e ausente da igreja, desconhecendo ou negligenciando os preceitos sagrados, não significará apenas a sua desproteção espiritual. No espírito fraco e na ausência de Deus estarão abertos os portais para os malefícios do mundo. E é por isso que se corre o risco de não apenas se ter uma juventude profana e pecadora, mas principalmente tomada dos males sociais já tão conhecidos por todos.


Poeta e cronista
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Lua (Poesia)


Lua

Noite
e a saudade sua
a face distante
na lua

silêncio
serena está a rua
vejo seu olhar
na lua

pensamento
e vem todo querer
quero ter a lua
em você

saiba
minha vida é sua
dê-me com a noite
sua lua.


Rangel Alves da Costa

PALAVRAS SILENCIOSAS – 628


Rangel Alves da Costa*


“Ora, basta seguir o exemplo...”.
“Se o tempo passa...”.
“Os anos seguem adiante...”.
“As horas vão adiante...”.
“Tudo incansavelmente vai...”.
“Então por que vou ficar aqui?”.
“Ora, basta olhar no espelho da vida...”.
“Se o vento passa...”.
“Se a nuvem vai caminhando lá em cima...”.
“Se o rio vai correndo...”.
“Se o vendaval é apressado...”.
“Se a revoada busca uma direção...”.
“Então por que vou ficar aqui?”.
“Ora, basta olhar ao redor...”.
“As pessoas seguem adiante...”.
“Os carros trafegam de lado a outro...”.
“Os pássaros voam no céu...”.
“Os aviões voam lá em cima...”.
“O pó e a poeira dançam pelo ar...”.
“A manhã caminha para o dia...”.
“A tarde caminha para a noite...”.
“O sono vai percorrendo o sonho...”.
“O sonho chega impulsivo...”.
“O corpo adormecido parece voar...”.
“Então por que vou ficar aqui?”.
“Ora, em tudo uma fronteira e caminho...”.
“Um passo e uma estrada...”.
“O instante já passou...”.
“Amanhã logo será distante...”.
“As coisas envelhecem na caminhada...”.
“Nada se eterniza no mesmo lugar...”.
“Há um constante ir...”.
“Um inevitável partir...”.
“Então por que vou ficar aqui?”.
“O relógio passa...”.
“O calendário passa...”.
“Passa o mês, passa o ano...”.
“O que ainda não passou passará...”.
“Pois tudo há de passar...”.
“Há de seguir em frente, de caminhar...”.
“E por que vou ficar aqui?”.
“Antes que a morte passe adiante...”.
“E porque a vida me deixa passar...”.
“Então vou fechar a porta...”.
“Vou fechar a janela...”.
“Arrumar a mala...”.
“Ultrapassar a cancela...”.
“E seguir caminho...”.
“E apressado...”.
“Antes que tudo passe...”.


Poeta e cronista
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domingo, 1 de junho de 2014

VIDA - UM INSTANTE, APENAS...


Rangel Alves da Costa*


No percurso da vida e no contexto da existência humana, não somos mais que um instante, apenas. Uma vela flamejando ao vento, uma fagulha apressada. E depois as cinzas no tempo.
Ao homem não foi permitido viver além do seu tempo próprio, e por isso não lhe cabe pensar em eternidade ou imortalidade. Apenas viver seu tempo de vida, que é quase nada.
E o homem vive quase nada diante da infinitude de outras idades. Daí que a duração de sua vida sequer se torna suficiente para concretizar a maioria de seus planos. Tudo rápido, passageiro demais.
Viver oitenta, noventa, cem anos ou mais, é viver muito? Na idade do mundo não seria sequer a fuligem do minúsculo e invisível pó.
O tempo de duração do homem é tão curto que saindo de um ponto, o de nascimento, logo vai seguindo para o seu ponto final, a morte. Mesmo que não se aviste de um ponto a outro, muitos têm pressa de alcançar.
É ilusão pretender ser grande demais na curta duração da existência. Os egoísmos, as vaidades, as soberbas e egocentrismos se vão e permanece ainda viva e imponente a velha árvore relegada ao esquecimento. E quanto tempo perdido com ostentações egoísticas!
A imensa maioria não aceita, mas no universo a idade do ser humano tem menor significado que milésimos de segundo. Praticamente não existe. Quer dizer, o homem é tão passageiro que nenhuma falta faria na contagem do tempo.  
A grande explosão do universo, ou Big Bang, ocorreu acerca de 13,9 bilhões de anos atrás. A Terra possui cerca de 4,56 bilhões de anos. Os dinossauros foram dizimados da terra há 65 milhões de anos. E qual a idade do indivíduo diante de números tão grandiosos?
Para se ter outra ideia, há uma idade antes e depois de Cristo. Há uma idade da pré-história ao mundo contemporâneo. E tudo isso implica numa imensidão de anos. E qual a idade do homem no seu percurso de existência?
A vida humana é apenas um limite, um instante entre o nascer e o morrer. Por mais que esse instante se alongue, ainda assim será muito pouco diante do permitido pela vida a outros seres.
Da infância à velhice, apenas um rápido percurso. E o velho lembra como se fosse ontem de sua infância, eis que sequer houve tempo de esquecer.
Não importa que o indivíduo viva poucos dias ou ultrapasse os cem anos. Ainda assim terá vivido quase nada. E como tal logo será esquecido. E assim acontece porque o tempo histórico, os percursos e as rápidas transformações vão devorando tudo.
Ora, se o golpe militar parece que foi ontem e já se vão cinquenta anos; se o fim do século parece que foi ontem e já se vão quatorze anos; se a ceia de fim de ano parece que foi ontem e já se vão cinco meses, então que se imagine um mero tempo de vida nesse contexto.
Contudo, se por um lado a vida humana não vá além de um instante, não significa que não possa ser vivida de forma que se prolongue na própria história. E mesmo a morte não consiga apagar os rastros da existência.
Igual a todo ser, o tempo de vida de Einstein, por exemplo, foi apenas de um instante. Igualmente o de Leonardo da Vinci, Gandhi e tantos outros. Mas o que eles fizeram com os instantes de suas vidas?
Isto demonstra que os instantes da vida podem e devem ser aproveitados de tal modo que nada consiga apagar a felicidade e o prazer de tê-los vivido. E o reconhecimento possa se eternizar. 
Eis o grande segredo: reverter a vida como instante para uma vida vivenciada a todo instante. Ou ainda persistir para que cada instante da vida se torne num grande momento. E até com feitos que se perpetuem.
De qualquer modo, jamais deixe de fazer e até sonhar sob a alegação de que a vida não passa de um instante. Imagine-a, sim, como instante, mas cada um que você possui para eternizar suas realizações.


Poeta e cronista
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Viagem na solidão (Poesia)


Viagem na solidão


Quando o silêncio calou minha voz
e o meu canto foi do meu peito algoz
fiz da tristeza um vento em viagem
e da saudade a tua feição em miragem

e chegaste com as estrelas da noite
esvoaçando como pétalas em açoite
de braços abertos para o corpo abraçar
tocando meu lábio para a boca beijar

e dançamos a valsa no imenso salão
dois corpos se amando em sofreguidão
até que a manhã despertasse do sonho
e o meu olhar novamente tristonho.


Rangel Alves da Costa

PALAVRAS SILENCIOSAS – 627


Rangel Alves da Costa*


“Loucura, a síntese de tudo...”.
“Somente os loucos são normais...”.
“Ou não?”.
“Quem tem a mente mais sadia...”.
“Aquele que joga pedra...”.
“Ou que joga o carro por cima de alguém...”.
“Aquele que namora a lua...”.
“Ou decreta a guerra?”.
“Aquele que fala sozinho...”.
“Ou que vocifera para humilhar?”.
“Aquele que faz da nudez um estado...”.
“Ou quem faz da nudez uma lascívia?”.
“Aquele que dialoga com a pedra...”.
“Ou aquele que destrói florestas?”.
“Aquele que vive sorrindo...”.
“Ou o carrancudo e ignorante?”.
“Aquele que lhe mostra a língua...”.
“Ou o que aponta uma arma?”.
“Aquele que lhe mostra o dedo...”.
“Ou aquele que lhe ameaça?”.
“Aquele que dança com as flores...”.
“Ou aquele que faz emboscada?”.
“Aquele que nada conhece...”.
“Ou que se faz de desconhecido?”.
“Aquele que come barro da parede...”.
“Ou o que destrói a casa inteira?”.
“Aquele que quer voar...”.
“Ou o que assalta e mata?”.
“Aquele que é somente inocência...”.
“Ou aquele esperto demais?”.
“Aquele que vaga na insônia...”.
“Ou o que vaga na noite para o mal?”.
“Aquele que dá adeus ao vento...”.
“Ou o que mata o passarinho?”.
“Aquele que beija o nada...”.
“Ou aquele que devasta a vida?”.
“Aquele que está sempre o mesmo...”.
“Ou o que se modifica para pior?”.
“Quem é doido?”.
“Quem é o normal?”.
“Quem é o louco?”.
“Quem é o sadio?”.
“O louco possui um mundo próprio...”.
“O normal toma o mundo do outro...”.
“O doido só quer viver...”.
“O sadio impede a vida do próximo...”.
“O louco ficaria maluco se ficasse são...”.
“E o sadio sequer se reconhece no extremo da loucura”.


Poeta e cronista
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