SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Amor com dengo e cafuné (Poesia)


Amor com dengo e cafuné


O amor ama
ser amado assim
com dengo
com cafuné
com beijinho
com afago
com olhar de ternura
com balanço de rede
com gestos sublimes
com afeição

e assim
porque o amor
é singelo
é humilde
quer apenas amar
e se contenta
apenas amando
como copo de água
ou pedaço de pão
que é tão pouco
mas é tudo.


Rangel Alves da Costa

PALAVRAS SILENCIOSAS – 741


Rangel Alves da Costa*


“Acredito no amor...”.
“Não no amor desejo...”.
“Não no amor paixão...”.
“De entregas e buscas...”.
“Eis que nada disso é amor...”.
“Mas no amor compromisso...”.
“No amor existencial...”.
“No amor espiritual...”.
“No amor humanista...”.
“No amor essência...”.
“Aquele amor apenas revelado...”.
“Pela ação e conduta...”.
“O amor da fraternidade...”.
“Do compartilhamento...”.
“Do companheirismo...”.
“Da piedade da devoção...”.
“O amor sublime...”.
“Amor afeto e afeição...”.
“Amor doçura e singeleza...”.
“Amor ternura e meiguice...”.
“Sim, aquele amor...”.
“De palavras sábias...”.
“De palavras confortantes...”.
“De gestos e afetos...”.
“De ouvir para entender...”.
“Um amor de satisfação...”.
“De fazer cafuné e brincar...”.
“De afagar carinhosamente...”.
“De mostrar preocupação...”.
“De fazer sentir falta...”.
“E de não se esquecer de voltar...”.
“Oh, tão doce é o amor...”.
“No momento da enfermidade...”.
“Ao lado do leito...”.
“Na presença constante...”.
“Fortalecendo o outro...”.
“Mostrando que a luz irradia...”.
“Tão belo é o amor assim...”.
“Que refoge ao amor pelo outro...”.
“Para amarmos a nós mesmos...”.
“Vez que o prazer é tamanho...”.
“Que nos sentimos abençoados...”.
“Cheios de luz e de fé...”.
“E com o coração tão agraciado...”.
“Que até esquecemos de amar...”.
“Para ser o amor na essência...”.
“Que esquecemos que estamos apenas agindo...”.
“Pela certeza de também somos deuses...”.
“Ou a força amorosa e constante...”.
“Do nosso Deus maior...”.


Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

terça-feira, 23 de setembro de 2014

HORÁRIO ELEITORAL E A CARA DE PAU


Rangel Alves da Costa*


Há quem suporte acompanhar o horário político eleitoral e, mais ainda, prestar atenção nas falas dos candidatos. Os seus defensores sempre alegam que é a oportunidade de o candidato apresentar suas propostas, se tornar melhor conhecido pelo eleitor e, no caso de reeleição, prestar contas das realizações no seu mandato. Já outros, diante das mesmices, das mentiras e das promessas irrealizáveis, comungam da ideia de que bastaria trazer de volta a Lei Falcão: mostrar o retrato, o número, e pronto. E quanto mais rápido melhor.
Ainda outros possuem uma proposta ainda mais radical. Ao lado das exigências antidemocráticas ainda em pleno vigor no país da democracia, como a obrigatoriedade do voto e a transmissão da Voz do Brasil, o horário político eleitoral deveria ser expurgado de vez dos lares brasileiros. Quem quiser se tornar conhecido e reconhecido nas urnas que trabalhe cotidianamente para tal, vez que o trabalho em prol da comunidade possui voz própria que não precisa ser forçadamente relembrada.
Contudo, são apenas impressões da população perante a proximidade de cada pleito e a busca incessante de votos pelos candidatos. Igualmente às obrigatoriedades citadas, as falações do horário eleitoral continuarão por muito tempo. E por um único motivo: o voto. Há obrigatoriedade de voto porque o candidato precisa ser votado; há obrigatoriedade da Voz do Brasil porque o governo, os senadores e deputados precisam ter seus nomes citados para serem votados; há propaganda eleitoral no rádio e na televisão pelo mesmo motivo. Desse modo, não há interesse algum do governo ou do parlamento modificar aquilo que lhe favoreça na aquisição do sufrágio.
Contudo, diante de sua dolorosa perenidade, alguma iniciativa popular deveria tentar transformar em lei a proibição de certos comportamentos dos candidatos. Alguns aspectos seriam de relevância: proibir que postulantes afirmem que vão fazer aquilo que não é de sua competência; proibir que candidatos ao legislativo se comprometam em oferecer moradia para todos, acabar com o desemprego, proteger integralmente os idosos e as crianças, acabar de vez com os problemas da saúde e da educação; proibir que os postulantes aos cargos majoritários sequer citem ou critiquem os adversários, vez que a decisão será do eleitor.
Considerando ainda que o horário eleitoral continuará como  penosa sina, mas que muitos se sentam diante da televisão até com bebida e pipoca, de bom alvitre que estes tomassem algumas precauções. A não ser para tomar conhecimento das novas caras que vão surgindo nem precisaria ouvir os relatos biográficos, as propostas e as promessas, eis que tudo repetido de outras eleições passadas. Sempre repetem as velhas e repugnantes fórmulas. Quase todos tiveram origem humilde, são trabalhadores, honestos e honrados, mas que principalmente abraçaram a causa política para lutar pelo povo, proporcionar-lhe saúde, emprego, moradia e dignidade. Alguém já ouviu isso no século passado?
Aqueles velhos conhecidos dos metiês partidários, nomes demasiadamente experimentados de outros pleitos ou mesmo no exercício de função parlamentar, ainda assim nada realmente novo conseguem apresentar. E assim acontece porque esgotaram seus rosários de promessas não realizadas, de compromissos não cumpridos com a população. Os mais sinceros ainda dizem que pretendem se eleger novamente para continuar lutando pela melhoria de vida da população, sem adentrar em pormenores. Mas fato é que muitos são eleitos e reeleitos, e por diversas legislaturas, e a continuidade da luta não apresenta qualquer resultado visível.
De qualquer modo, releva observar os discursos antagônicos lançados pela maioria dos deputados federais que são candidatos à reeleição. Pelo afirmado, a atuação parlamentar se transformou numa luta titânica para conseguir recursos. E ecoam por ter enviado tantos milhões para obras em tais e tais municípios, ter amealhado vultosos recursos para pavimentação de diversas localidades. Mas não dizem que tudo foi conseguido através de emenda parlamentar e que a apresentação de emendas é o mínimo que um deputado pode fazer. E têm de apresentá-las ao orçamento para obter verbas para os seus redutos eleitorais. É apenas um dever enquanto parlamentar, e não algo como se fosse coisa do outro mundo.
Outros discursos servem apenas para mostrar o quanto acreditam na ingenuidade, na ignorância e no esquecimento do eleitor. Assim ocorre, por exemplo, quando ecoam o discurso do novo, da transformação e da esperança. Do mesmo modo quando afirmam que fazem política não por profissão, mas por compromisso, ou quando dizem que se voltarão unicamente aos anseios da população ainda que para tal discordem do governante. Apenas falação, apenas conversa pra boi dormir, vez que político só é transformador enquanto não eleito, só é novo enquanto não se inicia nas velhas e conhecidas práticas.
A maioria dos próprios candidatos sabe muito bem que o discurso se distancia muito da realidade. Nenhum eleito, até mesmo porque vinculado a uma base partidária, consegue fazer sozinho qualquer verão. E por mais que assuma o mandato revestido da pureza do trigo, no momento seguinte já estará em meio ao joio. E de difícil separação na política. E o que infelizmente se vê é a prevalência da máxima do porco e do farelo. Quem entra na pocilga é logo atraído para se misturar e comer do mesmo prato. A incongruência é que os que rejeitam compartilhar nem sempre são reconhecidos pelo eleitor.

Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

Da solidão (Poesia)


Da solidão


Ao longe
a porta fechada
mais próximo
a janela fechada
já no portão
a vida em nada

cadê meu amor
cadê minha flor
cadê seu olhar
cadê seu falar
cadê meu abraço
o corpo em laço
dizer do amor
cadê minha flor

chega um dia
em que a solidão
torna em loucura
a imaginação
e se vai à procura
de uma paixão
vazia e obscura
como a desilusão.

Rangel Alves da Costa

PALAVRAS SILENCIOSAS – 740


Rangel Alves da Costa*


“Mesmo com a grandeza da existência...”.
“Somos muito pouco...”.
“Somos quase nada...”.
“Apenas um grão...”.
“Uma poeira ao vento...”.
“Ao sopro dos acontecimentos...”.
“Eis que o homem...”.
“Não considera o homem...”.
“Eis que o próximo...”.
“Às vezes se mostra um estranho...”.
“Aquele a quem deu a mão...”.
“Agora se faz de esquecido...”.
“Aquele que foi saciado...”.
“Alimentado e acolhido...”.
“Nem sempre o reconhece mais...”.
“Desventuras do tempo...”.
“Marcas da existência...”.
“Causas e consequências do homem...”.
“Ora, a vida é fato primoroso...”.
“Difícil crescer e desenvolver...”.
“Sonhar e lutar...”.
“E de repente a insanidade...”.
“Ou a máxima covardia do outro...”.
“Deixa em pranto a família...”.
“E um adeus antes do fim...”.
“E tudo partindo da violência...”.
“Da brutalidade sem fim...”.
“Tudo frio de corações maldosos...”.
“De sentimentos perversos...”.
“E de arrogâncias em tudo...”.
“Assim o homem...”.
“Assim aquele que deveria ser...”.
“A imagem e semelhança...”.
“Da bondade e do amor...”.
“Da amizade e do compartilhamento...”.
“Do respeito e união...”.
“Pois da imagem de Deus...”.
“Assim o homem...”.
“Que reconhece a dor e não a prece...”.
“Que sente o pranto e não o valor da oração...”.
“Que conhece as consequências e reincide...”.
“Que não valoriza a si mesmo...”.
“E muito menos ao próximo...”.
“Que abra a janela...”.
“Que sinta o calor da vida...”.
“Que abrace o mundo com gratidão...”.
“E procure lembrar-se do grão...”.
“Do grão e do nada que é...”.
“E da ventania que lhe rodeia...”.
“Sem o seu Deus que permita ficar...”.


Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

MANIA DE DOIDO


Rangel Alves da Costa*


Segundo os livros, mania é um hábito levado ao extremo; é a obstinação por gestos, atitudes ou gostos estranhos. É a tal da esquisitice em determinados comportamentos. E tudo mundo é propenso a isso, mas ao doido é imputada a maestria nas manias e atitudes pra lá de extravagantes. Por isso mesmo que diante de uma esquisitice praticada logo se diz que a pessoa está com mania de doido.
O doido realmente exagera nas suas excentricidades, extravagâncias, nos desarvoramentos. Mas a sua insanidade, loucura ou manifestação de qualquer distúrbio logo revela sua propensão para a tomada de atitudes tidas como exacerbadas. Logicamente que não é comum alguém encher as mãos de pedras e ficar horas e mais horas esperando alguém passar para arremessá-las. Mas assim acontece no conhecido doido de pedra.
Mas tem gente tida como normal que faz igual ou pior. E assim porque não está presente o aspecto da loucura enquanto distúrbio psiquiátrico. Naquele realmente louco tudo se justifica, ainda que diante de uma atitude demasiadamente extremada, mas não diante de uma ação pensada e refletida de uma pessoa em pleno gozo de suas faculdades mentais. E não raro que em situações tais, de destempero ou maluquice, a pessoa seja considerada também doida, mas por outros fundamentos.
E logo se diz que só pode estar completamente doida aquela que faz da vida e do corpo um reles laboratório para todos os tipos de experiências. E espalha-se que só pode estar com algum problema mental aquele jovem que abandonou o estudo e a família para enveredar pelos caminhos das drogas. E mais: só pode estar maluca aquela zinha que engravidou sem sequer saber o nome do pai; só pode estar de juízo mole aquele que mal tem de comer e beber e mantém um carro na sua garagem. E por aí vai.
Tais loucuras são proclamadas pelas atitudes estranhas tomadas por pessoas tidas e havidas como normais. Contudo, outras saem da esfera do desacerto na vida para entrar na esfera da loucura própria do doido, ou seja, para agir como se desajuizado realmente fosse. Só pode estar completamente sem juízo aquele que ameaça agredir o outro somente porque pareceu lhe olhar. Só pode estar maluco de pedra aquele que joga comida envenenada no quintal do vizinho apenas porque não gosta do latido do cachorro. Só pode estar completamente ensandecido aquele que pagou caro por um erro cometido e ainda assim se sente cada vez mais preparado para praticar outros absurdos.
Sem falar na loucura social, no caos mental das pessoas nos grandes centros, nos absurdos cotidianos que pontuam as vivências. O doido ao volante, a loucura no trânsito; o insano armado, a louca brutalidade; o maníaco na esquina, o enlouquecimento da vítima; o psicopata à espreita, o absurdo e suas consequências; o alucinado tomado de álcool ou droga, todos tidos como iguais; olhos estranhos que estão mirando ao redor, e a loucura da violência, do medo, do terror social.
Tudo isso possibilita imaginar o quanto a loucura do realmente doido é sadia, normal, aceitável. Joga pedra, faz careta, corre atrás, amedronta, até age com violência, mas tudo previsível e compreensível. Basta que seja compreendido para que seja lidado, tornado amigo, tido como pessoa comum. Nem todo doido apresenta permanente quadro de grave insanidade, eis que muitos vivem num pêndulo onde o juízo balança segundo determinadas circunstâncias psicológicas, ambientais e naturais.
Que loucura mais romântica a doido apaixonado pela lua. Que coisa estranhamente admirável o doido que conversa sozinho, que se pergunta e responde, que sorri e canta uma canção oferecida a si mesmo. Até mesmo aquele tido como de loucura extremada possui atitudes instigantes aos sentimentos despertados para sua condição. Aquele semblante impassível, aquele olhar distante, aquela mudez e que aquela inação, transmitem a sensação do que o ser humano realmente é ao imaginar-se mentalmente sadio.
Mas apenas imaginar-se, pois também mentalmente imperfeito. E portador de loucura disfarçada, que é o a pior de todas.


Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com

Amor, um destino (Poesia)


Amor, um destino


Agora sozinho estou e assim me confesso
mas não culpo destino ou ninguém pela situação
amei e me entreguei por querer verdadeiro
e fui retribuído com afeto e afeição merecidos
amei a dois como compartilham os amantes
mas a eternidade no amor só existe em sonhos
e o diamante se transforma para tornar-se pó

as flores belas morrem num outono qualquer
os sorrisos brotam e depois desvanecem tristes
o grão semeado brota e um dia se exaure da terra
nada do que foi um dia amanhã ainda será
e nosso amor tão verdadeiro e vivenciado a dois
sentiu seu outono chegar na primeira ventania
e tudo morreu e tudo acabou como destino de tudo.


Rangel Alves da Costa