SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



quarta-feira, 3 de outubro de 2012

PALAVRAS SILENCIOSAS - 32


Rangel Alves da Costa*


“Chuva na noite...”.
“A chuva poética, romântica, cativante...”.
“Realmente, transmite uma sensação diferente...”.
“Porque não é somente a chuva que cai...”.
“Com ela a meditação...”.
“A reflexão, o afloramento dos sentidos, o diálogo da alma...”.
“As lembranças, as recordações...”.
“As viagens, as paisagens, os encontros...”.
“O voo do pensamento, o pouso noutras paragens...”.
“A singeleza, a meiguice e o afeto...”.
“A transformação...”.
“Quanta coisa provoca a chuva na noite...”.
“Sem falar nos mistérios que ecoam no seu som, no seu cair, no seu espalhar...”.
“E acompanhada da ventania...”.
“Ventania com voz, com sopro, assobio...”.
“Chamando, dizendo, instigando...”.
“O que será que diz a voz do vento em momentos assim?”.
“Traz as notícias de lá...”.
“De onde?”.
“De onde o nosso pensamento quer alcançar...”.
“Apenas abre a porta...”.
“Sim. Abre a porta e nos deixa os caminhos abertos...”.
“Mas nunca senti alegria com essa voz do vento...”.
“Nem com a chuva caindo?”.
“É um pouco diferente. Quando a chuva cai desperta uma certa melancolia, uma solidão que sei inexistente...”.
“Quanto ao entristecimento pelo sopro do vento outra coisa não é senão o encontro com o passado, com as saudades...”.
“O cabelo soprando, brincando a correr, ouvindo a voz...”.
“As folhas dançando diante do olhar, o pai, a mãe, a família, a casa, a rua...”.
“As roupas querendo voar do varal, a poeira nos olhos...”.
“A folha passando diante da janela...”.
“A tarde cantando a cantiga do vento...”.
“O passado, realmente...”.
“Que também pode ser trazido, e de uma forma ainda mais profunda, pelas chuvas da noite...”.
“Será que é por isso que tanta gente chora quando o tempo está assim?”.
“Creio que também, mas principalmente porque a noite é o portal dos sentimentos...”.
“Tanta gente alegre o dia inteiro, mas completamente diferente quando descem as sombras da noite”.
“Ora, ao encontrar outra realidade encontram-se consigo mesmas...”.
“Ficam mais solitárias, reflexivas, pensativas...”.
“E a cor da noite, o brilho da lua, os mistérios, as saudades, a solidão...”.
“A solidão na noite é terrível...”.
“Solidão de abandono...”.
“De distância, de perda, de ausência...”.
“Solidão dos solitários, das viúvas, dos saudosos, dos carentes...”.
“Interessante: solidão dos solitários!”.
“A mais autêntica solidão”.
“Por que será assim?”.
“A solidão existe até na multidão, mas o solitário precisa de um ambiente que emoldure seu sentimento de vazio...”.
“Na noite...”.
“Num canto da casa, perto da janela, ouvindo a chuva caindo, o vento soprando...”.
“E a lágrima...”.
“Nem sempre. O vazio é o que mais caracteriza a solidão. É como se nada existisse. E como nada existisse no olhar que se perde em qualquer direção, talvez a lágrima não tenha sentido...”.
“Doloroso demais...”.
“Triste”.
“Quantos estarão assim nesse momento?”.
“Os quartos escuros impede de vê-los. Mas amanhã a maioria estará sorrindo pelas ruas...”.
“Talvez num disfarce...”.
“Ainda na solidão!”.

  
Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

terça-feira, 2 de outubro de 2012

AO QUERER MONTANHAS... (Crônica)


Rangel Alves da Costa*


Muito cuidado ao querer montanhas. Numa montanha há sempre o compromisso com a fé, o encontro com Deus, a elevação espiritual, a voz que de lá ecoa reafirmando a existência.
Montanha é muito mais que um cume, um monte elevado, uma cadeia extensa de montes, uma serra, uma cordilheira, um pico bem alto. Também pode não ser e nem estar na elevação que olhos descompromissados avistam adiante.
Montanha é muito mais que a elevação onde uma bandeira é hasteada, que o pico inacessível onde os condores fazem os seus ninhos, que a moradia da última pedra, da última orquídea selvagem, da flor ainda desconhecida. Mas também pode ser lugar de tudo isso.
Montanha é metáfora, é analogia espiritual, é significado de busca e de encontro, é a expressão da vontade maior e mais alta do ser. E também poesia, porque a montanha é despertar de sentimento, é meio de elevação da alma e do espírito.
Montanha é simbologia, é representação, é a revelação a partir do seu próprio conceito: aquilo que está mais alto ou que vem de onde é mais elevado. Se a palavra vem da montanha, então logo se entenderá por voz da sabedoria, por lição para a vida.
A Bíblia tem a montanha como a voz que expressa a verdade e os ensinamentos divinos. Neste sentido, a montanha ora está significando o poder de Deus sobre tudo, ora a fragilidade do homem que quer se mostrar grandioso; ora o lugar de encontro com Deus, ora local de onde descem as punições e os castigos.
E também a montanha como refúgio, como lugar seguro, para expiação dos pecados, para elevação e purificação da alma, para a proximidade da força e do poder de Deus. No seu cume paira, pois, o misterioso e o sagrado. 
E diz a Bíblia: “Eu estarei contigo, respondeu Deus; e eis aqui um sinal de que sou eu que te envio: quando tiveres tirado o povo do Egito, servireis a Deus sobre esta montanha” (Êxodo 3,12).
E também: “As bênçãos de teu pai sobrepujam as bênçãos das antigas montanhas, as aspirações das colinas eternas. Que elas desçam sobre a cabeça de José, sobre a fronte do príncipe de seus irmãos!” (Gênesis 49,26).
E ainda: “E Moisés escreveu todas as palavras do Senhor. No dia seguinte, de manhã, edificou um altar ao pé da montanha e levantou doze estelas para as doze tribos de Israel” (Êxodo 24,4). “Moisés penetrou na nuvem e subiu a montanha. Ficou ali quarenta dias e quarenta noites” (Êxodo 24,18).
“Moisés desceu da montanha segurando nas mãos as duas tábuas da lei, que estavam escritas dos dois lados, sobre uma e outra face” (Êxodo 32,15). “Apenas elevei a voz para o Senhor, ele me responde de sua montanha santa” (Salmos 3,5). “Sobre o cume de elevada montanha preparas teu leito, e é aí que sobes para oferecer sacrifícios” (Isaías 57,7).
E o mais importante: “Eis a lei do templo: no cume da montanha, todo o espaço que o rodeia é área sagrada. Tal é a lei relativa ao templo” (Ezequiel 43,12). “Acontecerá, no fim dos tempos, que a montanha da casa do Senhor será estabelecida no ápice das montanhas, e será mais elevada que todos os outeiros. Os povos afluirão para ela” (Miquéias 4,1).
E foi da montanha que o Sermão foi pronunciado: “Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele” (São Mateus 5,1). Por fim, “Feito isso, subiu à montanha para orar na solidão. E, chegando a noite, estava lá sozinho” (São Mateus 14,23).
Por isso mesmo, ao querer montanhas procure saber primeiro o que deseja encontrar lá em cima. Dependendo da força de seu espírito, da sua fé e da sua crença no poder de Deus, nem precisará seguir por veredas espinhentas até o seu cume.
Aí mesmo onde está, no quarto, ao pé do altar ou no silêncio dos dias, encontrará o que tanto deseja em cima da montanha. O que se eleva é a sua fé para o encontro com Deus, e não a altura daquilo de onde esteja.
  

Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com

Luz da lua (Poesia)



Luz da lua


Noite sertaneja
quase noite quase luz
a lua descendo dourada
derramando pela estrada
a esperança do encontro
com a linda sertaneja
que espera no silêncio
dos escondidos da mata
para ouvir da minha boca
o que não tenho a dizer
senão a vontade danada
de beijá-la e abraçá-la
fazê-la princesa da lua
e deitá-la toda nua
no leito do amor maior

minha bela sertaneja
somente a lua lá em cima
testemunha o momento
da oferenda tão singela
uma flor com cheiro dela
um perfume que é o meu
e dar as mãos apertadas
sumindo nas horas vagas
em busca do canto solene
do passarinho da noite
aquele que canta o açoite
na voz dolente do vento
quase como um lamento
modinha pra apaixonar
dois sertanejos ao luar.

  
Rangel Alves da Costa

PALAVRAS SILENCIOSAS - 31


Rangel Alves da Costa*


“Falávamos sobre o amor...”.
“E poderia durar a eternidade...”.
“Mas quanto mais é debatido mais surgem novas feições...”.
“Sim. Os muitos escondidos existentes no seu contexto...”.
“Sem falar na sua vertente mais áspera, que é a paixão...”.
“A paixão tão rebuscada na literatura, na poesia, mas que é tão dolorosa na vida real...”.
“Difícil entrar na sua estrada sem pisar em espinhos...”.
“Sem sangrar, sem ferir...”.
“Sem dilacerar...”.
“Tenho a paixão como o mais perigoso dos sentimentos...”.
“Arma cega e sempre afiada...”.
“Punhal enfurecido...”.
“Faca cortante e sedenta...”.
“E tudo por causa de seus limites...”.
“Ou talvez a falta de limites...”.
“Principalmente...”.
“Por que será que a paixão tem o dom de ser assim tão voraz?”.
“Pela fragilidade das pessoas...”.
“Um amor que fortalece depois fragiliza?”.
“Sim. A paixão possui uma estratégia peculiar: primeiro doma, depois abusa...”.
“Mas não é por que o outro se deixa envolver demais?”.
“Já disse Júlio Ribeiro que a carne é fraca...”.
“Deveria impor-se um limite no seu querer, no seu desejo, no seu gostar...”.
“Mas tais limites são complicados demais quando se fala em relacionamento...”.
“Principalmente quando o outro enxerga tais fraquezas...”.
“Ao enxergar, e não ter a relação nada mais que um jogo, então tem caminho aberto para fazer o outro sofrer...”.
“É difícil compreender. Ao invés de corresponder amor com amor, procura envolver ainda mais...”.
“E ao envolver, retira toda a força de proteção do outro...”.
“Como será que isso acontece?”.
“Ora, através da chantagem, do desprezo, do abandono, principalmente do ciúme...”.
“Quem está envolvido demais não suporta nada que ameace a relação”.
“E por saber que é assim, então o outro instiga ainda mais...”.
“Para fazer sofrer...”.
“Para esvaziar totalmente a pessoa...”.
“Mas isso é muito injusto, até desumano...”.
“Claro que é, mas quem age assim não tem nenhum compromisso amoroso com o apaixonado...”.
“Não sente nada de amor...”.
“De jeito nenhum. Absolutamente nada...”.
“Então por que faz isso, por que continua agindo assim?”.
“Pelo egoísmo, pela vaidade, para que os outros percebam a situação de quem sofre e pense quem ele é o tal...”.
“Mas as consequências são desastrosas...”.
“Apenas para o apaixonado, pois quem age premeditadamente para que isso ocorra não tem nenhum caráter, nenhum escrúpulo...”.
“Tanto faz que o outro sofra ou não...”.
“E quando mais o outro sofra mais o seu mau-caratismo é alimentado, se enche de satisfação...”.
“Enquanto um se enche de prazer, o outro...”.
“Muitas vezes, a completa loucura. O que o completamente louco faz?”.
“Tudo na normalidade...”.
“Isso mesmo, porém na normalidade ensandecida...”.
“E que aparentemente é apenas uma forma de lutar para manter e preservar o amor...”.
“Infelizmente pode chegar ao ponto de matar ou morrer achando que age dentro da racionalidade”.
“Mas como evitar que isso ocorra?”.
“Amando, apenas amando. Só isso...”.
“Um amor que seja paixão consciente dos limites desse amor...”.
“Principalmente porque no verdadeiro amor nada motiva a atitude além da medida do amar...”.
“Também acredito...”.
“E digo mais: o amor em si mesmo tem a força de suprir o inimaginável”.



Poeta e cronista
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

NUVEM NO AR, HOMEM NO CHÃO (Crônica)


Rangel Alves da Costa*


Não conheço um só relato afirmando que o homem sempre entregue aos devaneios sonhadores tenha alcançado seus objetivos sem suor e sacrifício.
Não conheço nenhuma história dizendo que as ilusões e quimeras foram suficientes para o homem alçar-se do chão e alcançar a felicidade noutras distâncias que não a terrena.
Não conheço nada apontando que o sonho, a ilusão e a fantasia sejam os ambientes mais propícios para que o ser humano estabeleça aí os alicerces da subsistência e da sobrevivência.
Não conheço quem bata ponto na estrelas, faça feira na lua, pague contas na galáxia, vá curar enfermidades no leito do sol, vá bater à porta do cometa para ser recebido por alguém.
Também não conheço quem não beba da água que cai, que não se alimente do fruto da terra, que não vista do algodão da florada, que não pranteie seu parente abaixo do chão, que não vá para o mesmo lugar.
Os voos espaciais são passageiros, os astronautas vão e retornam, a estação espacial tem prazo de existência, os aviões possuem curso e percurso, os balões chegam ao alto e depois descem, os satélites lançados se deterioram e espatifam.
Marte é uma fotografia, um desenho, uma ideia tridimensional; a dança dos astros, o nascimento e morte das estrelas, a descoberta de novos planetas, tudo não passa de teoria; buraco negro como ideia fenômeno que assombra pelo desconhecimento.
Até as nuvens que passeiam acima, visíveis a olho nu, apenas instigam a imaginação humana. Os olhos passeiam com elas, vagueiam no seu percurso, imaginam estar dentro delas, mas apenas pelo desejo de vivenciar o desconhecido.
Mas o homem não pode dizer que desconhece o chão onde pisa, a terra onde vive, a sua realidade. Mas esta realidade é assim tão angustiante, dolorosa, penosa demais, que será preciso viver de ilusões estelares para aplacar seus descontentamentos?
Por mais que o indivíduo se contraponha à realidade, não há como fugir da vivência do mundo, e este mundo presente no olhar, no tocar, no pisar, no sentir, no ferir, e até no fazer amar.
Por mais que o indivíduo renegue sua condição terrena, jamais conseguirá afastar de sua realidade os seus vizinhos na terra, a natureza ao redor, os outros que passam tramando, as pessoas que passam amando.
Por mais que o indivíduo se feche em redoma, resolva entrar no silencioso porão ou simplesmente fingir que não está nem aí para o que aconteça adiante, ainda assim não poderá fugir de sua condição existencial, de sua condição terrena.
É até louvável que se pretenda alcançar o que antes nenhum homem conseguiu fazer, que foi fugir de vez da realidade terrena para viver de sonhos e ilusões, vagando por outros mundos como um ser de ficção científica. Mas terá isto como eternidade?
É até aceitável que determinado ser humano - como fuga do caos terreno existente - viva imaginando que pelos ares seria bem melhor de se viver, que na lua teria melhor acolhida, que o solo solar lhe reservaria oásis e paz. Mas seria realizável?
Já disse o velho sábio que estrada foi feita para se andar, caminho para ser percorrido, distância para se alcançar. Mas não disse o velho sábio que tudo isso seria melhor resolvido ou alcançado no pensamento.
Se a vida na terra é tão difícil assim, então que se procure transformar a forma de viver para suportá-la. Mas ninguém transforma a realidade senão a partir da própria realidade, adequando-a ao que deseja como mais útil e proveitoso.
Que o sonho persista, que o voo seja tão desejado, que o passeio na nuvem se torne realidade. Mas é preciso ter cuidado com os limites. Nenhum passo acima da mente sem que os pés continuem no chão.
  

Poeta e cronista
e-mail: rac3478@hotmail.com
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A ponte (Poesia)



A ponte


Ainda há distância
o olhar apenas avista
o desejo se apressa
mas ainda não tenho asas
para estar em teus braços
antes do entardecer

nada será tão fácil
entre nós há uma ponte
do lado de cá o querer
do lado de lá a dúvida
e no meio a travessia
a fronteira para o amor

olhe em minha direção
meus olhos se estendem
observando a distância
dê um passo e venha
que já sigo apressado
para desfazer a ponte
e construir uma estrada.

  
Rangel Alves da Costa

PALAVRAS SILENCIOSAS - 30


Rangel Alves da Costa*


“Paixão e amor...”.
“Que pensamento profundo...”.
“É que ontem li alguma coisa sobre isso...”.
“Tudo se diz, nada se conclui nesse caminho próprio de cada um...”.
“Mas algumas características são iguais em todos”.
“As aparências...”.
“Realmente, ninguém sequer imagina o interior de quem e de quem está apaixonado”.
“Quanto ao amor, nenhuma aparência tem validade...”.
“Por que pensa assim?”.
“Simplesmente porque o amor é um estado sentimental predominantemente interno...”.
“E as tantas demonstrações amorosas...”.
“São reflexos do que é sentido interiormente. Contudo, a perspicácia humana pode tornar o não-sentir íntimo numa feição externa mentirosa...”.
“Mas é difícil saber quando a pessoa está apenas mentindo...”.
“Creio que não...”.
“Acontece tão sutilmente...”.
“Ora, só mesmo a completa cegueira do outro para não conhecer a mentira...”.
“Ocorre que o outro demonstra sentir amor de um jeito que...”.
“Que não suportaria a verdade...”.
“Mas se o enganado se contentar apenas em aceitar o outro apenas como mostra ser...”.
“Será sempre enganado, até que chegue o dia do abandono...”.
“Então, qual o olhar da compreensão da verdade no amor?”.
“Muito simples, meu amor, muito simples...”.
“Então tome como exemplo a gente para explicar melhor”.
“Quer saber se realmente nos amamos?”.
“Também. Talvez apenas reafirmar ou confirmar...”.
“Pois bem. Já disse que nenhuma valia tem o quanto te beijo, te abraço, te dou presentes, digo que te amo...”.
“Mas isso não é amor?”.
“Pode ser amor. Apenas pode ser amor...”.
“Sinto como tal...”.
“Mas noutra situação, eu poderia muito bem estar te enganando...”.
“Então prossiga...”.
“Pergunto: amor sem presentes, sem beijos e abraços de minuto a minuto é amor?”.
“Talvez, mas um tanto frio...”.
“E se lá dentro o sentimento for verdadeiro, a pessoa aja procurando sempre respeitar e agradar o outro, queira sempre o melhor para os dois, procure fortalecer cada vez mais a relação para que não haja desgaste nem se torne rotina demais?”.
“Mas é preciso que o outro perceba isso...”.
“Mas não há cegueira que torne as boas ações amorosas em expressões desvalidas...”.
“Mas tem gente que cega totalmente para essas coisas...”.
“Apenas finge. Repito que não há ser humano sobre a terra que não perceba o quanto o outro é honesto perante a sua pessoa, procura agradar e proteger, possui verdadeiro carinho e afeto...”.
“E, de certa forma, se vê forçada a corresponder...”.
“Ou não ama, ou não respeita o outro, ou procura fazer do relacionamento apenas uma ocasião sexual...”.
“Então, é através da ação interna que se expressa o amor?”.
“Isso mesmo. O que é verdadeiro intimamente aflora tão belo externamente que não há como não reconhecer a existência de amor...”.
“Juntando o amor sentido, ao prazer de estar, de vivenciar...”.
“E tanto melhor que tudo exista nos dois...”.
“Eis um grande problema. Tal correspondência é difícil de acontecer...”.
“Daí continuarem juntos até que qualquer sopro os separe...”.
“Ou mesmo a odiosa situação de um continuar apenas suportando o outro...”.
“O fingimento que vai destruindo...”.
“E as suas terríveis consequências...”.
“Mas tudo em nome do amor...”.
“Que como o nome de Deus, jamais deveria ser usado em vão!”...

  
Poeta e cronista
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