A FIEL FEITICEIRA DO TEMPLO
Rangel Alves da Costa*
No País do Solsd, no Reino do Encant, no Castelo dos Aconts, reinava uma família de linhagem muito antiga, a mais antiga da terra. Essa família era comandada pelo Rei Lind, esposo da Rainha Belez. O casal muito jovem ainda não tinha filhos, nenhum herdeiro do trono hereditário.
No belíssimo castelo deste reino, circundado por mil jardins de todas as flores, preservava-se a tradição da crença no misticismo, na magia, nos encantamentos, nos mistérios dos dias e das noites e das influências dos feitiços na vida do reino, dos soberanos e súditos. Por isso mesmo é que nos fundos do castelo havia um grande templo dedicado à poderosa Intri, deusa do sobrenatural ali também reverenciada.
A zeladora desse templo era a também poderosa feiticeira Mei, jovem e dona de uma beleza inigualável. Diziam até que os seus dotes físicos eram muito superiores, em encanto e formosura, aos da Rainha Belez. Totalmente voltada aos mistérios do templo, dedicava-se fielmente e o tempo inteiro em atender às ordens dos seus soberanos, fazendo presságios, adivinhações, cuidando para que os elementos sobrenaturais também agissem para dar vida longa ao reinado e sucesso em todas as empreitadas do rei. Por isso não tinha tempo para o amor, para as coisas do coração, para viver os prazeres do corpo, mesmo que guardasse dentro de si segredos de uma paixão quase incontida.
A rainha Belez tinha na feiticeira Mei uma grande amiga e confidente. Todos os dias, logo ao entardecer, enviava mensageiros ao templo convidando a amiga a se fazer presente ao seu lado, quando conversavam longamente passeando pelos jardins, nos solares do castelo ou mesmo nos aposentos reais. Praticamente toda a vida pessoal da rainha e até coisas da intimidade do casal a feiticeira ficava sabendo, vez que sempre solicitada a dar opiniões sobre tudo.
Desse convívio íntimo com a rainha, é que a feiticeira Mei tinha conhecimento do imenso amor de Belez por seu esposo, o rei Lind, cuja paixão era tamanha que esta sempre confidenciava que não conseguiria viver se algum dia o seu amado lhe faltasse e que não saberia mesmo o que fazer se ao menos uma vez sonhasse com o esposo nos braços de outra mulher. Aceitaria tudo, menos a traição do rei, até mesmo porque nunca lhe negara nada dos prazeres do corpo, era jovem e até incontida nas relações amorosas. Era o que dizia em segredo à amiga feiticeira.
Contudo, nem imaginava a rainha que a feiticeira sentia um amor maior ainda por seu esposo, nutrido diuturnamente no sofrimento dos que perdidamente amam e sabem que não têm a menor chance de serem correspondidos. Mei, pode-se afirmar com absoluta certeza, era a paixão em pessoa, vendo consumida por dentro suas forças e ameaçada pela desilusão e sofrimento sua beleza física.
Todos os dias implorava à poderosa Intri para lhe tirar daquele suplício, para afastar dos seus pensamentos aquele homem impossível de amar. Era fiel aos seus soberanos, amiga da rainha, confiada por todos e reconhecida pela forças sobrenaturais que possuía, e por isso mesmo jamais poderia trair os sentimentos dos outros, mesmo que aos poucos vivesse morrendo por dentro.
Esse amor demasiadamente existente, que tornava Mei atordoada todas as vezes que encontrava com o seu soberano, no reino e no coração, fazia com que temesse ser algum dia traída pelas vozes silenciosas do castelo, fazendo chegar aos ouvidos da rainha que sua melhor amiga vivia completamente apaixonada por seu esposo. Preferia a morte, preferia deixar de existir em nome da lealdade, da fidelidade no seu comportamento. Intimamente não, pois já se reconhecera há muito infiel, e tudo procurava fazer para resolver esse problema.
De tanto amar escondido, de tanto implorar à poderosa Intri para afastar seus pensamentos da imagem do rei Lind, passou a ocorrer o contrário do que a bela Mei jamais quis ou esperou que acontecesse. Eis que a força do amor que já estava espalhada pelo templo começou a se expandir e alcançou as dependências do palácio, principalmente o coração do soberano.
De repente, o rei Lind passou a olhar Mei com outros olhos, a perceber nela uma beleza infinita e a se admirar porque não tinha se dado conta daquela meiguice na feiticeira, sua súdita. Como súdita, bastaria tencionar para com ela o que quisesse e não poderia jamais obter uma resposta negativa. Verdade é que se viu completamente apaixonado, encantado com a misteriosa mulher. Não sabia ele, porém, dos sentimentos aflorados na sua súdita da magia.
Com o coração totalmente tomado pelo amor, o rei, aos poucos, foi modificando seu tratamento para com a esposa. Tornou-se frio, distante, parecendo que os seus pensamentos estavam sempre em outro lugar. Numa noite enquanto dormia chegou a pronunciar baixinho o nome de Mei. A esposa ouviu, mas não entendeu bem a pronúncia. Pensou que ele havia dito "Rei". Mesmo assim, a partir dessa noite cismou que descobriria tudo o que estivesse por trás daquele inocente dizer.
Ao entardecer do outro dia mandou chamar a feiticeira até os seus aposentos e relatou-lhe tudo, dando-lhe depois a incumbência de descobrir a verdade sobre aquele fato. A feiticeira, contudo, quase não ouvia o que sua rainha e amiga dizia, pois já sabia do que se tratava, e se amaldiçoava por aquilo estar ocorrendo. Saiu de lá mais lívida do que a pluma ao vento, e como tal tão leve e fora de si que poderia sumir sem ninguém perceber. E sua vontade era essa mesmo, sumir, morrer, pois aquela situação de amor havia chegado num extremo onde jamais poderia ter imaginado.
O que dizer à minha rainha? Dizer que sempre amei o esposo dela e que esse amor parece ter se transformado em magia que saiu do meu controle e alcançou o coração dele? O que dizer, então, da minha traição, da minha mais vil traição, que me fazendo de poderosa não consegui afastar do coração uma atração que parecia passageira? No templo, implorando perdão a todos os deuses da magia, se penitenciou e chorou até ouvir a voz de sua mestra Intri: "Não haverá mais espaço para duas no coração do rei. Decida".
Ao anoitecer daquele mesmo dia, completamente apaixonado e decidido a se entregar aos braços da feiticeira e possuí-la com todas as forças do amor, o rei Lind se dirigiu às escondidas até o templo e, pé ante pé, foi furtivamente adentrando pelos corredores iluminados de velas e com incensos exalando por todos os lados. Empurrou a porta do salão da magia e logo percebeu toda linda, nua, com as curvas do corpo mais chamativas ainda pelas luzes de velas que incidiam sobre ele. Mei estava deitada, nua, linda, porém morta.
Decidiu que seria melhor assim.
Advogado e poeta
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com
SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...
A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Andorinha (Poesia)
Andorinha
Andorinha andará
um dia cismou de ir
e eu disse andorinha
não voe sozinha
que eu quero partir
Andorinha andará
foi fazer um verão
e eu disse andorinha
tenha pena das penas
do meu coração
Andorinha andará
onde você está?
é vento lamento
coração sofrimento
quem dera saber voar.
Rangel Alves da Costa
Andorinha andará
um dia cismou de ir
e eu disse andorinha
não voe sozinha
que eu quero partir
Andorinha andará
foi fazer um verão
e eu disse andorinha
tenha pena das penas
do meu coração
Andorinha andará
onde você está?
é vento lamento
coração sofrimento
quem dera saber voar.
Rangel Alves da Costa
EVANGELHO SEGUNDO A SOLIDÃO – 22
EVANGELHO SEGUNDO A SOLIDÃO – 22
Rangel Alves da Costa*
Em tempo menor do que o inicialmente previsto, a construção já estava erguida e coberta. Tudo muito rústico, parecendo mais uma grande gaiola de paus, ripas, troncos, cipós, capins e folhagens, consistia de quatro laterais com cobertura à moda indígena, com duas portas de entrada, duas janelas laterais e uma porta ao fundo, sem nenhuma subdivisão por dentro. No vão interior apenas uma mesinha, uma velha cristaleira que fazia as vezes de estantee alguns banquinhos de madeira espalhados ali e acolá.
A criançada deu a ideia e Lucas convidou o Padre Josefo para benzer o lugar. Mesmo tendo acompanhado todo o processo de construção e até ajudado nos afazeres, o sacerdote demonstrou muita emoção assim que chegou ao local e viu os meninos em frente parecendo que estavam posando para uma fotografia. Era como dissessem que lutamos mas conseguimos. Assim, estava lá, uma brincadeira em tamanho grande, gigante pelos seus objetivos.
Lucas, particularmente, parecia mais emocionado do que todos. Sabia que aquilo ali não duraria mais que duas estações, vez que o ímpeto dos meninos logo se transformaria em descuido e o barraco se destruiria aos poucos pelas forças naturais. Contudo, a emoção que sentia era fruto do que via naquele momento, nos olhos brilhando de todos e planos maiores sendo detalhados a cada instante. Ora, nem bem haviam praticado nenhuma atividade ali e já falavam em construir uma coisa de verdade, de alvenaria, telhado, piso e uma placa bem bonita na frente. Que sonhassem esse sonho bonito! Era isso que tornava Lucas emocionado e agradecido por tudo.
Naquele mesmo dia o sacerdote reuniu todos no interior do barraco para benzê-lo e dizer algumas palavras. Assim, após fazer os sinais pelos quatro cantos pediu licença para dar uma palavrinha. E começou a falar:
- Todos os planos bons, todos os objetivos decentes, todas as lutas verdadeiras e todos os esforços empreendidos por uma causa justa são abençoados por Deus. No poder que o homem tem em construir para o bem, está também em Deus a esperança de que ele seja na vida um construtor de boas ações, abrindo sempre os caminhos para as palavras e os seus ensinamentos. Certamente Deus haverá de ter dito que é também possível a construção de sonhos, como este que vemos aqui, pois os sonhos é o que mantém as mentes vivas e vigilantes. E vocês, meus filhos, não somente sonharam fazer o bem como conseguiram fazer o bem, pois esta pequena construção será a porta aberta para conquistas muito maiores. E não podemos esquecer que na época de Jesus sobre a terra, quisera Ele encontrar quatro paredes levantadas para reunir o seu povo e dizer boas palavras, quisera ele ter um espaço igual a esse para se brincar de coisas sérias, pois o que vejo aqui é o início de algo muito maior, de algo que se cultivado dará certamente os melhores frutos. Quem viver verá. Para finalizar, que se atentem nestas palavras, extraídas do livro bíblico do Eclesiastes:
Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu:
há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;
tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar;
tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar;
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar;
tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora;
tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar;
tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.
Que vantagem tem o trabalhador naquilo em que trabalha?
Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os afligir.
Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração deles, sem que o homem possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.
Já tenho conhecido que não há coisa melhor para eles do que se alegrarem e fazerem bem na sua vida;
e também que todo homem coma e beba e goze do bem de todo o seu trabalho. Isso é um dom de Deus.
Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar e nada se lhe deve tirar. E isso faz Deus para que haja temor diante dele.
O que é já foi; e o que há de ser também já foi; e Deus pede conta do que passou.
Vi mais debaixo do sol: no lugar do juízo, impiedade; e no lugar da justiça.
E acrescentou, ainda tirando das palavras do Eclesiastes:
Também vi eu que todo trabalho e toda destreza em obras trazem ao homem a inveja do seu próximo. Também isso é vaidade e aflição de espírito.
Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com bom coração o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras.
Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.
Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de vida da tua vaidade; os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida e do teu trabalho que tu fizeste debaixo do sol.
Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma.
E finalizou o padre:
- Com isto filhos, quero dizer-lhes que Deus está muito contente com vocês, pois da luta e do suor conseguiram dar vida a objetivos bons, e Deus gosta disso, protege as pessoas que agem assim e os seus ideais, mesmo que tenhamos muitas batalhas debaixo do sol, pois não se enganem que os dos que não querem o bem já olharam e enxergaram essa grande obra. Que lutemos para que a inveja não sopre nenhum vento ruim, não mova um só grão do que foi construído nem dificulte a prosperidade e as realizações.
continua...
Advogado e poeta
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com
Rangel Alves da Costa*
Em tempo menor do que o inicialmente previsto, a construção já estava erguida e coberta. Tudo muito rústico, parecendo mais uma grande gaiola de paus, ripas, troncos, cipós, capins e folhagens, consistia de quatro laterais com cobertura à moda indígena, com duas portas de entrada, duas janelas laterais e uma porta ao fundo, sem nenhuma subdivisão por dentro. No vão interior apenas uma mesinha, uma velha cristaleira que fazia as vezes de estantee alguns banquinhos de madeira espalhados ali e acolá.
A criançada deu a ideia e Lucas convidou o Padre Josefo para benzer o lugar. Mesmo tendo acompanhado todo o processo de construção e até ajudado nos afazeres, o sacerdote demonstrou muita emoção assim que chegou ao local e viu os meninos em frente parecendo que estavam posando para uma fotografia. Era como dissessem que lutamos mas conseguimos. Assim, estava lá, uma brincadeira em tamanho grande, gigante pelos seus objetivos.
Lucas, particularmente, parecia mais emocionado do que todos. Sabia que aquilo ali não duraria mais que duas estações, vez que o ímpeto dos meninos logo se transformaria em descuido e o barraco se destruiria aos poucos pelas forças naturais. Contudo, a emoção que sentia era fruto do que via naquele momento, nos olhos brilhando de todos e planos maiores sendo detalhados a cada instante. Ora, nem bem haviam praticado nenhuma atividade ali e já falavam em construir uma coisa de verdade, de alvenaria, telhado, piso e uma placa bem bonita na frente. Que sonhassem esse sonho bonito! Era isso que tornava Lucas emocionado e agradecido por tudo.
Naquele mesmo dia o sacerdote reuniu todos no interior do barraco para benzê-lo e dizer algumas palavras. Assim, após fazer os sinais pelos quatro cantos pediu licença para dar uma palavrinha. E começou a falar:
- Todos os planos bons, todos os objetivos decentes, todas as lutas verdadeiras e todos os esforços empreendidos por uma causa justa são abençoados por Deus. No poder que o homem tem em construir para o bem, está também em Deus a esperança de que ele seja na vida um construtor de boas ações, abrindo sempre os caminhos para as palavras e os seus ensinamentos. Certamente Deus haverá de ter dito que é também possível a construção de sonhos, como este que vemos aqui, pois os sonhos é o que mantém as mentes vivas e vigilantes. E vocês, meus filhos, não somente sonharam fazer o bem como conseguiram fazer o bem, pois esta pequena construção será a porta aberta para conquistas muito maiores. E não podemos esquecer que na época de Jesus sobre a terra, quisera Ele encontrar quatro paredes levantadas para reunir o seu povo e dizer boas palavras, quisera ele ter um espaço igual a esse para se brincar de coisas sérias, pois o que vejo aqui é o início de algo muito maior, de algo que se cultivado dará certamente os melhores frutos. Quem viver verá. Para finalizar, que se atentem nestas palavras, extraídas do livro bíblico do Eclesiastes:
Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu:
há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;
tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar;
tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar;
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar;
tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora;
tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar;
tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.
Que vantagem tem o trabalhador naquilo em que trabalha?
Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os afligir.
Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração deles, sem que o homem possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.
Já tenho conhecido que não há coisa melhor para eles do que se alegrarem e fazerem bem na sua vida;
e também que todo homem coma e beba e goze do bem de todo o seu trabalho. Isso é um dom de Deus.
Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar e nada se lhe deve tirar. E isso faz Deus para que haja temor diante dele.
O que é já foi; e o que há de ser também já foi; e Deus pede conta do que passou.
Vi mais debaixo do sol: no lugar do juízo, impiedade; e no lugar da justiça.
E acrescentou, ainda tirando das palavras do Eclesiastes:
Também vi eu que todo trabalho e toda destreza em obras trazem ao homem a inveja do seu próximo. Também isso é vaidade e aflição de espírito.
Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com bom coração o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras.
Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.
Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de vida da tua vaidade; os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida e do teu trabalho que tu fizeste debaixo do sol.
Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma.
E finalizou o padre:
- Com isto filhos, quero dizer-lhes que Deus está muito contente com vocês, pois da luta e do suor conseguiram dar vida a objetivos bons, e Deus gosta disso, protege as pessoas que agem assim e os seus ideais, mesmo que tenhamos muitas batalhas debaixo do sol, pois não se enganem que os dos que não querem o bem já olharam e enxergaram essa grande obra. Que lutemos para que a inveja não sopre nenhum vento ruim, não mova um só grão do que foi construído nem dificulte a prosperidade e as realizações.
continua...
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domingo, 20 de junho de 2010
TEMPO NUBLADO, COM PANCADAS DE LÁGRIMAS, SEMPRE... (Crônica)
TEMPO NUBLADO, COM PANCADAS DE LÁGRIMAS, SEMPRE...
Rangel Alves da Costa*
Desde o nascer, a atmosfera da vida começa a se expressar através dos serviços meteorológicos do sentimento. As cartas de previsão do tempo começam a indicar as possibilidades da qualidade do tempo em cada estágio, em cada passo, da existência. Tempo bom, tempo nublado, sol, chuva, nuvens carregadas, tempestades... É sempre assim. Contudo, pessoas existem onde a climatologia da vida instalou somente uma possibilidade de ocorrência de fenômeno atmosférico íntimo: tempo nublado, com pancadas de lágrimas, sempre...
O dia amanhece com todas as suas cores, a manhã promete ser belíssima, a menina levanta e corre para abraçar a vida. Toda bonita no corpo ainda do sono, saí pelo jardim de braços erguidos e faz orações aos deuses da manhã, do dia e do sol para a prevalência da alegria e da felicidade; e eleva uma prece ao Deus maior de sua fé agradecendo a vida e pedindo sempre coisas boas no viver.
Nesse passo, a vida é sempre bonita, sempre bela, como sempre acontece. E olha pra cima e as nuvens passeiam, o sol brilha, os pássaros cantam e a natureza mostra-se em perfeição. Não haverá chuva, não haverá tempestade, não há de surgir tempo ruim. O problema, contudo, começa a ser sentido nas cores da manhã que se instalam internamente, no íntimo da menina, como se a noite inteira fosse de formação de nuvens negras para o que o dia se inicie sempre com tempo ruim. E quando a menina procura se alegrar lá fora, abraçando a vida e implorando aos deuses, parece que suas fragilidades vão despontando internamente e a partir de então começam as saudades, as angústias, as tristezas, as dores do sofrimento.
A menina nasceu assim, num hemisfério da vida onde a noite parece durar mais que o dia, onde o sol se esconde mais depressa todas as vezes que nuvens carregadas começam a se formar. Nesse hemisfério, onde a natureza confunde seus fenômenos com a natureza da vida, a menina parece ter sido escolhida para se experimentar até onde uma pessoa aparentemente normal, bela e jovial, pode suportar as interferências dolorosas daquilo que não quer e não provocou.
Assim, a menina sofre tanto sem saber por que, é martirizada pelo sofrimento da saudade de um amor que nunca teve, é constante assediada por visões de um passado que jura desconhecido. E ela, bela menina em flor, só queria viver, só queria ser como as outras de sua idade, e amar, e sorrir, e brincar, e passear, e ser feliz. Mas não. Desde o levantar até o adormecer vê sua vida jogada num círculo brincante de situações onde o muito que consegue, depois de tristezas e lágrimas, é sobreviver para padecer novamente.
Fingir a felicidade para não sofrer mais ou fingir o sofrimento para tentar ser feliz? Eis a difícil questão minha bela menina. Querem jogar a culpa em você, dizem que precisa ser mais bem resolvida na vida e deixar de viver transformando copos d'água em tempestades. Afirmam pelos cantos que você ou enlouqueceu ou está em vias de ser internada em hospício; sussurram que pessoas que não merecem vivem em total comunhão com a felicidade e você não a tem porque não quer, porque não procura, porque gosta de estar se martirizando, porque acha melhor o quanto pior.
Mas estas pessoas não conhecem você, bela menina; não conhecem a sua natureza e nem a outra natureza inexplicável que a transforma. Seria muito bom espantar para bem longe todos os males e aflições, mas são próprios da natureza da outra natureza, bela menina. O quanto te faz bem um sorriso, um gesto de alegria, um grito de felicidade, mas isto tudo é tão difícil quanto uma gaivota pousar na janela e convidar para voar pelos encantos, belezas e alegrias da vida. Levanta os braços para alçar voo e quer voar todas as manhãs, mas basta que o vento chegue para erguê-la no ar que vem a nuvem carregada, a tristeza, a tempestade.
E é assim todos os dias, nessa incompreensível meteorologia de tempo nublado, com pancadas de lágrimas, sempre...
Advogado e poeta
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com
Rangel Alves da Costa*
Desde o nascer, a atmosfera da vida começa a se expressar através dos serviços meteorológicos do sentimento. As cartas de previsão do tempo começam a indicar as possibilidades da qualidade do tempo em cada estágio, em cada passo, da existência. Tempo bom, tempo nublado, sol, chuva, nuvens carregadas, tempestades... É sempre assim. Contudo, pessoas existem onde a climatologia da vida instalou somente uma possibilidade de ocorrência de fenômeno atmosférico íntimo: tempo nublado, com pancadas de lágrimas, sempre...
O dia amanhece com todas as suas cores, a manhã promete ser belíssima, a menina levanta e corre para abraçar a vida. Toda bonita no corpo ainda do sono, saí pelo jardim de braços erguidos e faz orações aos deuses da manhã, do dia e do sol para a prevalência da alegria e da felicidade; e eleva uma prece ao Deus maior de sua fé agradecendo a vida e pedindo sempre coisas boas no viver.
Nesse passo, a vida é sempre bonita, sempre bela, como sempre acontece. E olha pra cima e as nuvens passeiam, o sol brilha, os pássaros cantam e a natureza mostra-se em perfeição. Não haverá chuva, não haverá tempestade, não há de surgir tempo ruim. O problema, contudo, começa a ser sentido nas cores da manhã que se instalam internamente, no íntimo da menina, como se a noite inteira fosse de formação de nuvens negras para o que o dia se inicie sempre com tempo ruim. E quando a menina procura se alegrar lá fora, abraçando a vida e implorando aos deuses, parece que suas fragilidades vão despontando internamente e a partir de então começam as saudades, as angústias, as tristezas, as dores do sofrimento.
A menina nasceu assim, num hemisfério da vida onde a noite parece durar mais que o dia, onde o sol se esconde mais depressa todas as vezes que nuvens carregadas começam a se formar. Nesse hemisfério, onde a natureza confunde seus fenômenos com a natureza da vida, a menina parece ter sido escolhida para se experimentar até onde uma pessoa aparentemente normal, bela e jovial, pode suportar as interferências dolorosas daquilo que não quer e não provocou.
Assim, a menina sofre tanto sem saber por que, é martirizada pelo sofrimento da saudade de um amor que nunca teve, é constante assediada por visões de um passado que jura desconhecido. E ela, bela menina em flor, só queria viver, só queria ser como as outras de sua idade, e amar, e sorrir, e brincar, e passear, e ser feliz. Mas não. Desde o levantar até o adormecer vê sua vida jogada num círculo brincante de situações onde o muito que consegue, depois de tristezas e lágrimas, é sobreviver para padecer novamente.
Fingir a felicidade para não sofrer mais ou fingir o sofrimento para tentar ser feliz? Eis a difícil questão minha bela menina. Querem jogar a culpa em você, dizem que precisa ser mais bem resolvida na vida e deixar de viver transformando copos d'água em tempestades. Afirmam pelos cantos que você ou enlouqueceu ou está em vias de ser internada em hospício; sussurram que pessoas que não merecem vivem em total comunhão com a felicidade e você não a tem porque não quer, porque não procura, porque gosta de estar se martirizando, porque acha melhor o quanto pior.
Mas estas pessoas não conhecem você, bela menina; não conhecem a sua natureza e nem a outra natureza inexplicável que a transforma. Seria muito bom espantar para bem longe todos os males e aflições, mas são próprios da natureza da outra natureza, bela menina. O quanto te faz bem um sorriso, um gesto de alegria, um grito de felicidade, mas isto tudo é tão difícil quanto uma gaivota pousar na janela e convidar para voar pelos encantos, belezas e alegrias da vida. Levanta os braços para alçar voo e quer voar todas as manhãs, mas basta que o vento chegue para erguê-la no ar que vem a nuvem carregada, a tristeza, a tempestade.
E é assim todos os dias, nessa incompreensível meteorologia de tempo nublado, com pancadas de lágrimas, sempre...
Advogado e poeta
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
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Era... (Poesia)
Era...
Era manhã
era tarde
era noite, anoitecer
Era dia
era alegria
era canto, poesia
Era viver
era caminhar
era o passo e pular
Era lembrar
era ver
era sentir e ter
Era amor
era amar
era você e tu
Era paixão
era certeza
era sina, firmeza
Era um nome
era teu nome
era chamado e presença
Era um tempo
era um dia
que era e não é mais
Era a vida
era a vida
que era e não é mais.
Rangel Alves da Costa
Era manhã
era tarde
era noite, anoitecer
Era dia
era alegria
era canto, poesia
Era viver
era caminhar
era o passo e pular
Era lembrar
era ver
era sentir e ter
Era amor
era amar
era você e tu
Era paixão
era certeza
era sina, firmeza
Era um nome
era teu nome
era chamado e presença
Era um tempo
era um dia
que era e não é mais
Era a vida
era a vida
que era e não é mais.
Rangel Alves da Costa
EVANGELHO SEGUNDO A SOLIDÃO – 21
EVANGELHO SEGUNDO A SOLIDÃO – 21
Rangel Alves da Costa*
Num misto de encantamento e surpresa pela pergunta do menino, o sacerdote estremeceu um pouco intimamente como na primeira missa que celebrou. Depois de tantos anos, agora se sentia meio sem saber o que expressar diante de tantas coisas a dizer. Dizer que sim, que estaria disposto a celebrar missa ali tantas vezes quanto fosse necessário seria muito fácil, o problema era explicar que a própria igreja impedia que fizesse isso, que fizesse de templo e púlpito qualquer lugar. Neste aspecto tinha vergonha de esclarecer, de deixar bem claro e compreensível para aquelas crianças, e até para ele mesmo e Lucas, o porquê de a igreja quis se diz do povo não poder ir até onde o povo está.
Pediu licença a Lucas para parar um pouco os afazeres, chamou as crianças para perto e convidou-as a passear por ali mesmo, dando voltas na natureza, no intuito de buscar as palavras possíveis para justificar até onde poderia atender o pedido do menino Paulinho. E iniciou buscando as melhores palavras:
- Vou contar uma historinha rápida que se passou há muitos e muitos anos atrás, quando os pais dos nossos pais não tinham nem nascido ainda. Certa vez um rei muito poderoso, dono de muitas terras e de muitos guerreiros, com sua sede de conquistar o mundo e ter todas as pessoas que existissem sob suas ordens, mandou que os seus soldados invadissem todas as terras e todas as casas daquelas famílias que não quisessem assinar um papel dizendo que tudo que possuíam entregavam ao rei. Aí os soldados foram tomando conta do mundo em nome do rei, até que um dia chegaram numa choupana onde morava um velho muito pobre. Assim que chegaram em frente ao cercado do velho e já iam abrir a cancela de madeira para entrar, o velho saiu de trás do couro que servia como porta, deu um passo adiante e disse para os milhares de guerreiros que estavam do lado de fora: "Respeito o seu rei, mas só podem entrar aqui com a autorização do dono deste lugar, de quem me deu esse pedaço de chão para morar. Portanto não se atrevam a colocar um só pé nesse chão que é sagrado". Foi quando o comandante dos guerreiros perguntou: "E quem é o verdadeiro dono dessas terras, que queremos forçá-lo agora mesmo a transferir tudo para o nosso grandioso rei?". "É um rei muito maior e poderoso que o vosso rei, a quem este teme e deve obediência". Ouvindo tais palavras do velho, o comandante disse que não iria perder tempo com um ancião maluco, não tocou em sua pessoa, em nada do que era seu e nem forçou a assinar nada. Resolveu apenas voltar com urgência e avisar ao rei que ouviu dizer que existia um rei mais poderoso do que ele e que precisava primeiro aniquilá-lo para depois prosseguir com seus planos de ser o dono do mundo. Chegando ao castelo e relatando o acontecido ao rei, este se virou para o comandante e disse: "Eu sei quem é esse rei e todos vocês também devem saber de quem se trata, pois é o Deus Senhor que esse povo acredita existir e ser o dono de tudo. Mas este eu não posso destruir, pois é indestrutível na sua essência. O muito que posso fazer é o que faço: tomando o que acreditam que pertence a ele, faço com que seus fiéis sintam que ele não tem mais força nem autoridade e que na terra existe um rei mais poderoso. Assim, vou diminuindo o poder divino e aumentando o meu poder. Mas isto não está acontecendo como eu esperava, bastando ver nas palavras desse velho. Deixai então como está que já sou poderoso demais – Concluiu o Padre Josefo.
No mesmo instante uma das meninas perguntou:
- Afinal de contas, qual foi a lição final dessa história?
- Ela quis dizer que mesmo os que se acham poderosos demais reconhecem e se curvam diante do poder de Deus, que é realmente, como disse o velho da história, o dono de tudo... – Procurou explicar o sacerdote.
- Disso sabemos, mas o que é que tem a ver o poder de Deus com o senhor estar disposto, ou não, a vim celebrar missa aqui no nosso barracão? – Indagou outra menina.
- Minha menina, é que a importância de Deus é grande demais e sua palavra e os seus ensinamentos só podem ser ditos em determinados locais, lugares sagrados, onde o povo obedece mais ao que ouve. Por isso é a que a palavra de Deus deve ser dita na igreja, que é o local apropriado para tal... – Esforçava-se o mais que podia o Padre Josefo, temendo pelo que tinha realmente a dizer.
- Quer dizer então que não pode vim celebrar missa aqui porque aqui não é igreja, não é mesmo. E se a gente colocar uma mesinha e uma imagem de Cristo ao fundo não ficará a mesma coisa de uma igreja. E se o povo que estiver aqui assistindo a missa for mais religioso e mais fiel dos que o que vão para a igreja? – Perguntou Paulinho com insistência e fervor.
O padre estava se sentindo totalmente acuado, e respondeu:
- É que meus superiores podem não gostar. Para eles a igreja é o templo e está acabado, e se quiserem os fiéis têm que ir até lá. É isso. Mas vou quebrar essa regra a pedido de vocês. Que eles lá em cima, da diocese até Roma não saibam disso...
- É melhor assim, senão quem vai celebrar a missa vai ser Lucas – Disse um dos meninos, para espanto do padre, que achava já ter resolvido a questão.
continua...
Advogado e poeta
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com
Rangel Alves da Costa*
Num misto de encantamento e surpresa pela pergunta do menino, o sacerdote estremeceu um pouco intimamente como na primeira missa que celebrou. Depois de tantos anos, agora se sentia meio sem saber o que expressar diante de tantas coisas a dizer. Dizer que sim, que estaria disposto a celebrar missa ali tantas vezes quanto fosse necessário seria muito fácil, o problema era explicar que a própria igreja impedia que fizesse isso, que fizesse de templo e púlpito qualquer lugar. Neste aspecto tinha vergonha de esclarecer, de deixar bem claro e compreensível para aquelas crianças, e até para ele mesmo e Lucas, o porquê de a igreja quis se diz do povo não poder ir até onde o povo está.
Pediu licença a Lucas para parar um pouco os afazeres, chamou as crianças para perto e convidou-as a passear por ali mesmo, dando voltas na natureza, no intuito de buscar as palavras possíveis para justificar até onde poderia atender o pedido do menino Paulinho. E iniciou buscando as melhores palavras:
- Vou contar uma historinha rápida que se passou há muitos e muitos anos atrás, quando os pais dos nossos pais não tinham nem nascido ainda. Certa vez um rei muito poderoso, dono de muitas terras e de muitos guerreiros, com sua sede de conquistar o mundo e ter todas as pessoas que existissem sob suas ordens, mandou que os seus soldados invadissem todas as terras e todas as casas daquelas famílias que não quisessem assinar um papel dizendo que tudo que possuíam entregavam ao rei. Aí os soldados foram tomando conta do mundo em nome do rei, até que um dia chegaram numa choupana onde morava um velho muito pobre. Assim que chegaram em frente ao cercado do velho e já iam abrir a cancela de madeira para entrar, o velho saiu de trás do couro que servia como porta, deu um passo adiante e disse para os milhares de guerreiros que estavam do lado de fora: "Respeito o seu rei, mas só podem entrar aqui com a autorização do dono deste lugar, de quem me deu esse pedaço de chão para morar. Portanto não se atrevam a colocar um só pé nesse chão que é sagrado". Foi quando o comandante dos guerreiros perguntou: "E quem é o verdadeiro dono dessas terras, que queremos forçá-lo agora mesmo a transferir tudo para o nosso grandioso rei?". "É um rei muito maior e poderoso que o vosso rei, a quem este teme e deve obediência". Ouvindo tais palavras do velho, o comandante disse que não iria perder tempo com um ancião maluco, não tocou em sua pessoa, em nada do que era seu e nem forçou a assinar nada. Resolveu apenas voltar com urgência e avisar ao rei que ouviu dizer que existia um rei mais poderoso do que ele e que precisava primeiro aniquilá-lo para depois prosseguir com seus planos de ser o dono do mundo. Chegando ao castelo e relatando o acontecido ao rei, este se virou para o comandante e disse: "Eu sei quem é esse rei e todos vocês também devem saber de quem se trata, pois é o Deus Senhor que esse povo acredita existir e ser o dono de tudo. Mas este eu não posso destruir, pois é indestrutível na sua essência. O muito que posso fazer é o que faço: tomando o que acreditam que pertence a ele, faço com que seus fiéis sintam que ele não tem mais força nem autoridade e que na terra existe um rei mais poderoso. Assim, vou diminuindo o poder divino e aumentando o meu poder. Mas isto não está acontecendo como eu esperava, bastando ver nas palavras desse velho. Deixai então como está que já sou poderoso demais – Concluiu o Padre Josefo.
No mesmo instante uma das meninas perguntou:
- Afinal de contas, qual foi a lição final dessa história?
- Ela quis dizer que mesmo os que se acham poderosos demais reconhecem e se curvam diante do poder de Deus, que é realmente, como disse o velho da história, o dono de tudo... – Procurou explicar o sacerdote.
- Disso sabemos, mas o que é que tem a ver o poder de Deus com o senhor estar disposto, ou não, a vim celebrar missa aqui no nosso barracão? – Indagou outra menina.
- Minha menina, é que a importância de Deus é grande demais e sua palavra e os seus ensinamentos só podem ser ditos em determinados locais, lugares sagrados, onde o povo obedece mais ao que ouve. Por isso é a que a palavra de Deus deve ser dita na igreja, que é o local apropriado para tal... – Esforçava-se o mais que podia o Padre Josefo, temendo pelo que tinha realmente a dizer.
- Quer dizer então que não pode vim celebrar missa aqui porque aqui não é igreja, não é mesmo. E se a gente colocar uma mesinha e uma imagem de Cristo ao fundo não ficará a mesma coisa de uma igreja. E se o povo que estiver aqui assistindo a missa for mais religioso e mais fiel dos que o que vão para a igreja? – Perguntou Paulinho com insistência e fervor.
O padre estava se sentindo totalmente acuado, e respondeu:
- É que meus superiores podem não gostar. Para eles a igreja é o templo e está acabado, e se quiserem os fiéis têm que ir até lá. É isso. Mas vou quebrar essa regra a pedido de vocês. Que eles lá em cima, da diocese até Roma não saibam disso...
- É melhor assim, senão quem vai celebrar a missa vai ser Lucas – Disse um dos meninos, para espanto do padre, que achava já ter resolvido a questão.
continua...
Advogado e poeta
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com
sábado, 19 de junho de 2010
Silencioso coração (Poesia)
Silencioso coração
Silencioso coração que ama
e por tanto amar assim em silêncio
é silencioso coração que sofre
Silencioso coração que chama
e por tanto chamar assim em silêncio
é silencioso coração que implora
Silencioso coração que sofre
e por tanto sofrer assim em silêncio
é silencioso coração que morre
Silencioso coração que emudece
e por tanto emudecer assim em silêncio
é desfalecido coração que é meu.
Rangel Alves da Costa
Silencioso coração que ama
e por tanto amar assim em silêncio
é silencioso coração que sofre
Silencioso coração que chama
e por tanto chamar assim em silêncio
é silencioso coração que implora
Silencioso coração que sofre
e por tanto sofrer assim em silêncio
é silencioso coração que morre
Silencioso coração que emudece
e por tanto emudecer assim em silêncio
é desfalecido coração que é meu.
Rangel Alves da Costa
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