Minha namorada
Despertar e anoitecer assim,
lembrando de minha namorada.
A infância do menino
já querendo amar e amando
a doçura de uma morena e triste,
e desejando essa menina triste
como se a minha vida inteira
dependesse somente desse amor.
E de tanto amar essa mulher
com cheiro de sol e de chuva,
com feição de alegria e dor,
nem pude perceber que ela
tinha outros, centenas, milhares
de amores sofridos quanto eu.
A mulher dividiu-se em muitos
e eu fiquei sozinho em outro lugar,
por uma vontade própria
de continuar amando
e de saudade chorando em outro lugar.
Aceito tudo que me digam sobre ela
e gosto de ouvir falar sobre ela,
pois a distância não consegue
fazer esquecer MINHA TERRA!
Rangel Alves da Costa
SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...
A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
PUXA-SAQUISMO DEVERIA SER CRIME, E HEDIONDO
Rangel Alves da Costa*
Infelizmente, nossos legisladores e os ilustres juristas responsáveis pela elaboração de projetos legislativos nunca tiveram a preocupação de incluir nos textos codificados a espécie de crime que seria tipificado como puxa-saquismo. A Lei dos Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/90), que trata dos crimes tidos como alarmantes, pavorosos, que causam indignação moral e repulsa da sociedade, também não cuidou de criminalizar a figura dessa abominável qualidade de gente que é o puxa-saco. É uma pena; deveria.
A tipificação do crime de puxa-saquismo seria simples: “É crime utilizar-se dos meios de comunicação, do diálogo pessoal com as demais pessoas ou de qualquer meio de escrita, com o intuito exclusivo de forjar a criação de uma imagem positiva de outra pessoa, instituição ou ente governamental. I – a pena será agravada e triplamente cominada se o beneficiado for algum político, com ou sem mandato; II – incorrerá na mesma pena aquele que denegrir a imagem de uma pessoa em benefício de outra. Pena: Reclusão, de 20 a 30 anos.”
No estado de Sergipe, por exemplo, teria que ser construído um cadeião, de segurança máxima, exclusivamente para comportar os puxa-sacos. E são tantos os bajuladores que espalham-se por aí que, à primeira vista, torna-se até difícil apontá-los perante características específicas. Agem como pessoas comuns, e até parecem comuns; comportam-se como pessoas normais, e até são normais em muitos aspectos. Contudo, são indivíduos perigosíssimos, com um desvio comportamental que há muito desafia a ciência, mas que muitos chamam de “baba-ovismo”.
Conceitualmente, o puxa-saco aquele que bajula a outrem, é a pessoa extremamente subserviente, lacaia; é o indivíduo adulador, “baba-ovo”, que “mata e morre” por um político com mandato - e até sem cargo eletivo -, pelo seu superior; é aquela pessoa que vive elogiando o seu idolatrado sob qualquer circunstância, ainda que esse o humilhe ou o trate mal; é ainda aquele que, para agradar o outro, só falta lamber-lhe os sapatos ou outras coisas.
É bastante característico do puxa-saco ser um indivíduo extremamente mentiroso. Cria uma imagem tão irreal de quem bajula que de repente não sabe mais onde termina a verdade e até onde vai a enganação. Contextualiza uma falsa noção sobre as coisas que o distancia da compreensão da realidade. Porém, distingue imediatamente e com perfeição se ouve pelas ruas ou principalmente pelo rádio alguém falando ou ao menos tencionando falar mal daquele que adula. Nesse momento, ataca a crise de bajulice e o único remédio para acalmar a safadeza é bater boca ou pegar o telefone para ligar para a emissora de rádio.
O rádio, por sinal, é talvez a única coisa que tem o dom de fazer com que o puxa-saco tenha espasmos de prazer e de ódio ao mesmo tempo. Sempre sentado perto do telefone, ele vai passando de emissora a emissora para ouvir se alguém está falando mal do político ou da autoridade. Nervoso, com vontade de saciar a fome da bajulação logo cedinho, o ouvido fica em alerta e na primeira oportunidade estará ele, como que automaticamente, telefonando para a emissora. Aí é a glória! E todos terão que ouvir “mas não é bem assim...”, “a oposição não tem o que fazer e fica...”, “ninguém nunca fez tanto quanto...”. Alguns chamam esse tipo de bajulador de rato de rádio, mas certamente seria melhor denominá-lo simplesmente de safado e mau caráter.
Mesmo que muitos insistam em não perceber – certamente porque também são puxa-sacos - alguns dos jornais impressos que diariamente circulam por aí estão recheados, folha por folha, palavra por palavra, de “partidarismo jornalístico”, que é uma forma disfarçada do puxa-saquismo explícito. O que diferencia tais jornais e os jornalistas que neles trabalham das demais espécies de bajuladores, é que estes se humilham e vendem a alma ao diabo na expectativa de ganhar alguma coisa a mais, enquanto que a imprensa geralmente é paga – e bem paga - para defender com unhas e dentes determinados políticos ou partidos, e da mesma forma para esculhambar com a imagem dos outros que estão na oposição. O pior é que tais jornais trabalham com dupla mentira: mentem escancaradamente para defender e agradar alguns e inventam deslavadamente para destruir os outros. Nesse caso, não seria rato de jornalismo, mas sim prostituto(a) da mídia.
O “baba-ovismo”, anomalia decorrente do puxa-saquismo, não é contagioso, mesmo que os seus portadores façam tudo para contaminar as demais pessoas. Os portadores dessa deficiência crônica geralmente são encontrados nos escritórios de políticos, nas ante-salas dos gabinetes de autoridades, políticos e vereadores; são sempre vistos sentados nas assembléias e câmaras, nas prefeituras e nas casas dos chefes políticos; contudo, o que mais gostam de fazer, e até imploram pra fazer isso, é carregar a pasta da autoridade, abrir a porta pra ela passar e acompanhá-la nas suas andanças. Gostariam de fazer muita mais coisas, e só não fazem porque algumas dessas autoridades ainda se sentem envergonhadas.
Como observado, o puxa-saquismo pode ser infinitamente caracterizado, possui inúmeras subespécies e está enraizado por todos os lugares e setores. Contudo, o que realmente mais impressiona é a característica mutável, ou seja, que pode mudar de posição de adulação num segundo, que sempre está presente na maioria dos puxa-sacos. Exemplos disso estão aí pra todo mundo ver, basta que o resultado de uma eleição aponte os vencedores para que ocorra uma debandada de puxa-sacos saindo de um lado e indo para o outro, passando a elogiar apaixonadamente aquele que ontem não valia nada. Isto é mais comum do que se imagina e tem a duração máxima de quatro anos ou de uma reeleição.
Farei, contudo, uma defesa de um tipo especial de puxa-saco, que é aquele que é pago exclusivamente para ficar telefonando para as emissoras durante os programas jornalísticos. Sem citar nomes, direi que trabalham exercendo o ofício que lhes foi permitido pela natureza – Deus sabe o que faz -, tanto é que ganham por tarefa, mas também direi que os seus trabalhos são tão honestos quanto fabricar moeda falsa. É tudo falso.
Advogado e poeta
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
Rangel Alves da Costa*
Infelizmente, nossos legisladores e os ilustres juristas responsáveis pela elaboração de projetos legislativos nunca tiveram a preocupação de incluir nos textos codificados a espécie de crime que seria tipificado como puxa-saquismo. A Lei dos Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/90), que trata dos crimes tidos como alarmantes, pavorosos, que causam indignação moral e repulsa da sociedade, também não cuidou de criminalizar a figura dessa abominável qualidade de gente que é o puxa-saco. É uma pena; deveria.
A tipificação do crime de puxa-saquismo seria simples: “É crime utilizar-se dos meios de comunicação, do diálogo pessoal com as demais pessoas ou de qualquer meio de escrita, com o intuito exclusivo de forjar a criação de uma imagem positiva de outra pessoa, instituição ou ente governamental. I – a pena será agravada e triplamente cominada se o beneficiado for algum político, com ou sem mandato; II – incorrerá na mesma pena aquele que denegrir a imagem de uma pessoa em benefício de outra. Pena: Reclusão, de 20 a 30 anos.”
No estado de Sergipe, por exemplo, teria que ser construído um cadeião, de segurança máxima, exclusivamente para comportar os puxa-sacos. E são tantos os bajuladores que espalham-se por aí que, à primeira vista, torna-se até difícil apontá-los perante características específicas. Agem como pessoas comuns, e até parecem comuns; comportam-se como pessoas normais, e até são normais em muitos aspectos. Contudo, são indivíduos perigosíssimos, com um desvio comportamental que há muito desafia a ciência, mas que muitos chamam de “baba-ovismo”.
Conceitualmente, o puxa-saco aquele que bajula a outrem, é a pessoa extremamente subserviente, lacaia; é o indivíduo adulador, “baba-ovo”, que “mata e morre” por um político com mandato - e até sem cargo eletivo -, pelo seu superior; é aquela pessoa que vive elogiando o seu idolatrado sob qualquer circunstância, ainda que esse o humilhe ou o trate mal; é ainda aquele que, para agradar o outro, só falta lamber-lhe os sapatos ou outras coisas.
É bastante característico do puxa-saco ser um indivíduo extremamente mentiroso. Cria uma imagem tão irreal de quem bajula que de repente não sabe mais onde termina a verdade e até onde vai a enganação. Contextualiza uma falsa noção sobre as coisas que o distancia da compreensão da realidade. Porém, distingue imediatamente e com perfeição se ouve pelas ruas ou principalmente pelo rádio alguém falando ou ao menos tencionando falar mal daquele que adula. Nesse momento, ataca a crise de bajulice e o único remédio para acalmar a safadeza é bater boca ou pegar o telefone para ligar para a emissora de rádio.
O rádio, por sinal, é talvez a única coisa que tem o dom de fazer com que o puxa-saco tenha espasmos de prazer e de ódio ao mesmo tempo. Sempre sentado perto do telefone, ele vai passando de emissora a emissora para ouvir se alguém está falando mal do político ou da autoridade. Nervoso, com vontade de saciar a fome da bajulação logo cedinho, o ouvido fica em alerta e na primeira oportunidade estará ele, como que automaticamente, telefonando para a emissora. Aí é a glória! E todos terão que ouvir “mas não é bem assim...”, “a oposição não tem o que fazer e fica...”, “ninguém nunca fez tanto quanto...”. Alguns chamam esse tipo de bajulador de rato de rádio, mas certamente seria melhor denominá-lo simplesmente de safado e mau caráter.
Mesmo que muitos insistam em não perceber – certamente porque também são puxa-sacos - alguns dos jornais impressos que diariamente circulam por aí estão recheados, folha por folha, palavra por palavra, de “partidarismo jornalístico”, que é uma forma disfarçada do puxa-saquismo explícito. O que diferencia tais jornais e os jornalistas que neles trabalham das demais espécies de bajuladores, é que estes se humilham e vendem a alma ao diabo na expectativa de ganhar alguma coisa a mais, enquanto que a imprensa geralmente é paga – e bem paga - para defender com unhas e dentes determinados políticos ou partidos, e da mesma forma para esculhambar com a imagem dos outros que estão na oposição. O pior é que tais jornais trabalham com dupla mentira: mentem escancaradamente para defender e agradar alguns e inventam deslavadamente para destruir os outros. Nesse caso, não seria rato de jornalismo, mas sim prostituto(a) da mídia.
O “baba-ovismo”, anomalia decorrente do puxa-saquismo, não é contagioso, mesmo que os seus portadores façam tudo para contaminar as demais pessoas. Os portadores dessa deficiência crônica geralmente são encontrados nos escritórios de políticos, nas ante-salas dos gabinetes de autoridades, políticos e vereadores; são sempre vistos sentados nas assembléias e câmaras, nas prefeituras e nas casas dos chefes políticos; contudo, o que mais gostam de fazer, e até imploram pra fazer isso, é carregar a pasta da autoridade, abrir a porta pra ela passar e acompanhá-la nas suas andanças. Gostariam de fazer muita mais coisas, e só não fazem porque algumas dessas autoridades ainda se sentem envergonhadas.
Como observado, o puxa-saquismo pode ser infinitamente caracterizado, possui inúmeras subespécies e está enraizado por todos os lugares e setores. Contudo, o que realmente mais impressiona é a característica mutável, ou seja, que pode mudar de posição de adulação num segundo, que sempre está presente na maioria dos puxa-sacos. Exemplos disso estão aí pra todo mundo ver, basta que o resultado de uma eleição aponte os vencedores para que ocorra uma debandada de puxa-sacos saindo de um lado e indo para o outro, passando a elogiar apaixonadamente aquele que ontem não valia nada. Isto é mais comum do que se imagina e tem a duração máxima de quatro anos ou de uma reeleição.
Farei, contudo, uma defesa de um tipo especial de puxa-saco, que é aquele que é pago exclusivamente para ficar telefonando para as emissoras durante os programas jornalísticos. Sem citar nomes, direi que trabalham exercendo o ofício que lhes foi permitido pela natureza – Deus sabe o que faz -, tanto é que ganham por tarefa, mas também direi que os seus trabalhos são tão honestos quanto fabricar moeda falsa. É tudo falso.
Advogado e poeta
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
Poço Redondo – A Saga de um povo
Obra do historiador Alcino Alves da Costa, reúne em suas 349 páginas a história, fatos da política local, além da trajetória de grandes políticos sergipanos do maior município do Estado de Sergipe: Poço Redondo.
Constituído por narrativas com relatos sobre a vida do povo da região, Poço Redondo – A Saga de um povo também conta o seu passado ligado a história do Cangaço, um doloroso episódio vivido pelo seu povo durante os anos do banditismo, comandado por Lampião.
Obra do historiador Alcino Alves da Costa, reúne em suas 349 páginas a história, fatos da política local, além da trajetória de grandes políticos sergipanos do maior município do Estado de Sergipe: Poço Redondo.
Constituído por narrativas com relatos sobre a vida do povo da região, Poço Redondo – A Saga de um povo também conta o seu passado ligado a história do Cangaço, um doloroso episódio vivido pelo seu povo durante os anos do banditismo, comandado por Lampião.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Sergipe abençoado! (III)
Publicada: 21/10/2009
Texto: Paulo Medeiros Gastão (Escritor e historiador - Mossoró de Santa Luzia - RN)
Preparado o matulão, o Caipira de Poço Redondo procura ganhar a caatinga. É nela que encontrará subsídios às suas pesquisas, suas exigências, suas determinações. Profundo conhecedor da sua gente, inicia o período das visitas-entrevistas naquelas mesmas casas que um dia visitou pretendendo ser o mandatário do município. Campanhas acirradas, palavras de convencimento na ponta da língua, promessas de novos tempos, as comemorações de três campanhas vitoriosas e a luta em prol do seu povo.
As fisionomias já não eram as mesmas. O tempo havia se encarregado em mudar.
A morada e as informações permaneciam intactas, vencedoras do tempo. Nos seus semblantes a alegria em recebê-lo e a curiosidade para com assuntos diferenciados de outrora. Já não mais se abordava a temática da política e sim, o registro de conteúdo cultural.
Quanto mais informes colhia, mais coragem e revigoramento para levar sua empreitada à frente. O sertanejo além de oferecer um gole de bom café, presta informações seguras, de qualidade indiscutível. São bons, puros. A maldade ainda não chegou pelas brenhas. Cadernetas de anotações prenhes só aguardavam a hora da chegada em casa para despejar o maravilhoso conteúdo na memória do computador.
Dias, semanas, meses, anos foram preenchidos com a coleta de dados. Agrupá-los, ordená-los sob forma cronológica, setorial ou outra maneira foi tarefa lenta e acobertada de muito cuidado e responsabilidade. Em muitos momentos estivemos em diálogo constante na busca da melhor redação e conteúdo. Na sua simplicidade o Caipira sempre dividiu, em primeiro lugar, para depois somar. Fórmula matemática de grande valor e aplicação usada pelos inteligentes e perspicazes. Poderia fazer sozinho, mas, não o fez.
Na ânsia de ver seu livro, dizem muitos, primeiro filho, nascer e ganhar mundo já surgia na sua inquieta mente projetos mirabolantes, grandiosos até mesmo aqueles voltados para com o uso do imaginário, tão em moda na Sorbonne, nos departamentos da universidade francesa. Era momento de muita inquietação.
Em 1996 nasce então seu primeiro opúsculo. Titulação vibrante, denunciadora da saga dos cangaceiros, ou melhor – da Guerra Cangaceira. E assim nasceu Lampião Além da Versão. A respeitável antropóloga, professora, mestra da Universidade do Rio de Janeiro, Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros encarrega-se de prefaciar aquela obra que correria o mundo. Tendo como sub-título – Mentiras e Mistérios de Angico.
Nas suas entranhas está o conteúdo que inicia o despertar das ocorrências na grota de Angico. O momento já era esperado, porém, é na pessoa do escritor Alcino Costa que temos o pontapé inicial. Muitas foram as contrariedades surgidas após leitura, porém, o ganho em adeptos foi muito maior.
E assim a história continua...
Publicada: 21/10/2009
Texto: Paulo Medeiros Gastão (Escritor e historiador - Mossoró de Santa Luzia - RN)
Preparado o matulão, o Caipira de Poço Redondo procura ganhar a caatinga. É nela que encontrará subsídios às suas pesquisas, suas exigências, suas determinações. Profundo conhecedor da sua gente, inicia o período das visitas-entrevistas naquelas mesmas casas que um dia visitou pretendendo ser o mandatário do município. Campanhas acirradas, palavras de convencimento na ponta da língua, promessas de novos tempos, as comemorações de três campanhas vitoriosas e a luta em prol do seu povo.
As fisionomias já não eram as mesmas. O tempo havia se encarregado em mudar.
A morada e as informações permaneciam intactas, vencedoras do tempo. Nos seus semblantes a alegria em recebê-lo e a curiosidade para com assuntos diferenciados de outrora. Já não mais se abordava a temática da política e sim, o registro de conteúdo cultural.
Quanto mais informes colhia, mais coragem e revigoramento para levar sua empreitada à frente. O sertanejo além de oferecer um gole de bom café, presta informações seguras, de qualidade indiscutível. São bons, puros. A maldade ainda não chegou pelas brenhas. Cadernetas de anotações prenhes só aguardavam a hora da chegada em casa para despejar o maravilhoso conteúdo na memória do computador.
Dias, semanas, meses, anos foram preenchidos com a coleta de dados. Agrupá-los, ordená-los sob forma cronológica, setorial ou outra maneira foi tarefa lenta e acobertada de muito cuidado e responsabilidade. Em muitos momentos estivemos em diálogo constante na busca da melhor redação e conteúdo. Na sua simplicidade o Caipira sempre dividiu, em primeiro lugar, para depois somar. Fórmula matemática de grande valor e aplicação usada pelos inteligentes e perspicazes. Poderia fazer sozinho, mas, não o fez.
Na ânsia de ver seu livro, dizem muitos, primeiro filho, nascer e ganhar mundo já surgia na sua inquieta mente projetos mirabolantes, grandiosos até mesmo aqueles voltados para com o uso do imaginário, tão em moda na Sorbonne, nos departamentos da universidade francesa. Era momento de muita inquietação.
Em 1996 nasce então seu primeiro opúsculo. Titulação vibrante, denunciadora da saga dos cangaceiros, ou melhor – da Guerra Cangaceira. E assim nasceu Lampião Além da Versão. A respeitável antropóloga, professora, mestra da Universidade do Rio de Janeiro, Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros encarrega-se de prefaciar aquela obra que correria o mundo. Tendo como sub-título – Mentiras e Mistérios de Angico.
Nas suas entranhas está o conteúdo que inicia o despertar das ocorrências na grota de Angico. O momento já era esperado, porém, é na pessoa do escritor Alcino Costa que temos o pontapé inicial. Muitas foram as contrariedades surgidas após leitura, porém, o ganho em adeptos foi muito maior.
E assim a história continua...
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Alcino - O Caipira de Poço Redondo (II)
Publicada: 20/10/2009
Texto: Paulo Medeiros Gastão (Escritor e historiador - Mossoró de Santa Luzia - RN)
Irrequieto, vibrando com suas andanças pelos mundos dos sertões sergipanos segue Alcino Costa em busca de novas concepções. Inicialmente constrói como o fazem os residentes da bacia amazônica a luta do rio e o boi. Surgem suas belas lendas desta feita tendo-se o amparo do Rio São Francisco. Mostrou-se firme e forte, consistente para com a nova empreitada. Deixou a porta aberta para em breve retornar ao imaginário san-franciscano.
Envolvendo-se no emaranhado de situações cria o escritor uma grande personagem. Presenteia-nos com obra inédita intitulada – Maria do Sertão. Trabalho esmerado que significa a paixão do próprio escritor. Conteúdo de fôlego onde o autor percorre caminhos nunca antes andados e domina com linguagem simples, objetiva a fixação do leitor ao apaixonante tema.
A dinâmica estabelecida por Alcino Costa o leva a compor versos sobre temas regionais, onde estão incluídos o rio, o vaqueiro, a natureza e amigos da sua predileção.
Busca a comunicação com o mundo sertanejo via rádio, ocupando espaço cativo nas tardes de sábado na Rádio Xingó FM, instalada na cidade de Canindé de São Francisco, às margens do Velho Chico. A programação tem um caráter absolutamente regional onde mensagens são transmitidas aos ouvintes localizados nas redondezas e são as mesmas envoltas com poesias, música caipira, sons de violeiros e repentistas de todo o Brasil.
Detém o maior índice de audiência naquele horário. É campeão sem concorrente.
Dedica-se o memorialista a realizar entrevistas com pessoas que possam lhe subsidiar materiais que dentro em breve passarão a ser capítulo do próximo livro. Assim foi o inicio do seu majestoso ‘Mentiras e Mistérios de Angico’.
Estão em preparo novos temas sobre o cangaço, porém, com características mais abrangentes e área de ação bem mais ampla. Vamos esperar que desta feita Alcino Costa mostre com eficiência todos os fatos ocorridos no Estado de Sergipe. Aliás, no Brasil, só Alcino tem condições de realizar trabalho de tamanha envergadura.
O irrequieto Alcino Costa já concluiu sua pesquisa sobre os primórdios de Poço Redondo, principalmente, no que tange a vida no campo. Elementos como o coronel, as grandes glebas de terras, o vaqueiro, o cavalo, o boi, as pegas de boi, as vaquejadas, enfim, a vida do homem do campo e os ingredientes que compõem seu universo.
O trabalho que conseguiu Alcino realizar é digno de melhores elogios. Relembra as gerações anteriores e seus ídolos e, deixa as futuras gerações o relato das origens do povo guerreiro que habita as margens do Rio Jacaré.
Gostaríamos de ver a multiplicação do gesto que só honra traz aos sergipanos, pois, precisamos ter muitos Alcino Costa para que possam relatar os fatos ocorridos num passado bem recente nas suas respectivas regiões.
Alcino nos ensina a ser brasileiros, e mais ainda, a sermos nordestinos. O amor a terra, a flora benfazeja, a fauna com registros de extinção, os rios que geram energia, o valente sertanejo e a linda mulata.
Alcino Costa tem conseguido de forma magistral transformar o pequeno Sergipe, territorialmente falado, em grande celeiro dos melhores produtos que pode o homem colher. Vamos acolher da melhor forma as lições emanadas pelo professor das caatingas, que prefere ser chamado de o ‘Caipira de Poço Redondo’.
Só temos uma atitude a tomar e procurar ampliá-la pelo imenso Brasil, assim dizendo: Alcino Costa muito grato por tudo aquilo que você conseguiu reunir e nos presenteou. Que o Senhor continue iluminando seus caminhos.
Publicada: 20/10/2009
Texto: Paulo Medeiros Gastão (Escritor e historiador - Mossoró de Santa Luzia - RN)
Irrequieto, vibrando com suas andanças pelos mundos dos sertões sergipanos segue Alcino Costa em busca de novas concepções. Inicialmente constrói como o fazem os residentes da bacia amazônica a luta do rio e o boi. Surgem suas belas lendas desta feita tendo-se o amparo do Rio São Francisco. Mostrou-se firme e forte, consistente para com a nova empreitada. Deixou a porta aberta para em breve retornar ao imaginário san-franciscano.
Envolvendo-se no emaranhado de situações cria o escritor uma grande personagem. Presenteia-nos com obra inédita intitulada – Maria do Sertão. Trabalho esmerado que significa a paixão do próprio escritor. Conteúdo de fôlego onde o autor percorre caminhos nunca antes andados e domina com linguagem simples, objetiva a fixação do leitor ao apaixonante tema.
A dinâmica estabelecida por Alcino Costa o leva a compor versos sobre temas regionais, onde estão incluídos o rio, o vaqueiro, a natureza e amigos da sua predileção.
Busca a comunicação com o mundo sertanejo via rádio, ocupando espaço cativo nas tardes de sábado na Rádio Xingó FM, instalada na cidade de Canindé de São Francisco, às margens do Velho Chico. A programação tem um caráter absolutamente regional onde mensagens são transmitidas aos ouvintes localizados nas redondezas e são as mesmas envoltas com poesias, música caipira, sons de violeiros e repentistas de todo o Brasil.
Detém o maior índice de audiência naquele horário. É campeão sem concorrente.
Dedica-se o memorialista a realizar entrevistas com pessoas que possam lhe subsidiar materiais que dentro em breve passarão a ser capítulo do próximo livro. Assim foi o inicio do seu majestoso ‘Mentiras e Mistérios de Angico’.
Estão em preparo novos temas sobre o cangaço, porém, com características mais abrangentes e área de ação bem mais ampla. Vamos esperar que desta feita Alcino Costa mostre com eficiência todos os fatos ocorridos no Estado de Sergipe. Aliás, no Brasil, só Alcino tem condições de realizar trabalho de tamanha envergadura.
O irrequieto Alcino Costa já concluiu sua pesquisa sobre os primórdios de Poço Redondo, principalmente, no que tange a vida no campo. Elementos como o coronel, as grandes glebas de terras, o vaqueiro, o cavalo, o boi, as pegas de boi, as vaquejadas, enfim, a vida do homem do campo e os ingredientes que compõem seu universo.
O trabalho que conseguiu Alcino realizar é digno de melhores elogios. Relembra as gerações anteriores e seus ídolos e, deixa as futuras gerações o relato das origens do povo guerreiro que habita as margens do Rio Jacaré.
Gostaríamos de ver a multiplicação do gesto que só honra traz aos sergipanos, pois, precisamos ter muitos Alcino Costa para que possam relatar os fatos ocorridos num passado bem recente nas suas respectivas regiões.
Alcino nos ensina a ser brasileiros, e mais ainda, a sermos nordestinos. O amor a terra, a flora benfazeja, a fauna com registros de extinção, os rios que geram energia, o valente sertanejo e a linda mulata.
Alcino Costa tem conseguido de forma magistral transformar o pequeno Sergipe, territorialmente falado, em grande celeiro dos melhores produtos que pode o homem colher. Vamos acolher da melhor forma as lições emanadas pelo professor das caatingas, que prefere ser chamado de o ‘Caipira de Poço Redondo’.
Só temos uma atitude a tomar e procurar ampliá-la pelo imenso Brasil, assim dizendo: Alcino Costa muito grato por tudo aquilo que você conseguiu reunir e nos presenteou. Que o Senhor continue iluminando seus caminhos.
Poço Redondo e Alcino (I)
Publicada: 18/10/2009
Texto: Paulo Medeiros Gastão (Escritor e historiador - Mossoró de Santa Luzia - RN)
As gerações se sucedem num piscar de olhos. A lista de nomes representativos pode ser consultada tanto no Estado de Sergipe, como nos confins da Mongólia. Queremos nos referir especificamente aqueles que se dedicam ao mundo da literatura popular na forma mais abrangente que possamos admitir.
Continua sendo ledo engano somente as grandes cidades, capitais ou não, serem produtoras de bons cronistas, jornalistas, pesquisadores, escritores. É oportuno lembrar que a maioria dos selecionados são originários de pequenos rincões, distantes do grande centro cultural e administrativo.
Vamos deixar a brancura das ondas do Atlântico para nos depararmos com a enxurrada trazendo nutrientes no seu bojo, mas que alegra aos residentes às margens do Rio Jacaré. Assim agem o Mecong, o Amazonas, o Missisipi, o Nilo e demais grandes rios do mundo. O rio torna-se a fonte de riqueza e bonança às comunidades ribeirinhas. Ai está o Egito e o Nilo como eficaz afirmativa.
No caminho dessas águas encontra-se a pequenina e admirada Poço Redondo. Chão de homens corajosos na luta com o gado, como também, no uso das armas. Sua existência vem dos idos do século passado, quando ainda em formação pertencia ao município de Porto da Folha.
Sua pujança se fez notar pelo procedimento da sua gente, ao longo dos anos, onde a luta pela sobrevivência sempre afrontava a todos. Fizeram os homens que seu solo branco gerasse energia suficiente para que todos permanecessem atrelados aquele torrão. Ninguém debandou. Lutas infindas foram travadas ao longo dos tempos. Necessário se fazia a procura de um cronista para dar conhecimento ao mundo do quanto bravio é o povo de Poço Redondo e de tudo que o cerca.
Na sua brejeirice, encontramos um homem, que ao longo dos anos vem sendo o grande e único repórter dos sertões sergipanos. Ocupa-se com cangaço, música popular, literatura de cordel, peleja de violeiros, os tempos do ontem e do hoje. Tem programa matuto na rádio Xingó FM, que opera na vizinha cidade de Canindé de São Francisco, levando sua voz amiga, ouvida e acatada informações de real utilidade aos ouvintes tanto os do Jacaré como os do São Francisco. Serviço hercúleo faz o Caipira de Poço Redondo todas as semanas.
De forma simples, humilde e buscando um lugar ao sol no mundo literário consegue com seus primeiros livros obter aceitação e credibilidade. Com o aval dos ditos letrados estavam as veredas livres para com suas pesquisas.
Assim, Alcino Alves Costa, também conhecido por Alcino Costa, o caipira de Poço Redondo, abraça a causa dos seus conterrâneos. Prepara-se para uma grande jornada, talvez sem fim, porém, extremamente gratificante. É sabedor das dificuldades, alegrias, preocupações que está abraçando. Como homem determinado não olhou para trás. O que ele deseja na expressão ‘atrás’ é a história dos seus antecedentes e consequentemente do povo da sua geração, e mais, como ele gosta de se expressar, - a história dos povos sertanejos.
Alcino cria linguagem, personagens, mostra-se humano, grande memorialista e único repórter-escritor dos sertões de Sergipe. Brevemente voltaremos ao assunto.
Publicada: 18/10/2009
Texto: Paulo Medeiros Gastão (Escritor e historiador - Mossoró de Santa Luzia - RN)
As gerações se sucedem num piscar de olhos. A lista de nomes representativos pode ser consultada tanto no Estado de Sergipe, como nos confins da Mongólia. Queremos nos referir especificamente aqueles que se dedicam ao mundo da literatura popular na forma mais abrangente que possamos admitir.
Continua sendo ledo engano somente as grandes cidades, capitais ou não, serem produtoras de bons cronistas, jornalistas, pesquisadores, escritores. É oportuno lembrar que a maioria dos selecionados são originários de pequenos rincões, distantes do grande centro cultural e administrativo.
Vamos deixar a brancura das ondas do Atlântico para nos depararmos com a enxurrada trazendo nutrientes no seu bojo, mas que alegra aos residentes às margens do Rio Jacaré. Assim agem o Mecong, o Amazonas, o Missisipi, o Nilo e demais grandes rios do mundo. O rio torna-se a fonte de riqueza e bonança às comunidades ribeirinhas. Ai está o Egito e o Nilo como eficaz afirmativa.
No caminho dessas águas encontra-se a pequenina e admirada Poço Redondo. Chão de homens corajosos na luta com o gado, como também, no uso das armas. Sua existência vem dos idos do século passado, quando ainda em formação pertencia ao município de Porto da Folha.
Sua pujança se fez notar pelo procedimento da sua gente, ao longo dos anos, onde a luta pela sobrevivência sempre afrontava a todos. Fizeram os homens que seu solo branco gerasse energia suficiente para que todos permanecessem atrelados aquele torrão. Ninguém debandou. Lutas infindas foram travadas ao longo dos tempos. Necessário se fazia a procura de um cronista para dar conhecimento ao mundo do quanto bravio é o povo de Poço Redondo e de tudo que o cerca.
Na sua brejeirice, encontramos um homem, que ao longo dos anos vem sendo o grande e único repórter dos sertões sergipanos. Ocupa-se com cangaço, música popular, literatura de cordel, peleja de violeiros, os tempos do ontem e do hoje. Tem programa matuto na rádio Xingó FM, que opera na vizinha cidade de Canindé de São Francisco, levando sua voz amiga, ouvida e acatada informações de real utilidade aos ouvintes tanto os do Jacaré como os do São Francisco. Serviço hercúleo faz o Caipira de Poço Redondo todas as semanas.
De forma simples, humilde e buscando um lugar ao sol no mundo literário consegue com seus primeiros livros obter aceitação e credibilidade. Com o aval dos ditos letrados estavam as veredas livres para com suas pesquisas.
Assim, Alcino Alves Costa, também conhecido por Alcino Costa, o caipira de Poço Redondo, abraça a causa dos seus conterrâneos. Prepara-se para uma grande jornada, talvez sem fim, porém, extremamente gratificante. É sabedor das dificuldades, alegrias, preocupações que está abraçando. Como homem determinado não olhou para trás. O que ele deseja na expressão ‘atrás’ é a história dos seus antecedentes e consequentemente do povo da sua geração, e mais, como ele gosta de se expressar, - a história dos povos sertanejos.
Alcino cria linguagem, personagens, mostra-se humano, grande memorialista e único repórter-escritor dos sertões de Sergipe. Brevemente voltaremos ao assunto.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
O cangaço na vida de Poço Redondo
Texto: Alcino Alves Costa (O caipira de Poço Redondo).
Ao contrário dos que garantem e afirmam ser o cangaço um flagelo que teve seu início por volta de 1870, pode-se afirmar com segurança que ele surgiu nos campos do sertão nordestino desde os idos do Brasil Colonial.
O cangaço e as secas foram os grandes flagelos dos povos sertanejos. Todo o nordeste se rendeu aos horrores daquela tenebrosa sociedade do crime. A seca dizimava os campos e a vida pastoril. O cangaço fazia nascer e florescer brutais criminosos, mestres do bacamarte e do clavinote. Alguns desses sanguinários matadores se tornaram célebres personagens da história sertaneja. Estão nos livros as aventuras de Inocêncio Vermelho, João Calango, Jesuíno Brilhante, Né Dadu, Sinhô Pereira, Luiz Padre e aquele que foi a sua maior e mais luminosa estrela: Virgulino Ferreira da Silva – Lampião.
Em se estudando o cangaço não se pode desconhecer uma verdade pura e cristalina que é aquela de se verificar que essa epopéia nordestina legou o seu povo a um terrível sofrimento, uma provação sem precedente e que varou anos e mais anos, só vindo ter fim na histórica chacina de Angico, no Riacho do Tamanduá, conhecido famosamente como Riacho do Angico, em Poço Redondo, local onde morreram Lampião, Maria Bonita, e ainda, nove de seus companheiros.
Pode-se atestar, com toda convicção, que o cangaço, através da sanha perversa e homicida do cangaceiro, e até das volantes do governo, eram pestes que só traziam dores e sofrimentos para os povos catingueiros.
Nada neste mundo se compara ao sofrimento e agonia que viveu a nossa indefesa gente cabocla, vivendo, por tão longos anos, a mercê daquela turba sanguinolenta que sentia especial prazer em judiar, esfolar e matar as pobres, desvalidas e desafortunadas famílias caipiras.
Cangaceiro e soldado achavam-se os senhores da vida e da morte dos que habitavam as terras dos cafundós dos sertões.
Positivamente, cangaço e volante foram desgraças que enlutaram o povo sertanejo. Que os digam as 83 mortes acontecidas no Estado de Sergipe, sendo 69 delas acontecidas no Sertão do São Francisco. Infelizmente, o nosso sofrido e heróico Poço Redondo teve a desventura de ver suas terras empapadas pelo sangue de 55 pessoas assassinadas pelas armas bandoleiras e pelos soldados de volante.
Os tempos de Lampião causaram estragos irreparáveis na vida do homem do campo. O flagelo do cangaço foi o responsável pela perda total da tranqüilidade e paz do simplório campônio que viu estupefato e indefeso o seu mundo sertanejo preso, dominado, oprimido e torturado pelos senhores do crime e pelos senhores da lei, tão ferozes como aqueles.
O sangue sertanejo embebeu a terra cabocla de Poço Redondo. Desesperada e indefesa, a população do lugarzinho de China deixou suas casas e se jogou pelo mundo, não ficando uma só família, um só morador naquela abandonada e triste povoação. O êxodo foi total. Por duas vezes – 1932 e 1937 – essa diáspora do povo de Poço Redondo aconteceu. As ruas e praças ficaram abandonadas, nelas não se via um ser humano. As taperinhas com suas portas e janelas abertas e os animais silvestres descansando em seus telheiros, sem nenhum receio de serem atacados pelos caçadores. Os pebas e tatus faziam suas moradias nas salas, varandas, quartos e cozinhas das casas desertas. Quem visse Poço Redondo estava vendo um cenário de dor e infinita tristeza.
Fugindo da maldição daqueles terríveis tempos, os tempos do cangaceiro e das volantes, os habitantes de Poço Redondo deixaram o seu mundo amado e foram viver em outros lugares, principalmente Canhoba, Telha, Propriá e a então Serra Negra do tenente João Maria de Carvalho.
Essa comovente aventura conhecida como “As carreiras” é um marco glorioso na história de Poço Redondo que após a morte de Lampião viu seu povo retornar e refazer o seu lugarzinho tornando-o com o andejar dos anos um lugar de respeito e destaque em todo Sertão do São Francisco.
Filho do sofrimento e da pobreza, mesmo assim, a coragem e a fé dos filhos e habitantes de Poço Redondo fizeram-no um grande e considerado município que é um dos fortes pilares do Sertão do São Francisco e de Sergipe.
Texto: Alcino Alves Costa (O caipira de Poço Redondo).
Ao contrário dos que garantem e afirmam ser o cangaço um flagelo que teve seu início por volta de 1870, pode-se afirmar com segurança que ele surgiu nos campos do sertão nordestino desde os idos do Brasil Colonial.
O cangaço e as secas foram os grandes flagelos dos povos sertanejos. Todo o nordeste se rendeu aos horrores daquela tenebrosa sociedade do crime. A seca dizimava os campos e a vida pastoril. O cangaço fazia nascer e florescer brutais criminosos, mestres do bacamarte e do clavinote. Alguns desses sanguinários matadores se tornaram célebres personagens da história sertaneja. Estão nos livros as aventuras de Inocêncio Vermelho, João Calango, Jesuíno Brilhante, Né Dadu, Sinhô Pereira, Luiz Padre e aquele que foi a sua maior e mais luminosa estrela: Virgulino Ferreira da Silva – Lampião.
Em se estudando o cangaço não se pode desconhecer uma verdade pura e cristalina que é aquela de se verificar que essa epopéia nordestina legou o seu povo a um terrível sofrimento, uma provação sem precedente e que varou anos e mais anos, só vindo ter fim na histórica chacina de Angico, no Riacho do Tamanduá, conhecido famosamente como Riacho do Angico, em Poço Redondo, local onde morreram Lampião, Maria Bonita, e ainda, nove de seus companheiros.
Pode-se atestar, com toda convicção, que o cangaço, através da sanha perversa e homicida do cangaceiro, e até das volantes do governo, eram pestes que só traziam dores e sofrimentos para os povos catingueiros.
Nada neste mundo se compara ao sofrimento e agonia que viveu a nossa indefesa gente cabocla, vivendo, por tão longos anos, a mercê daquela turba sanguinolenta que sentia especial prazer em judiar, esfolar e matar as pobres, desvalidas e desafortunadas famílias caipiras.
Cangaceiro e soldado achavam-se os senhores da vida e da morte dos que habitavam as terras dos cafundós dos sertões.
Positivamente, cangaço e volante foram desgraças que enlutaram o povo sertanejo. Que os digam as 83 mortes acontecidas no Estado de Sergipe, sendo 69 delas acontecidas no Sertão do São Francisco. Infelizmente, o nosso sofrido e heróico Poço Redondo teve a desventura de ver suas terras empapadas pelo sangue de 55 pessoas assassinadas pelas armas bandoleiras e pelos soldados de volante.
Os tempos de Lampião causaram estragos irreparáveis na vida do homem do campo. O flagelo do cangaço foi o responsável pela perda total da tranqüilidade e paz do simplório campônio que viu estupefato e indefeso o seu mundo sertanejo preso, dominado, oprimido e torturado pelos senhores do crime e pelos senhores da lei, tão ferozes como aqueles.
O sangue sertanejo embebeu a terra cabocla de Poço Redondo. Desesperada e indefesa, a população do lugarzinho de China deixou suas casas e se jogou pelo mundo, não ficando uma só família, um só morador naquela abandonada e triste povoação. O êxodo foi total. Por duas vezes – 1932 e 1937 – essa diáspora do povo de Poço Redondo aconteceu. As ruas e praças ficaram abandonadas, nelas não se via um ser humano. As taperinhas com suas portas e janelas abertas e os animais silvestres descansando em seus telheiros, sem nenhum receio de serem atacados pelos caçadores. Os pebas e tatus faziam suas moradias nas salas, varandas, quartos e cozinhas das casas desertas. Quem visse Poço Redondo estava vendo um cenário de dor e infinita tristeza.
Fugindo da maldição daqueles terríveis tempos, os tempos do cangaceiro e das volantes, os habitantes de Poço Redondo deixaram o seu mundo amado e foram viver em outros lugares, principalmente Canhoba, Telha, Propriá e a então Serra Negra do tenente João Maria de Carvalho.
Essa comovente aventura conhecida como “As carreiras” é um marco glorioso na história de Poço Redondo que após a morte de Lampião viu seu povo retornar e refazer o seu lugarzinho tornando-o com o andejar dos anos um lugar de respeito e destaque em todo Sertão do São Francisco.
Filho do sofrimento e da pobreza, mesmo assim, a coragem e a fé dos filhos e habitantes de Poço Redondo fizeram-no um grande e considerado município que é um dos fortes pilares do Sertão do São Francisco e de Sergipe.
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