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domingo, 16 de outubro de 2011

O BLEFE E O JOGADOR (O CASO DA RENÚNCIA DE FREI ENOQUE)

O BLEFE E O JOGADOR (O CASO DA RENÚNCIA DE FREI ENOQUE)

                                           Rangel Alves da Costa*


No jogo de azar, chama-se blefe o recurso empregado pelo jogador para enganar o adversário, fazendo estardalhaço e fingindo estar com determinadas cartas, quando na verdade está com cartas completamente diferentes.
Do mesmo modo, seria enganar por falsas aparências, especialmente de superioridade de força ou situação vantajosa; beneficiar-se fazendo os oponentes acreditarem numa situação diversa da real.
Na política, por mais que eleitores e adversários insistam em não ter os devidos cuidados, o blefe é mais corriqueiro do que se imagina. Ora, o político em reconhecida desvantagem passa a criar uma situação que faz despertar as massas, procura simular um fato que o faça novamente lembrado. E se a circunstância o colocar como vítima, então o blefe poderá produzir as maiores consequencias.
Exemplo claro de blefe na política é essa história que o próprio Frei Enoque, prefeito de Poço Redondo, ardilosamente criou, inventou como somente ele é capaz de urdir, acerca de sua iminente renúncia, e fez espalhar a boataria de boca em boca, de rincão a rincão no município e além fronteiras.
Verdade é que se sentindo fragilizado politicamente, vendo seu reinado impiedoso desmoronar pela revolta do próprio povo e pelo despertar da morosa justiça, logo começou a maquinar um fato novo que o tornasse vítima, injustiçado e sem o apoio que merecia. E para tal colocou – acreditem! – a própria Igreja como seu algoz.
Segundo o boato espalhado, o Vaticano enviou comunicado às Dioceses pedindo providências sobre a situação dos sacerdotes que estavam querendo conduzir dois rebanhos ao mesmo tempo: os fiéis e os eleitores. Aqueles que optassem pela política partidária, disputando ou assumindo cargos eletivos, teriam que escolher entre a cruz ou o sufrágio.
E já no terceiro mandato do Frei Enoque, no instante em que os processos judiciais e administrativos por improbidade administrativa ameaçam lhe tomar o poder, e, consequentemente, sem grandes perspectivas de garantir reeleição, eis que mandou espalhar que iria renunciar por conta das exigências da Igreja.
Essa história sobre a orientação da Igreja, no sentido de que seus pastores façam a opção entre a política e a vida eclesiástica não é nova não. Antes mesmo que Enoque fizesse da igreja matriz de Poço Redondo um vergonhoso palanque para chegar ao poder, tal fato já existia e nunca deu em nada.
E por quê? Ora, simplesmente porque é no poder político que a Igreja também se sustenta. Tanto é assim que nunca o colocou na parede, nunca exigiu que largasse de vez a batina e fosse morar de vez, como é o seu perpétuo sonho, na Av. Poço Redondo, local sede da prefeitura.
O que se revela nesse instante é aquilo que o sertanejo chama de estória pra boi dormir, de mais deslavado blefe. Assim, espalhando que a Igreja está fazendo tal exigência, ao optar por continuar na política o fará para estar ao lado do povo, porque gosta do povo, porque nasceu para administrar para o povo. E então mandará espalhar que já que decidiu ficar com o povo, então espera que a comunidade também reconheça o seu esforço e lhe dê mais uma chance na disputa do próximo pleito.
Ora, Enoque acertou o jogo com a Igreja, porém esqueceu-se de perguntar ao povo se quer que ele renuncie ou não; esqueceu de perguntar ao Tribunal de Contas e ao Poder Judiciário se querem que ele continue no poder ou não; esqueceu de se perguntar, por todo o mal cometido, se a justiça divina lhe absolverá ou não.
Portanto, essa história de renúncia foi apenas mais uma das artimanhas utilizadas para seus eleitores acharem que a Igreja estaria sendo injusta com ele, exigindo que deixasse a prefeitura logo agora que já está perto do seu 12º ano de poder, e que tudo fariam para continuar demonstrando a confiança de sempre. E todo o município ouviria que Enoque, ao decidir não atender a Igreja, optou por continuar ao lado do povo. E juro que tem gente que até se derramará em lágrimas.
E agora, quando o anjo caído começar a bater novamente suas asas, somente a água benta da justiça ou o rosário do povo para nos livrar de todo o mal. De antemão, me benzo e oro pelo meu Poço Redondo.




Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
blograngel-sertao.blogspot.com      

2 comentários:

Anônimo disse...

Poço Redondo vive os piores dias de todos os tempos!
Com uma administração totalmente ineficaz e apresentando uma desinteligencia enorme em todos os setores.

Messias disse...

Meu caro Rangel Alves, Poço redondo não sei "porque" passa por essas situações. Mas confesso que embora a mentira a hiprocisia a impunidade e a desfaçatez esteja reinando soberanamente em nosso torrão natal; Nada se compara ao abandono total e absoluto em que vivemos e para completar até a igreja catolica é utilizada por mercenários afim de dá explicações.

Inté mais, meu caro.
Messias