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sábado, 24 de setembro de 2011

Rendas e bordados (Poesia)

Rendas e bordados



No travesseiro tinha o nome
na toalha tinha o nome
no cobertor tinha o nome
o nome estava em todo lugar
desenhado no canto do pano
com letras ponto a ponto
tomando a feição do nome
e tudo riscado e trabalhado
na agulha e na costura
no dedal de metal brilhoso
na vida que se acostumava
a esperar a hora do entardecer
assim que o sol esfriava
e a cadeira de balanço
balançava na beira da calçada
numa prosa com a vizinha
num boa tarde à comadre
no ponto que feria o dedo
na ponta que puxava a linha
na linha que puxava o nome
e que deveria ser sempre
rendado e bordado apenas
com o nome mãe.


Rangel Alves da Costa

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