*Rangel Alves da Costa
Existem instantes do dia que são moldados ao
sofrimento, à tristeza, às saudades e recordações. Igualmente a feições do dia
que são tomados de angústias, melancolias, dolorosos silêncios. Depois do
entardecer, a chuva caindo sempre faz despertar sentimentos aflitivos e
angustiantes. O próprio pôr do sol sempre se ilumina carregado de pincéis
tormentosos. É que o espírito e alma de repente renascem passados, retratos,
memórias, recordações. Do mesmo modo quando o sol já vai mudando de cor e seu
vermelho-alaranjado vai formando retratos nos céus. São como velas acesas por
um Deus que reabre os baús da memória. Perante as paisagens belas, apenas
olhares entristecidos, corações pulsantes, folhagens que se desprendem dos
galhos em leve adeus. E nas ventanias do entardecer, debaixo ou redor dos pés
de paus de copas largas, em meio a zunidos da natureza, as lembranças presentes
numa cadeira de balanço que apenas dança. Noutros tempos, nos idos da vida, ali
repousava a velha senhora com suas lembranças. De seus olhos caíam lágrimas e
de sua boca um silêncio trêmulo, muito mais forte que o grito. Mas nada mais
resta senão a cadeira de balanço que se embala sozinha, entre saudades e
ventanias. Nada mais resta senão as tardes com suas canções antigas, que chegam
com as ventanias e vão sumindo com as últimas cinzas do sol.
Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com
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