SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



terça-feira, 9 de outubro de 2018

Palavra Solta - eu em mim



*Rangel Alves da Costa


Eu em mim. Nunca mais eu havia me reencontrando neste espelho. Um reflexo tão triste e doloroso quanto a própria vida. Eu aqui de cigarro aceso, sem palavra, sem companhia, sem boa cabeça para pensar em nada. Triste, de tristeza infinita. Não estou bem. Ando sofrendo demais. Minha borboleta nunca mais apareceu. Também cortaram o meu pé de laranja lima. Minha nuvem passa sem desenho ou fotografia. Nada na manhã, breu ao escurecer. Eu não era assim. Apenas entristecia, apenas sofria um pouquinho, apenas sangrava um pouquinho. Mas eis que de repente surgiram os açoites, as ventanias, os vendavais, as tempestades. Não tenho estrada nem lírios do campo. Não tenho valsa para valsar. Não tenho um Noturno de Chopin nem uma taça de vinho. Minha janela está aberta e nenhuma lua quer entrar. Talvez amanhã eu melhore. Talvez amanhã eu esteja bem melhor. E fugindo dos desvãos da vida, nunca mais querer experimentar as páginas dolorosas e angustiantes como nas confissões literárias - e de vida - de Clarice Lispector.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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