SAIA DO SOL E DA CHUVA, ENTRE...

A morada é simples, é sertaneja, mas tem alimento para o espírito, amizade e afeto.



quarta-feira, 5 de julho de 2017

Palavra Solta - ao entardecer, nas pedras do cais


*Rangel Alves da Costa


Preciso de um entardecer poético, singelo, sublime. Preciso de um entardecer de pedras do cais. E sentado nas pedras, apenas viver o instante. Uma paisagem apenas, mas muito mais. O sopro da brisa, o cheiro forte da maresia, o barulho das ondas, o silêncio gritante das águas, os passos que vão se pagando na areia, coqueirais em seu dolente balanço. Eu sentando nas pedras do cais e o olhar singrando ao longe, sendo barco, sendo vela, sendo nau sem destino. Eu mirando o velho farol e minha mente viajando em navio de partida. E nas ondas uma estrada, um caminho, uma distância. Uma gaivota se aproxima e pensa que sou marinheiro. Apenas um solitário, haverei de dizer. E talvez, dali mesmo das pedras do cais, eu aviste adiante, emergindo da areia molhada, uma velha garrafa tendo por dentro uma carta: “Que essa carta encontre alguém que seja mais feliz que eu. Que esse alguém tenha amado e sido feliz ao lado de seu amor. Que esse alguém não vague pelas solidões da praia com flor à mão e olhos molhados. E que seja bem mais feliz e sorridente do que eu fui neste deserto mundo de solidão. Por que aqui já não faz sol, já não tem lua, já não tem amanhecer nem entardecer. E que o amor seja a porta que se abrirá para toda luz. Assim desejo”.


Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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