Canção do tempo
Quando o vento sopra em mim
e as folhas desse meu outono
querem esvoaçar de saudade
canto a canção cantiga do tempo
e perfumo meu instante de vida
com alfazema do que fui um dia
e que jamais terá outro aroma
porque trago a raiz da infância
sou adulto e sempre tão menino
a mesma folhagem renascida
ainda que em tudo haja ventania
e a tempestade venha enfurecida
transformando o viver em agonia
e é neste momento de desolação
que novamente canto a canção
cheirando a alfazema da infância
e então renasço a flor do coração.
Rangel Alves da Costa
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